Joe Duplantier, do Gojira, participa de manifestação em Brasília
Reprodução/Instagram (foto por Robin D Hood)
 

Um dos assuntos mais importantes desta quarta-feira (25) é o Marco Temporal, que vai a julgamento para analisar a legalidade das demarcações de terras indígenas concedidas após a data de promulgação da Constituição Federal.

Com o projeto sendo visto como péssimo para os indígenas, cerca de 6 mil representantes de mais de 160 povos e etnias vêm se manifestando em Brasília desde o último domingo (22) em oposição a esse projeto, que basicamente deixaria de considerar como terras indígenas quaisquer lugares ocupados por esses povos após 5 de Outubro de 1988.

Apesar da pouca visibilidade dada ao movimento por grandes veículos de mídia — ou talvez justamente por isso —, artistas nacionais e internacionais têm aparecido na manifestação e/ou declarado seu apoio aos povos que lutam por seus direitos.

Gojira, Alok e mais em manifestação contra o Marco Temporal

Uma das presenças mais surpreendentes foi a de Joe Duplantier, francês que lidera a banda de Metal Gojira. O músico desembarcou em Brasília, participou do protesto e gravou um vídeo declarando seu apoio:

Oi, gente, eu sou o Joe da banda Gojira. Eu sou parte da Solidariedade Internacional dos Artistas, eu estou aqui em nome de muitos artistas do mundo inteiro, que se importam e estão assustados pelo futuro dessa Terra e se importam com o futuro dos povos indígenas do Brasil. E nós estamos aqui unidos com todos vocês e estamos aqui para dizer que vocês não estão sozinhos, nós estamos no campo com vocês. Muito respeito e muito amor.

Vale lembrar que, em seu último disco Fortitude (2021), a banda francesa lançou uma música e clipe bastante focados na preservação da Amazônia — que, aliás, dá título a canção.

Na manifestação, também foram vistos músicos mais populares no Brasil, como o cantor Vitão e o DJ Alok. Este último, aliás, explicou a gravidade da situação em um post no seu Instagram:

Os povos indígenas são os grandes guardiões das florestas do Brasil e podemos lembrar que as nossas gerações futuras certamente nos avaliarão por aquilo que fizermos com esse patrimônio que não é apenas do Brasil mas de toda a humanidade.

Os efeitos nocivos da relação ultrapassada com os biomas naturais é parte do problema que hoje toda a humanidade sente com o aumento das temperaturas e mudanças climáticas em geral. Portanto, proteger a vida dos povos originários, garantindo seu direito à terras férteis e reconhecendo seus territórios de origem, é proteger a vida do Planeta honrando a nossa espécie humana.

O momento certo para prestarmos a atenção é agora! Precisamos escolher muito bem nossas fontes de informação para compreendermos com clareza a ameaça de um grande RETROCESSO nos direitos dos povos indígenas caso o Projeto de Lei (PL) 490, que será julgada dia 25 de agosto, seja aprovado.

Hoje, uma série de estudos, pesquisas, publicações e experiências demonstram que, se bem trabalhados, o manejo agroflorestal da terra, a diversidade fitoterápica e alimentar das matas e a diversidade linguística, cultural e espiritual das tradições nativas podem servir como grande diferencial para a conquista do desenvolvimento econômico pujante e sustentável.

Não vamos cometer os mesmos erros que outros cometeram com a omissão ao proteger a natureza.

Mobilizem-se deixando claro aos seus representantes que PL 490 NÃO!

Logo abaixo, você pode conferir as postagens dos artistas citados, incluindo o vídeo de Joe Duplantier, e também registros da participação destes nas manifestações.

 

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