Uyatã-Rayra
Foto por Eduardo Quintela
 

Cordel da Caixa D’água”, novo single do cantor e compositor baiano Uyatã Rayra, tem como ponto de partida a inusitada história de um extraterrestre que tem sua nave avariada no espaço aéreo de Feira de Santana (BA) e se vê obrigado a fazer um pouso de emergência.

A história segue com a empreitada do ET em busca de uma peça para consertar a nave, passando por pontos conhecidos da cidade, como Feira do Rolo, Feiraguay, Feira do Rato e Rua da Aurora. Sobre a ideia por trás da canção, Uyatã Rayra conta:

Para além de pensar a história do ET no campo da ficção cômica, a ideia foi construir uma fábula sobre a essência comercial feirense. Mas, não só… Feira é uma hospedaria passageira e perene, esta encruzilhada do mundo.

O single, que saiu pelo selo Banana Atômica, ainda faz referência à Caixa D’Água do Tomba, um símbolo emblemático da cidade do agreste baiano, com “‘status’ de uma Torre Eiffel“, destaca Uyatã Rayra. Com anatomia octogonal, a caixa d’água “lembra uma grande nave espacial“.

A sonoridade de “Cordel da Caixa D’água” tem como base elementos rítmicos e poéticos da cultura nordestina, como o repente, coco de embolada, forró de rabeca e as bandas de pífanos. Já a composição, parceria com Pedro Patrocínio, foi totalmente influenciada pela literatura de cordel, tendo como marca o humor, o sarcasmo e a ironia, além do uso de gírias popularmente conhecidas na região.

Amiltex

Amiltex
Foto: Divulgação

Inspirado por uma realidade caótica e desoladora, o rapper paulista Amiltex (Hó Mon Tchain) vem trabalhando em seu primeiro álbum solo, intitulado Terceiro Mundo. O disco está previsto para o segundo semestre de 2021 e, para abrir os caminhos, o artista acaba de divulgar o single e videoclipe “Favela Vai Vencer”.

Com produção de Renan Samam (Emicida, Marcelo D2, Rashid) e mixagem e masterização de Mudd Rodriguez, a música exprime não apenas as mazelas externas vivenciadas por Amiltex em seu universo particular na favela mas também os conflitos e aflições internas enfrentados por aqueles que se veem às margens da sociedade, tendo que se virar para sobreviver sem o mínimo de estrutura material e emocional.

Acontecimentos recorrentes em todo o mundo também alimentam a urgência do assunto e a necessidade de uma quebra de paradigmas. Fatos como a morte do americano George Floyd, da deputada e socióloga Marielle Franco, assim como os vários jovens negros vítimas de ações violentas praticadas pela polícia militar, dão força pro discurso e motivos para exigir uma mudança nesse cenário que parece não ter fim, como reflete o rapper:

Todos que moram e vivem na Favela, seja de qualquer lado de São Paulo, sabe como é a abordagem policial, sabe como somos afrontados e humilhados por eles. Se você é negro, favelado, fodeu. O preconceito é dobrado. […] Quem já foi oprimido e agredido sente e lamenta a morte de um favelado ou de um negro na mão da polícia. […]

O clipe de “Favela Vai Vencer” é assinado pelo videomaker Johnny Germano, proprietário do selo independente Fim da Linha Records, responsável pela produção e lançamento do novo trabalho de Amiltex.

Marinheiro Porre

Marinheiro-Porre
Foto: Divulgação

A banda potiguar Marinheiro Porre acaba de lançar o single “La Puerta (Pequena Dor Guardada)“. Trazendo o indie rock embalado por toques de melancolia e psicodelia, a música sai pelo selo Nightbird Records.

A faixa chegou acompanhada por um videoclipe e marca o segundo single lançado pelo grupo em 2021. Sobre a temática da música, o vocalista e guitarrista Marcos Mar explica:

É uma música que fala sobre aqueles momentos em que não sabemos como expor direito o que pensamos ou o que queremos fazer. É como se essa vontade ficasse guardada. Por isso o título é ‘La Puerta’, pois a porta fica fechada. É uma canção que traz diversas dúvidas e que, consequentemente, resultam em angústias.

Por conta da pandemia, o clipe de “La Puerta (Pequena Dor Guardada)” foi filmado em apenas um dia e contou com roteiro de Tâmara Thayná. Segundo a roteirista, a ideia por trás do filme “era que as ações de uma pessoa resultassem nas ações de outras pessoas“:

[…] são duas pessoas e, uma delas, começa uma ação que tem seu fim na outra. Eu queria que eles parecessem uma pessoa só, pois estavam passando pelo mesmo processo, mas não percebiam. A gente fica assim quando sofre, um pouco egoísta.

Além de Marcos Mar (vocal / guitarra), a Marinheiro Porre conta com Matheus Lima (baixo) e Davi Selton (bateria). Em sua sonoridade, a banda faz uma mistura do pop e do indie rock contemporâneo com o hard rock e a psicodelia dos anos 60 e 70.