Don Felder e Joe Walsh tocando
 

“Hotel California” é uma daquelas músicas extremamente únicas. Um sucesso espetacular mesmo com sua duração bem maior do que o normal para um hit, a canção dos Eagles escrita por Don Felder está imortalizada na história da música e dificilmente surgirá algo parecido no futuro.

É claro que, quando coisas assim acontecem, ficamos curiosos para saber tudo que esteve por trás dessa composição tão especial. Felizmente, Don conversou com Paul Brannigan para a revista Classic Rock e contou em detalhes a história dessa música!

Você pode conferir a tradução da fala de Felder logo abaixo. Para ver a matéria original em inglês, basta clicar aqui.

Don Felder e a história de “Hotel California”

Quando eu entrei nos Eagles, minha esposa Susan e eu estávamos vivendo nas montanhas que ficam acima do Canyon Topanga, uma área bela, rural da Califórnia. Um dia ela colocou um lençol no chão do lado de fora para o nosso bebê Jesse pegar um sol, e ela de repente viu uma cascavel se rastejando até ele. Ela pegou o Jesse e me chamou e disse, ‘Estamos de mudança.’ Então quando eu voltei da estrada, eu voltei não para a casa que eu tinha, mas para uma casa que ela alugou em Malibu. E foi lá que eu escrevi ‘Hotel California’.

Logo quando eu entrei na banda, meu colega de banda do colégio Bernie Leadon me contou, ‘Se você quer escrever músicas com Don [Henley] e Glenn [Frey], apenas faça camas musicais para eles, não tente dar a eles músicas completas com letras, porque esse é o trabalho deles’. Então antes de fazer o que passou a ser o álbum ‘Hotel California’, eu escrevi umas 15 ou 16 músicas demo, baseadas nessa abordagem.

Duas delas acabaram no disco, uma das quais foi ‘Victim of Love’, e a outra virou a faixa-título. Na verdade, naquela época, ‘Hotel California’ era só mais uma música na fita K7. Eu não pensava necessariamente que era a melhor música, mas o Don me ligou depois de alguns dias digerindo a música e disse, ‘Eu realmente gosto daquela que soa como Reggae mexicano’, e eu sabia de qual ele estava falando.

Então nós começamos a jogar ideias para ela. Glenn veio com o conceito original de ‘Hotel California’, e aí o Henley sentou e escreveu aquela letra fantástica. Suas letras são como pequenas fotografias, as quais, bastante semelhante a ler um livro ao invés de assistir a um filme, te permitem desenhar imagens em sua mente. ‘On a dark desert highway’ [‘Em uma estrada escura no deserto’], são cinco palavras, mas já coloca uma imagem na sua mente. ‘Cold wind in my hair’ [‘O vento gelado no meu cabelo’], você pode senti-lo, você pode vê-lo.

O solo de guitarra veio diretamente da minha demo. O Joe Walsh e eu tínhamos tocado juntos no [disco ao vivo de 1976] ‘You Can’t Argue with a Sick Mind’, antes dele entrar nos Eagles, e então eu queria escrever algo que pudesse incorporar como ele e eu tocávamos juntos. Era só um solo de guia, mas quando chegamos a fazer o disco ‘Hotel California’, o Don Henley estava digerindo aquelas músicas por mais de um ano, e ele queria o solo feito nota por nota, então o solo na música é idêntico ao que estava na demo.

Para ser sincero, eu achei que a música era grande demais. Nos anos 70, a rádio AM não tocava músicas com mais de 3 minutos e 30 segundos, mas ‘Hotel California’ tem um minuto de música antes mesmo do Don começar a cantar, e um solo de guitarra de dois minutos no final. Era simplesmente o formato errado. Mas o Henley insistiu que a gravadora lançasse como single. E eu nunca fiquei tão feliz por terem me provado que eu estava tão errado.

É uma honra e uma surpresa inesperada ter sido parte da composição, produção e gravação de um disco que teve tanto sucesso global. Cerca de quatro ou cinco anos atrás eu fiz um show para ONU no hotel Waldorf Astoria em Nova York, para uma plateia de cerca de 500 pessoas, incluindo presidentes e chefes de estado. Eu toquei ‘Hotel California’ e não importava a língua que as pessoas falassem, ou de que país elas fossem, todo mundo cantou a música inteira. Foi ali que eu vi que a canção realmente teve um impacto global.

 
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