Francisco, el Hombre
Foto: Julia Pessini e Amare Audiovisual
 

A banda brasileira Francisco, el Hombre tornou-se uma das mais celebradas dos últimos anos.

Misturando elementos da música latina com folk, punk e mais, o grupo lançou discos incríveis como Soltasbruxa (2016) e RASGACABEZA (2019), e tornou-se dono de um dos shows mais enérgicos e divertidos do país.

Após uma incursão por projetos paralelos de integrantes da banda durante a pandemia, agora é hora de embarcar em uma nova fase e ela vem com uma ideia pra lá de diferente: um reality show de segunda a sexta às 20 horas.

Casa Francisco: o reality da Francisco, el Hombre

Casa Francisco é o nome do programa especial que terá seu primeiro episódio hoje, dia 04 de Outubro.

Direto do Estúdio Sítio Romã, onde a banda já está há alguns dias, a Francisco irá transmitir ensaios, conversas, debates e até um show tocando o RASGACABEZA na íntegra para se “despedir” do álbum.

A festa começa hoje e você poderá assistir a tudo no canal da Francisco, el Hombre no YouTube. Inscreva-se por lá e ative as notificações para não perder nada!

Enquanto isso, fique com a entrevista exclusiva que o TMDQA! fez com a banda para saber sobre esse processo todo.

TMDQA! Vocês estão encerrando um ciclo e iniciando um novo quando parece que o mundo finalmente se prepara para também seguir esse curso. Como é se despedir de “RASGACABEZA” e receber o novo álbum?

Sebastianismos: É esquisito dizer que gosto de despedidas? Gosto porque a despedida é na verdade um anúncio de que uma nova fase está por vir, um novo ciclo, e isso me instiga. Porque é sobre isso – é na despedida que você olha para trás, celebra o ciclo e seus aprendizados. Acredito que é uma forma de autoreconhecimento que é fundamental no processo – “olha o que a gente propôs 3 anos atrás e olha onde nos levou”. E assim ver o quanto a gente consegue mover nós da energia e foco no novo ciclo: Casa Francisco.

TMDQA!: Em sua sonoridade, a Francisco, el Hombre mostrou muita coisa na sua curta e pra lá de rica carreira. Tem música latina, folk e até punk. Que elementos guiaram vocês nessa nova jornada e estão guiando para o que vem por aí? Que inspirações podem descrever as composições que vocês irão nos apresentar?

Sebastianismos: “O novo disco da Francisco é o disco mais Francisco de todos.” Não sei o que isso quer dizer ao certo mas é algo que as poucas pessoas que têm ouvido spoilers têm comentado. Eu acho que ele é um retorno ao ponto de início: a Francisco como banda começou como abertura das portas de casa para a gente ir se aventurar pelo mundo usando a música como combustível e, várias voltas ao mundo depois, voltamos à casa para mostrar o que aprendemos. É um disco orgânico, caseiro – é nóis: é punk e folclore, é raízes e desapego. É a gente.

TMDQA!: Um dos grandes diferenciais desse novo projeto é a Casa Francisco, um reality show onde vocês irão mostrar a rotina da banda em um período de entender as novas canções e também dar adeus à fase anterior. Como surgiu a ideia e como ela será executada?

Sebastianismos: Artista independente tem que se reinventar o tempo inteiro para manter sua independência. A gente tem visto muitos discos incríveis sendo lançados na pandemia e sendo esquecidos uma semana depois: a gente vive um tempo de imediatismo muito ingrato para quem passa as vezes mais de um ano preparando um disco para que ele seja “””ultrapassado””” em 1 semana.

Então a gente decidiu pensar algo diferente: já que o disco chama Casa Francisco, bora então fazer desse processo um anti-espetáculo: mostrar como é o processo de lançar um disco e montar um show novo e nesse processo buscar uma troca ainda mais íntima com quem nos segue.

TMDQA!: O que os fãs poderão ver quando sintonizarem na Casa Francisco que, sem esse reality jamais poderiam sacar da banda?

Mateo: Por um lado, o atrativo do reality é a quebra da sensação de “espetáculo” e um convite aos bastidores do dia a dia de uma banda. Então o público vai poder ver a construção das versões ao vivo das nossas músicas. Vamos errar, acertar, ter ideias no momento e ir criando ao vivo. Vai ter diferença de opiniões, diferentes caminhos tomados. Por exemplo: uma mesma música pode ser tocada versão punk, versão pagode, versão ska, etc… A gente passa por tudo isso na hora de arranjar uma música pro ao vivo e o público não só vai ver isso, mas também participar escolhendo qual ficou melhor.

Por outro lado, estamos empolgades de poder explorar outras áreas do cotidiano de uma banda que vai para além do show: vamos abrir a caixinha da memória e contar todas as histórias, os perrengues e os milagres que acontecem nas turnês. É compartilhar nossa rotina. :)

TMDQA!: Outro aspecto incrível dos próximos passos são as colaborações desse álbum, que já foram exemplificadas com Dona Onete em “Olha a Chuva”. Há alguns anos os estilos como Rap e Pop praticamente não têm lançado discos sem participações das mais diversas. Como é pra vocês entrarem nesse terreno dos feats e colaborarem com outros artistas? Quem mais vem por aí?

Mateo: Esse disco vai ter várias participações sim, Dona Onete, Rubel, Josyara e mais duas que ainda não podemos revelar! 

A grande graça de fazer essas participações é que quando outra voz canta tua música, parece que ela se transforma. A gente aprende muito com a maneira que a Dona Onete interpretou nossa música, com a leveza que a voz do Rubel trouxe para o disco.

A canção que a Josyara participou estava totalmente finalizada antes de enviarmos pra ela. Ouvíamos ela e sentíamos que algo faltava, não chegava o sentimento que queríamos passar com a canção. Foi só ela colocar a personalidade dela na música que parece que tudo fez sentido. 

Compartilhar, fazer parcerias, tudo isso é uma oportunidade de aprendizado.

TMDQA!: O período de isolamento fez com que os projetos paralelos ganhassem mais força e todos vocês vêm trabalhando muito forte nisso. Como vem sendo e como será daqui pra frente, na visão de vocês, o mundo da Francisco, el Hombre e todos seus iluminados satélites?

LAZÚLI: Por enquanto, estamos entendendo que precisamos nos desmembrar para conseguir rodar com cada projeto, porque o que estava rolando é que tinham algumas mesmas pessoas no Baby, no Sebastianismos, em LAZÚLI e nos projetos do Andrei também, vício de um coletivo que se conhece e se confia muito. Sinto que o que vem pela frente será um mundo ainda mais efervescente e movimentado, porém com maior organização para que as janelas de compromissos com a Francisco sejam mais nítidas e assim possamos dar sequência aos projetos paralelos. A ideia é circularmos e vivermos esses projetos de uma maneira que toda a cena da Francisco cresça e evolua.

TMDQA!: Por fim, que mensagem vocês querem passar ao mundo pandêmico, polarizado e tão complexo de 2020-2021 através da arte de vocês?

Andrei: A mensagem é um conselho pra que todes se preparem fisicamente porque não vemos a hora de voltar pras turnês. E quando voltarmos, vai ser sangue no zóio!

O vídeo do primeiro dia já está disponível e pode ser acessado por aqui.

 
Nosso site utiliza de cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços. Consulte nossa Política.