Dexter Holland (The Offspring) no Brasil em 2019
Foto por Aline Krupkoski / TMDQA!
 

Se você tem acompanhado o TMDQA!, deve ter visto uma notícia de ontem (3) em que falamos sobre a demissão de Pete Parada do The Offspring.

O baterista foi retirado do grupo após se recusar a tomar a vacina contra a COVID-19 — por orientação médica, de acordo com ele — e o assunto se tornou bastante comentado nas redes sociais, uma vez que a justificativa apresentada pelo músico é totalmente plausível.

Parada alega ter sofrido com a síndrome de Guillain-Barré, uma condição médica em que o sistema imunológico de uma pessoa ataca os próprios nervos e um possível efeito colateral de virtualmente todas as vacinas disponíveis no mundo, não só contra o novo Coronavírus. Acontece que, em seu comunicado, ele diz:

Ainda que o meu motivo para não receber essa vacina seja médico, eu quero ter certeza de que não esteja encontrando um espaço que seja grande o suficiente só pra mim. Eu preciso dizer, sem medo de errar, que eu apoio o consentimento informado — que necessita de uma escolha sem o peso da coerção. Eu não acredito que seja ético ou sábio permitir que aqueles com mais poder (governos, corporações, organizações, empregadores) ditem procedimentos médicos para aqueles com menos poder.

É exatamente nessa fala — e na relação do líder da banda Punk, Dexter Holland, com a ciência — que está o problema que pode ter agravado a situação do baterista dentro do grupo.

The Offspring, vacinas e o doutor Dexter Holland

Como relembra um Tweet que foi ao ar na noite de ontem, Holland encontrou um tempo em meio às tarefas da banda para concluir seu doutorado em biologia molecular.

Sua tese, citada em outra publicação, foi intitulada “Descoberta de sequências maduras de microRNA dentro das regiões de codificação de proteína em genomas globais de HIV-1: previsões de novos mecanismos para infecções virais e patogenia”, em tradução livre (de alguém que definitivamente não estudou biologia molecular — correções são bem-vindas!).

De toda forma, o nome complicado não importa tanto nesse momento, ainda que seja pra lá de interessante. O fato é que Dexter, como cientista, conhece bem as vacinas e provavelmente entende o quanto a declaração de Pete é problemática.

Ainda que o motivo do músico para não receber o imunizante seja totalmente válido, sua fala insinua que ele acredite em uma “liberdade de escolha” que definitivamente não se aplica à vida em sociedade. A vacinação em massa contra a COVID-19 é, por bem ou por mal, a única forma de efetivamente prevenirmos que a doença siga tomando conta de nossas vidas.

Demissão de Pete Parada do The Offspring

Nos EUA, temos visto um exemplo claro disso. Algumas pessoas já têm claramente apontado para os não-vacinados como a causa de uma nova onda associada à variante Delta no país, o que preocupa autoridades já que, com a possível evolução do vírus e as gigantescas aglomerações que já vêm acontecendo por lá, não há certeza sobre a proteção a longo prazo.

Justamente por isso, a saída de Pete do The Offspring já seria extremamente importante até mesmo sem suas declarações (quase?) anti-vacina. Ter um integrante não-imunizado na banda passa a ser um ônus que coloca em risco não apenas os músicos em si, como também o público que vai a cada show.

Mais ainda, alguns locais já passam a exigir a vacinação para ir a locais fechados. É o caso da cidade de Nova York, por exemplo, que divulgou a implementação de um “passaporte da vacina” — testes negativos não serão mais suficientes para permitir a entrada.

Se a situação de Pete realmente faz com que ele tenha menos risco sem se vacinar, não cabe a nós dizer. O fato é que, com um líder de banda estudado como Dexter Holland em uma área tão relacionada a isso, é surreal pensar que um discurso como esse seria aceito em meio à maior crise mundial de saúde no último século.

Como diria o próprio Offspring: let the bad times roll — com um novo (e vacinado) baterista, que deve ser anunciado no futuro próximo.

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