Guarabyra e Sérgio Reis
Fotos via Reprodução/Instagram
 

Talvez você tenha visto nos últimos dias que Sérgio Reis, mais conhecido por seu trabalho como cantor mas também ex-deputado, virou notícia por convocar uma greve nacional de caminhoneiros a favor do presidente Jair Bolsonaro e contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos registros — um áudio e um vídeo — que vêm sendo compartilhados através do WhatsApp, o músico afirma que tem apoio, inclusive financeiro, para “intimar” o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) a facilitar a aprovação de um possível pedido de impeachment dos ministros Alexandre de Moraes Luis Roberto Barroso, que deve ser protocolado por Bolsonaro, como ele contou nas redes sociais, além de apoiar o famigerado voto impresso:

Já entramos com pedido de o presidente do Senado nos receber no dia 8 de setembro, vou eu e dois líderes dos caminhoneiros, e dois líderes do sindicato da soja, para entregar a ele uma intimação, não é um pedido, é uma intimação, como se fosse um oficial de Justiça que fala ‘cumpra-se’.

Enquanto o Senado não tomar essa posição que nós mandamos fazer, nós vamos ficar em Brasília e não saímos de lá até isso acontecer. Uma semana, dez dias, um mês e os caras bancando tudo, hotel e tudo, não gasta um tostão. E se em 30 dias eles não tirarem aqueles caras, nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra.

Repercussão negativa

Acontece que as ameaças de Reis acabaram saindo pela culatra, ao menos inicialmente. De acordo com o Correio Braziliense, líderes das principais associações ligadas aos caminheiros no país negam que estariam aderindo ao movimento — tanto José Roberto Stringasci, da ANTB (Associação Nacional de Transporte do Brasil) quanto Wallace Landim, o Chorão, da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores) afirmam que não há envolvimento em massa de seus associados.

Nos bastidores, as ameaças também são vistas como vazias; ainda de acordo com o portal acima, o Ministério da Infraestrutura não encara a mobilização como algo sério.

No âmbito da música, a decisão já está causando problemas para o cantor. Grande nome da música brasileira, Guarabyra estaria preparando uma parceria com Sérgio para o novo disco do intérprete de “Menino da Porteira”, mas desistiu após os posicionamentos recentes.

Em publicação no Twitter, disponível ao final da matéria, Guarabyra afirma:

De Sérgio Reis, sempre tive enorme admiração pelo trabalho, bom gosto, extrema musicalidade. No disco dele que irá sair, inclusive participaria em uma faixa, gravação dele de Sobradinho. Mas me considero incompatível com seu posicionamento atual e infelizmente declino do convite.

A declaração gerou fortes repercussões, com uma usuária da plataforma explicando de forma didática a diferença entre respeitar diferentes posições políticas e os valores que vêm sendo associados às falas atuais de Reis:

Tem certos valores que são inegociáveis mesmo. Envolvem caráter, entende? Não tem como dialogar, conviver, infringe até sua essência.

Após esses últimos acontecimentos, Sérgio alterou o seu discurso e diz que estava apenas pedindo para que os impeachments “fossem estudados”. Você pode ver a mensagem na qual ele chora e se explica logo após a publicação de Guarabyra, assim como uma comparação com sua fala inicial.

Guarabyra declina parceria com Sérgio Reis

 
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