“Ladies and gentleman, rock and roll”. Foi com essa frase, na voz de John Lack, que a MTV (Music Television) foi ao ar pela primeira vez em 1° de agosto de 1981, há exatos 40 anos.

Talvez os jovens da geração TikTok não se emocionem com essa data, mas a gente, que já passou dos 20 e muitos anos, sim. Isso porque a emissora mudou tudo. Tudo mesmo. Desde seu começo nos anos 80 até meados dos anos 2000, foi o canal quem ditou as principais tendências da música, levou muita coisa nova às massas, popularizou premiações, programas e toda uma cultura que serviu como base para o que temos hoje.

Quem não se lembra de acompanhar religiosamente os programas de clipes para assistir ao seu favorito, ou de gargalhar vendo algum episódio de Jackass, Punk’d, Pimp My Ride, MTV Cribs e tantos outros? Se a nossa querida e finada MTV Brasil nos trouxe tantas alegrias entre os anos 90 e meados de 2010, foi porque sua “mãe” já estava construindo uma porrada de referências lá fora, desde os anos 80.

O começo da MTV

Nascida em uma parceria da Warner Communications com a American Express, a emissora, disponível então como canal a cabo, já chegou com o slogan “You’ll never look at music the same way again” (“você nunca mais vai olhar para a música do mesmo jeito”). Sua intenção inicial era ser um canal que exibisse clipes musicais 24 horas por dia, isso tudo com a ajuda dos VJs — “video jockeys”, os apresentadores da MTV, cujo nome foi inspirado em DJ (“disc jockeys”).

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A ideia era inserir de uma vez por todas a música na televisão e, mais do que isso, popularizar ainda mais os videoclipes. Apesar de não ser a pioneira em aquecer esse mercado — outras emissoras já o faziam nos anos 70 —, é fácil dizer que a MTV foi a maior influenciadora de decisões dos artistas neste ramo. Se seu clipe passava em algum programa do canal, esse era o maior indicador de que você fez sucesso de verdade.

A respeito de curiosidade, os cinco primeiros clipes que foram transmitidos na emissora foram “Video Killed the Radio Star”, do The Buggles; “You Better Run”, da Pat Benatar; “She Won’t Dance With Me”, de Rod Stewart; “You Better You Bet”, do The Who e “Little Suzi’s on the Up”, do Ph.D.. Se quiser relembrar a lista completa, é só clicar aqui.

Premiações

Com a estreia do VMA (Video Music Awards) em 1984, a corrida dos videoclipes se intensificou ainda mais na indústria.

Foi essa a premiação que nos deu uma infinidade de momentos históricos ao longo dos anos, como o beijo entre Britney Spears, Madonna e Christina Aguilera, o discurso de Taylor Swift interrompido por Kanye West, o vestido de carne da Lady Gaga, a performance de “Like a Virgin”, por Madonna, aquela apresentação de Britney Spears em 2007, o protesto de Tim Commerford, do Rage Against the Machine, o beijo de Michael Jackson e Lisa-Marie Presley em 1994 e tantos, tantos outros.

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Nos anos seguintes, a emissora ainda lançaria o EMA (European Music Awards), o MTV Movie Awards e várias outras celebrações.

Programas históricos

Atendendo à demanda de adolescentes e jovens adultos já vidrados em sua programação, a MTV começou a apostar em programas que levavam a música um pouco mais além. O Dial MTV estreou em 1984, com o formato que conhecemos aqui no Brasil como o Disk MTV: os espectadores ligavam na emissora para votar em seus clipes favoritos. Dois anos depois, veio o 120 Minutes, com o objetivo de colocar músicas mais alternativas e underground na programação. Ainda nos anos 80, viriam o Yo! MTV Raps e o icônico MTV Unplugged.

A série de acústicos começou como um programa de 13 episódios naquele ano, contando com apresentações de Aerosmith, Elton John, Sinéad O’Connor, Poison, Joe Satriani e Stevie Ray Vaughan, entre outros. Criado pelos produtores Robert Small e Jim Burns, o projeto ficou tão marcado na história da música que foi muito além da programação da emissora.

Vários artistas e bandas acabaram lançando oficialmente suas performances, que bateram recordes de vendas no mundo inteiro. Citando só alguns, temos nomes como Nirvana, Alanis Morissette, Alice in Chains, Pearl Jam, Paul McCartney e muitos outros que inseriram seus Acústicos na discografia oficial.

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Foi no finalzinho dos anos 90 e, principalmente, nos anos 2000, que a emissora começou a apostar forte em programas que iam além da música.

Com animações como Beavis and Butt-Head e reality shows de artistas como Ozzy Osbourne, Jessica Simpson e mais, o canal também virou referência em muitos desses segmentos e foi base para muito do que veio depois — será que Keeping Up With the Kardashians teria existido sem a MTV? Fica aí o questionamento.

MTV hoje

Assim como aqui no Brasil, a MTV americana também teve um grande declínio de audiência e programação, mas não chegou ao fim. Mesmo forte com seus reality shows, a emissora ainda dedica uma parte de seu tempo à música, e o VMA, por exemplo, continua acontecendo — neste ano, será em setembro e presencial.

Apesar de fazer falta, é evidente que o modelo antigo da MTV não teria tanta sustentação nos dias de hoje, e a empresa faz o que pode para se manter relevante até 2021. O que a emissora ainda nos dará daqui pra frente é um mistério, mas as memórias certamente ficam pra sempre com quem viveu os anos de ouro.

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