Tom Meighan, do Kasabian, em tribunal
Foto: Reprodução / Vídeo Jersey Evening Post
 

Tom Meighan, ex-frontman do Kasabian, fez um texto sincero e apelativo para falar sobre saúde mental e o crime que cometeu no ano passado.

Meighan, como contamos em julho de 2020, foi condenado após agredir a esposa, Vikki Ager. Sua sentença foi cumprir 200 horas de trabalho comunitário e não remunerado. Sua banda, pouco depois, decidiu por demiti-lo, avisando inclusive que demorou para se pronunciar devido a restrições judiciais.

Tom hoje mora na Cornualha, Inglaterra, com a mulher, e afirmou em sua declaração no blog Check Your Soul (via NME) que o incidente foi “isolado”, resultado de uma “briga de bêbado”. Ele acrescentou:

Lamento tudo o que aconteceu naquela noite — o que consigo me lembrar. Eu não tolero isso — é horrível. Eu amo demais minha mulher.

O músico ainda contou que, logo no início da pandemia, sua parceira ligou para a polícia “várias vezes” para dizer que ele estava suicida. Ele ainda explica que era uma “bomba-relógio” depois de tantos anos como vocalista de uma banda de Rock:

Parece uma grande aventura e você vive para ela. Mas ninguém fala sobre o que realmente está acontecendo emocionalmente. [Sempre lutei] com minha saúde mental e ansiedade. Mas o estilo de vida me fez piorar. Eu estava empurrando tudo para baixo com bebidas e drogas — suprimindo meus sentimentos. Eu ignorei todas as bandeiras vermelhas. Por muito tempo, eu sabia que algo estava errado, muito errado na minha cabeça. Mas eu não me tratei.

Agressão contra a esposa

Meighan chamou o episódio de agressão de “fundo de poço”, dizendo que ainda não se perdoou pelo que causou a Vikki. “Foi totalmente inaceitável. Na verdade, fico enjoado sempre que penso nisso”, ele escreve, antes de complementar:

Qualquer pessoa que me conhece sabe que não é da minha natureza ser violento e isso nunca aconteceu antes. Mas meu fracasso em resolver os problemas dentro de mim me levou a um ponto de ruptura.

Em seguida, ele deu uma declaração no mínimo dúbia sobre o episódio. Segundo o ex-vocalista do Kasabian, o caso foi o “ponto de virada” em sua vida; ele disse que ser preso “mudou tudo” e “salvou” sua vida, conforme ele explica:

Naquela noite, eu perdi tudo e com razão: minha casa, meu trabalho e as pessoas ao meu redor. Fui demitido e rejeitado. […] Eu não conseguia suportar a ideia de que Viks estava com medo ou que ela havia se machucado. Até hoje, mesmo agora, ainda me machuca pensar em como a fiz se sentir naquela noite. Sempre terei que conviver com isso.

Cultura do cancelamento

Ainda no texto, Tom Meighan abordou a infame “cultura do cancelamento”, dizendo que isso o deixa em “conflito”. Apesar de não concordar com o conceito, o músico disse concordar com a “cultura de consequências”:

Se a consequência do que fiz é perder minha carreira, aceito isso. É importante sofrer as consequências por causa de suas ações. Ter a chance de olhar profundamente para dentro de si mesmo e aprender como fazer mudanças e se tornar uma pessoa melhor para você e sua família, isso tem que ser uma coisa boa.

Afastado da música, Meighan afirmou que tem feito algumas composições e está animado. “Minha cabeça está de volta ao lugar onde estava quando comecei na música. [As letras] parecem novas de novo, e agora sei como concentrar minha energia nas coisas certas”, ele finalizou.

Kasabian

Agora sem Tom, o Kasabian vai entrar em turnê pelo Reino Unido no próximo mês. Quem assumiu os vocais da banda foi Sergio Pizzorno, um dos fundadores do grupo.

   
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