Adrian Smith (Iron Maiden)
Foto via Wikimedia Commons
 

Com um dos lançamentos mais aguardados de 2021, o Iron Maiden entregou tudo que prometeu no excelente Senjutsu e mostrou aos fãs uma sonoridade que une o clássico som dos caras com a pegada mais progressiva presente nos álbuns mais recentes.

Naturalmente, grande parte do público teve sua curiosidade despertada pela obra, e recentemente os guitarristas Adrian Smith e Janick Gers concederam uma entrevista especial à Total Guitar para falar sobre alguns segredos por trás de cada uma das canções do trabalho.

Você pode conferir a tradução na íntegra desse faixa a faixa ao final da matéria!

Novo livro do Iron Maiden

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Faixa a faixa de Senjutsu por Adrian Smith e Janick Gers

“Senjutsu”

Adrian: “A faixa título foi inspirada pelas baterias japonesas. Nós colocamos minha demo no Pro Tools [programa de edição de áudio] e o Nicko [McBrain, baterista] tocou junto com ela. Aí tiramos as baterias digitais e adicionamos guitarras.

Nós primeiramente deixamos as faixas de bateria e guitarra prontas. Eu tinha algumas melodias e por conta da natureza oriental dela, o Steve [Harris, baixista] sugeriu uma cena de batalha — um exército tentando escalar as paredes de uma cidade. Drama completo!”

“Stratego”

Janick: “Eu escrevi boa parte do instrumental dessa e o Steve trouxe as suas melodias. É uma faixa básica de Rock and Roll com alguma criatividade extra jogada ali.”

Adrian: “Aquela mudança do power chord para a sexta menor soa bem sombria e é sempre muito eficiente. Dá um clima e dali você vai! Define o som da música, com esse elemento de discordância presente.”

“The Writing on the Wall”

Adrian: “Essa foi uma das minhas músicas então eu me dei um bom e longo solo! São sempre 16 compassos com o Maiden — todo solo tem essa duração. Eu nunca tinha feito 32, então eu pensei que me daria o dobro dessa vez. E isso foi na verdade um baita desafio, tentar construir isso para virar algo interessante. Então eu fiz o grande solo melódico, e aí o Dave faz um também e o Janick toca as coisas da outro. Mas nós tivemos bastante problema com aquele simples riff principal na posição de Ré.

Quando três guitarras o tocam, por conta da entonação, nunca soou certo pra mim. Com duas guitarras soava certo mas três soava um pouco fora. Então o Janick gravou a mais aguda e eu toquei a mais grave. E essa parte soa quase como uma linha de sopro.”

Janick: “Há definitivamente uma coisa Celta nessa. Quando trazemos músicas, qualquer coisa vale. Nada é sagrado. É isso que dá tanta profundidade a essa banda. Há aquela coisa cowboy no começo, também. Tudo se junta muito bem e ainda soa como Iron Maiden.”

“Lost in a Lost World”

Adrian: “O Steve tem uma abordagem muito diferente das coisas, o que na maior parte do tempo é uma grande força — porque faz com que a gente soe diferente de todo o resto. Ele tem o jeito dessas mudanças de tempo, e às vezes elas são difíceis de fazer com que sua cabeça se acostume, mas tendo trabalhado com ele por tantos anos, eu consigo quase antecipar pra onde ele vai. Eu acho que todos nós conseguimos. Essa é a beleza de ter uma banda que toca junta há tantos anos assim.”

Janick: “Não temos medo de ir em direções diferentes no meio de uma música. Não importa quão longa uma música acaba sendo — se parece certo, esteja preparado para ir ali. No que diz respeito às faixas de guitarra espelhando os vocais, às vezes a gente pode fazer isso antes do Bruce [Dickinson, vocalista] e outras vezes adicionamos depois. É diferente toda vez. Dá às guitarras uma oitava mais alta e leva o som para um lugar diferente, se somando à linha vocal.”

“Days of Future Past”

Adrian: “Essa tem um sentimento bem moderno em alguns lugares e tem só quatro minutos, então é a música mais curta do disco. O riff que entra em 30 segundos me soa bem novo e jovem. Usa a posição de Mi no sétimo traste e aí você usa apenas um dedo para tocar um baixo no Dó, e aí desce para o Lá.

É quase uma coisa do flamenco espanhol se você tocá-la em um violão com um ritmo de Bossa Nova, mas aí você se liga em um Marshall e toca de maneira diferente, e soa como uma música de Rock! Eu gosto desse acorde de Mi com o movimento por baixo.”

“The Time Machine”

Janick: “Essa é a que tem as afinações estranhas para dar toda aquela cor extra no início. Na verdade foi tudo feito na [Fender] Stratocaster. Para ser sincero, eu ia refazê-la no violão, mas a Strat tinha um som tão estranho que o violão não teria conseguido.

Eu joguei tudo com o que podia trabalhar nessa. Nós sempre amamos faixas mais compridas, mais arrastadas, e ainda que sejamos considerados Heavy Metal a gente também pode ter influências de Folk, Progressivo, e podemos ser fortes e também bastante leves em alguns momentos. De algumas formas, a nossa maneira de olhar para um álbum é que tudo é possível!

Tudo que você precisa, de verdade, é um refrão poderoso. Aí você faz camadas com as guitarras, é o nosso trabalho fazer um tapete por baixo que melhore os vocais do Bruce ao invés de entrar no caminho. Nós temos uma maneira natural de tocar. Nós não trabalhamos muito nisso, só acontece.”

“Darkest Hour”

Adrian: “Para essa eu usei minha Jackson double neck, com uma guitarra de seis cordas e uma de 12. Ela pesa tipo três quartos de uma tonelada! Mas soou muito bem no estúdio, especialmente para uma música que é meio baladinha.”

“Death of the Celts”

Adrian: “É engraçado — o Steve tem essas ideias e aí olha pra mim, Dave ou Janick. As ideias geralmente são bem complicadas, então às vezes você pode ver guitarristas se escondendo atrás de seus amplificadores, esperando para que os outros peguem em armas e aprendam essas partes super complicadas! Mas todos nós fazemos nossas partes. É preciso muita concentração para tocar as coisas do Steve. Honestamente, pode ser um baita desafio.”

Janick: “A gente fez esse álbum de um jeito bem diferente. Normalmente, a gente pega um estúdio para ensaiar e aí deixamos sete ou oito músicas prontas como uma banda ao vivo antes de gravar. Mas dessa vez foi tudo feito em estúdio. Nós fomos e na verdade aprendemos as coisas ali, colocando-as de lado logo depois e aí indo pra próxima. Então ficou bem confuso, especialmente com as músicas mais longas.

Havia tantas melodias e riffs voando pelo estúdio. Músicas como ‘Death of the Celts’ foram feitas em partes. Às vezes estávamos tocando as harmonias de três partes juntos. E havia muitas mudanças de tempo. O Steve teria um riff e uma melodia para nós memorizarmos, e aí tinha uma mudança de tempo, e aí voltaríamos à melodia mas com um tempo diferente! Não foi um álbum fácil de fazer.”

“The Parchment”

Janick: “Essa tem aquela sensação egípcia. Com o Maiden, nós amamos a imagem que vem através da música. Nós conseguimos levar as pessoas a lugares, e essa é a grande questão sobre a música e tocar guitarra. Você pensa no que você está tocando e em como você pode transportar o ouvinte. Isso é algo mágico.”

“Hell on Earth”

Adrian: “Nos Marshall JVMs, você tem dois canais limpos e dois canais sujos, e cada um deles tem três modos diferentes. Há várias opções diferentes de timbres ali. Com os sons limpos, a compressão é muito importante — bom, a compressão é importante em geral para gravar porque mantém tudo colado e soando forte. O Maiden sempre foi conhecido por colocar tons mais claros em músicas. As dinâmicas são muito importantes pra nós.”

Janick: “Esse é um fim tão temático para o álbum, com tanto poder. É bem cinemático e eu amo como todas as guitarras interagem entre si. É pesada mas tem tanta alma por ali. É um álbum do qual podemos nos orgulhar. Eu não consigo sentar aqui e te dizer que esse é o melhor álbum que já fizemos. Isso seria estúpido. Mas eu tenho muito orgulho dele — tanto orgulho quanto tenho de qualquer álbum do Maiden.”

 
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