Pessoas ouvindo música juntas
Foto de pessoas ouvindo música via Shutterstock
 

Quando falamos sobre a popularidade repentina de uma música, é bem comum dizermos que ela “viralizou”. Pois a verdade é que esse termo está mais correto do que muitos imaginavam!

Uma nova pesquisa feita publicada recentemente na Proceedings of the Royal Society A: Mathematical and Physical Sciences (via Mixmag) usou dados científicos para concluir que, de fato, a música tem um componente de contágio e se espalha de maneira bastante similar aos vírus — inclusive, alguns gênero são até mais infecciosos do que doenças bem famosas.

É o caso da música eletrônica, que se destacou em meio à amostra de mais de 1,4 bilhão de downloads individuais analisada pela pesquisadora Dora Rosati, formada em matemática e estatística.

Isso foi concluído a partir da obtenção de um R0, conceito geralmente utilizado em epidemiologia para entender qual a taxa de transmissão de um vírus quando a população não possui qualquer tipo de imunidade a ele. No caso da COVID-19, por exemplo, o R0 tem variado entre 0,7 e 0,9 segundo estudo publicado pela BBC.

Isso significa, na prática, que cada 10 pessoas contaminadas com a doença podem espalhá-la para 7 a 9 outros indivíduos. Com a música, o conceito é igual e os números são realmente impressionantes, em especial para a música eletrônica, como falamos acima: o R0 para o gênero ficou com uma marca surreal de 3.430 — sim, três mil quatrocentos e trinta, o que supera (e muito) até algumas das doenças mais contagiosas do planeta, como catapora (R0 de 10-12) e sarampo (12-18).

Estudo mostra quais são as músicas mais contagiosas

Todos os dados foram obtidos através de um modelo que esteve focado nas mil faixas com mais downloads no Reino Unido entre 2007 e 2014. A partir dessa base, Rosati e os outros pesquisadores utilizaram um modelo de transmissão epidemiológica para verificar se a música se encaixaria e obteve resultados positivos, mostrando que essa indústria pode, de fato, ser tratada dessa forma.

Atrás da música eletrônica, aparecem justamente o Rock e o Hip Hop, que ficam à frente até mesmo do Pop no que diz respeito ao R0. Os menores números ficaram com a música Dance e o Metal, que atingiram respectivamente 2,8 e 3,7 — ainda assim, métricas maiores do que a da COVID-19, por exemplo.

A pesquisadora chefe esclarece que isso não necessariamente reflete quais músicas tiveram mais downloads, mas sim o quão rápido elas se espalham. Para ela, isso significa que a música eletrônica tem fãs mais apaixonados e que compartilham mais músicas entre si, criando uma rede maior do que a que existe entre outros gêneros.

Para explicar essa altíssima taxa de contágio, Rosati comenta:

[A pesquisa] implica que vários dos processos sociais que comandam a transmissão de doenças, ou processos análogos a estes, podem também estar comandando a transmissão de canções. Mais especificamente, [a pesquisa] apoia a ideia de que tanto a música quanto as doenças contagiosas dependem de conexões sociais para se espalharem através de populações.

Com uma doença, se você entrar em contato com alguém que esteja bastante doente, você então tem uma certa chance de pegar essa doença. Com a música, é bastante similar. A grande diferença é que para as canções, não precisa necessariamente haver contato físico — pode ocorrer que meu amigo usou uma música nova legal em seu story do Instagram, então eu vou encontrá-la.

Na conclusão da pesquisa, Dora ainda explica que gêneros como o Rock e outros que não têm sido tão tocados na rádio podem ser bastante beneficiados pelo surgimento das redes sociais, uma vez que passam a não mais depender das emissoras para serem espalhados.

A ideia do estudo é que ele possa ser utilizado para prever tendências para novos lançamentos da indústria. Sensacional, hein?

 
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