brvnks no clipe de as coisas mudam
Ouça o novo disco de Diego Tavares!  

brvnks é uma artista brasileira que tem feito muito barulho na música independente durante os últimos anos.

Apostando em uma mistura de indie, pop, rock alternativo e até traços do punk, a artista que tem suas raízes ligadas a Goiânia mas mora em São Paulo passou a aparecer com frequência em playlists, sites e festivais, desde a celebração do TMDQA! em 2017 até o Lollapalooza Brasil.

Agora, Bruna Guimarães está embarcando em uma nova fase e se o seu primeiro single deixou claro que algo diferente estava acontecendo, agora ela diz com todas as palavras que “as coisas mudam” e nos brinda com uma canção em Português.

Além da latente questão da letra, também é possível perceber que brvnks passa a experimentar com outros elementos que tornam sua sonoridade ainda mais interessante.

Se antes seus sons tinham apelo enorme entre os fãs de rock alternativo, a artista começa a conversar com outras cenas e a furar bolhas, provavelmente também iniciando conversas com públicos e fãs de artistas que estão mais ligados à música Pop do que ao underground.

Nova Música da brvnks

Por aqui, nós já estávamos ansiosos por composições na nossa língua desde que brvnks fez uma participação especial em “Bandidos e Divas”, da banda Raça, em um dos melhores discos de 2019.

Agora, as expectativas não apenas foram cumpridas como superadas, e nós falamos com Bruna a respeito de tudo isso em um papo que você pode ler logo após a estreia da canção que veio acompanhada de um clipe incrível.

Você também pode ouvir o som na playlist TMDQA! Alternativo, no Spotify.

Divirta-se!

Continua após o vídeo

 

TMDQA!: Comecemos pelo início: você está lançando uma música em português após basear sua carreira em Inglês, e no próprio material de divulgação, você diz que é algo que os fãs pediam muito. Eu confesso que sempre tive a curiosidade e passei a ter a certeza de que seria muito interessante ouvindo em nossa língua a partir da sua colaboração com o Raça em “Bandidos e Divas”. Como você chegou à conclusão de que era a hora e quando decidiu tirar a canção do papel?

brvnks: Eu comecei a escrever muito nova, e achava que o português ia soar meio “bobo” no rockinho que eu fazia, principalmente porque de fato eram assuntos bem bobos mesmo, adolescentes, que eu escrevi com 16 anos. Até no [disco] Morri de Raiva tem algumas músicas dessa época… A vontade de escrever foi vindo, não foi saindo como o esperado, não sei se estou indo no caminho certo, mas tô fazendo.

Assim como fiz tudo até hoje, só vou lá e faço sem esperar muita coisa em troca. A diferença é que agora eu sou adulta, tenho 26 anos, e acho que soa menos tosco o que eu tenho pra falar agora, comparado com comer pizza e andar de skate lá atrás, há 10 anos.

TMDQA!: Você também tem experimentado muito com diferentes melodias e estéticas sonoras. Claramente há um movimento em sua carreira, te levando para outros lugares. Como você está planejando o lançamento desse e dos próximos singles dentro de uma história a ser contada? A ideia é chegar em um disco de estúdio, que seria o primeiro desde 2019?

brvnks: Sim! Trocamos de produtor, de banda, de manager, de equipe, tudo. Por isso claramente tá tudo bem diferente, mas tudo mais do que nunca passando muito pela minha mão, como não rolava tanto antes. É o começo da história de um disco inteiro que vai rolar em 2022 e que fala um pouco sobre os meus dois lados, aos poucos.

Eu continuo com o mesmo espírito de sempre: fazendo porque gosto, sem esperar nada em troca, se rolar, rolou, mas dessa vez fazendo do meu jeito e pondo a mão em tudo!

TMDQA!: E teremos mais músicas em português?

brvnks: Com certeza! Disseram que eu tava teimando, que não ia rolar bem, que a imprensa não ia curtir, mas o disco vai ser 50/50. Eu não quero deixar o inglês de lado, isso faz com que outras oportunidades maiores apareçam, principalmente fora. Mas eu também não quero ficar só nele e a galera sempre pede em português, querendo cantar e entender a letra… Então vai ser do jeito que eu quero mesmo, e se a imprensa não gostar também eu não fiz pra isso né? (risos)

Tem que fazer o que tá afim de fazer.

TMDQA!: Nos últimos anos você passou por experiências da indústria da música que muito provavelmente te deram novos ângulos do que é estar em uma grande gravadora, como é difícil chegar aos ouvintes e quais são os tipos de cenários que artistas de todos os portes enfrentam aqui e lá fora. Como isso tudo influenciou não apenas a tua carreira como também a tua sonoridade?

brvnks: O aprendizado foi bem grande, primeiro que uma grande gravadora no digital hoje em dia, principalmente se você não tem muita grana pra fazer material pra enviar, não rola, inclusive saímos e estamos independentes porque não compensa mesmo, não rolava grana, nem muita oportunidade. Galera acha que o lolla foi por conta disso, mas na real tudo que eu fiz foi por fora (risos).

Tá tudo saindo do meu bolso e de patrocínio de marca no momento, principalmente da Vans – que ajuda a gente desde o início – e tamo fazendo como dá. Como sempre, nunca tenho grandes expectativas não, faço porque tenho o desejo mesmo de ter uma arte minha por aí. E ah, aprendi também que o negócio tem que ser bom, se é pra gente sofrer demais, troca, muda o jeito, reformula, música é pra ser bom.

brvnks e a capa do single as coisas mudam

TMDQA!: A estética visual desses novos trabalhos também são bem destacadas, e isso é uma coisa que você sempre trabalhou no passado. Desde “Lanches” com a sua capa desenhada até a foto conceitual de “Morri de Raiva”, por exemplo. Agora você aparece em pinturas e aparentemente elas casam com a sua vontade de contar histórias pessoais através dos seus lançamentos. Como você enxerga o encontro de áudio e visual, e quem tem feito as artes dessa sua nova fase?

brvnks: A Ana Julia Dotto tem feito todas as pinturas, e a Pietra Costa tem feito todo o design. Tudo tem sido dirigido por mim, mas todas as coisas se casam mesmo. A ideia é que as letras, os vídeos e a ordem das músicas se transformem mesmo num começo, meio, e fim da história, com conclusão, etc. É um caminho que estou trilhando, inclusive os vídeos se juntam na história também, referenciando um filme que gosto muito, que se chama “Holy Motors” – e vai ter mais referência dele no próximo single.

TMDQA!: Os shows estão começando a voltar e você já esteve em alguns dos maiores palcos do país, como o do Lollapalooza. Tendo um projeto que carrega seu nome, como imagina essa nova etapa de ter seus músicos ao lado, ensaiar, voltar aos shows e possivelmente cair na estrada com um novo disco?

brvnks: Trocamos a banda inteira: temos um batera novo, guitarrista novo, e ainda estamos procurando o restante porque queria muito que fossem minas.

Não quero fazer show sem ter a banda toda formada, ensaiada e o disco na rua. Quero preparar algo do zero, com a comunicação, cenário, figurino, tudo organizado dentro da história do álbum. Mas animada demais pra essa nova fase, principalmente pra fazer um show bonitão com a galera sabendo cantar as letras em português!

TMDQA!: Assim como diversos músicos independentes pelo país, você saiu da cidade de origem e foi para São Paulo e mesmo que isso também tenha sido motivado pela sua carreira profissional e pessoal, a carreira musical também pesou, imagino. Como têm sido essas experiências tanto pra você quanto para outros músicos que vê trilhando esse caminho.

brvnks: Acho que SP vai ser sempre um miolo da música, não tem jeito. Acho bem injusto porque tem uma galera muito talentosa que não mora aqui e fica de fora desse fluxo. Mas aonde a vaca vai, o boi vai atrás né? (risos)

Estar aqui facilita algumas coisas, o networking é brabo, os shows acontecem o tempo todo. Eu não teria tocado no Lolla por exemplo, se não tivesse aberto o show da Courtney Barnett aqui em SP – e provavelmente não teria se morasse longe, por não compensar financeiramente.

TMDQA!: O que podemos esperar dos próximos passos da brvnks a partir de mais esse lançamento?

brvnks: Uma bruna mais satisfeita com o resultado do próprio trabalho, mais solta e mais feliz, isso aí eu garanto. E um bagulho mais bem feito e pensado também, com certeza! Nada mais do que isso, que prefiro não prometer demais pra depois vir surpresa (risos).

TMDQA!: Você tem mais discos que amigos?

brvnks: Discos físicos eu só tenho um com um beijinho da Grimes de autógrafo, guardo de relíquia. Amigos eu tenho uns 2… por aí.

Ouça a nova música de Juliah!      
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