Lars Ulrich, do Metallica
Foto: Reprodução / YouTube
 

Há diversos relatos por aí sobre qual a origem do Metallica. É claro que isso depende da perspectiva de cada membro, mas em uma coisa todos concordam: a banda começou por conta de um anúncio em classificados.

A partir desse ponto, no entanto, surgem as divergências. A versão de James Hetfield é a mais conhecida, mas há algum tempo o baterista Lars Ulrich — o único outro membro original que ainda continua no grupo — falou sobre a sua versão e ainda ironizou a história que James costuma contar. Ele disse:

Havia, obviamente antes da internet e tudo mais, um jornal com classificados na área geral de Los Angeles que você encontrava em qualquer conveniência chamado Recycler. Era usado basicamente para vender carros e qualquer outra coisa, cortadores de grama, sei lá. E tinha um [pedaço] bem pequeno — você tinha que saber o que estava procurando — de ‘músicos procurando músicos’ e eu coloquei uma propaganda ali. Foi de graça, aliás, o que é bem legal.

[A propaganda] era dizendo que havia um baterista procurando outros músicos para começar uma banda. E eu coloquei umas bandas obscuras de New Wave of British Heavy Metal por lá, tipo Diamond Head e Tygers of Pan Tang e, sei lá, Witchfinder General [como referências]. E muita gente ligava e falava, ‘Heavy Metal? Você está querendo dizer tipo Kansas e Styx’. [risos] E aí, sabe… eu sentava com eles e fala sobre os três singles do Tygers of Pan Tang que tinham saído nos últimos meses na Inglaterra, então isso não ia muito longe.

Pra resumir a história, um dia um cara chamado Hugh Tanner apareceu e disse, ‘Posso levar um amigo meu junto?’. Era um cara bem tímido, introvertido, bem estranho, alto e magrelo, e seu nome era James Hetfield e nós meio que fizemos uma jam e nada aconteceu. Eu já ouvi o James contar essa história mil vezes e é sempre, ‘Os estandes de chimbal do Lars ficavam caindo’ e ‘O Lars, sendo o dinamarquês que é, não tinha tomado banho em dois meses’ e todas essas coisas… [risos]

Eu já ouvi o lado dele, agora vocês vão ouvir o meu. Eu vou ser mais bonzinho e gentil. Nada de mais aconteceu, a gente só não se conectou direito! Esse cara, o Hugh Tanner, era meio que a linha de frente mas havia algo com esse tal de James que eu me senti relacionado. Então, eu saí correndo e gritando do sul da Califórnia e passei o Verão na Inglaterra, na Europa, meio que seguindo bandas por aí como o Motörhead e o Diamond Head e tudo mais. E quatro meses depois eu voltei pra Los Angeles e agora já estamos no Outono de 81 e eu liguei para James Hetfield e disse, ‘Olha, vamos tentar e vamos deixar esse tal de Hugh Tanner fora disso’.

E aí eu e o James nos conectamos, e eu toquei todos os singles que eu havia colecionado durante o Verão na Inglaterra para ele e… a versão dele de Heavy Metal era Aerosmith e Ted Nugent, ele tinha acabado de começar a ouvir falar de Judas Priest e esse tipo de coisa. Mas eu toquei todas essas bandas legais do underground britânico pra ele e eu não sei se ele se apaixonou por isso ou se apaixonou por mim, mas de algum jeito funcionou. [risos]

E que bom que funcionou! Confira esse vídeo na íntegra logo abaixo.

A história do Metallica segundo Lars Ulrich