Britney Spears no clipe de
Foto: Reprodução / Youtube
 

A incrível Britney Spears, em seus mais de 20 anos de carreira, deu voz a várias canções que hoje são entendidas como hinos do pop mundial. São, em sua maioria, canções sobre relacionamentos amorosos em suas mais diversas vertentes. Uma delas, em específico, capricha ao fazer do amor uma metáfora para uma perigosa e viciante droga.

Estamos falando de “Toxic“.

Lançada em 2003 como parte do disco In The Zone, a música se tornou rapidamente um dos maiores sucessos da cantora, tanto para o público quanto para a crítica. Tudo isso aconteceu com o apoio de um videoclipe icônico que gerou polêmicas na época.

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Abaixo, separamos algumas curiosidades sobre este grande hit, envolvendo sua composição e seu legado para a carreira da princesa do pop. Confira após o vídeo e, é claro, #FreeBritney.

 

Um sample rebuscado

Na primeira, na décima e até na milésima reprodução, “Toxic” soa como uma canção completamente original. Bom, de fato é, tirando o uso de samples de uma canção nada previsível.

As épicas cordas que enfeitam o techno-pop proposto (possivelmente o elemento mais característico da música fora sua letra pegajosa) foram “importados” da Índia. “Tere Mere Beech Mein” (algo como “Entre Você e Eu” em híndi), cantada pelos músicos Lata Mangeshkar S. P. Balasubrahmanyam, data de 1981 e fala sobre uma conexão estabelecida em um relacionamento de longa data. Um pouco menos “tóxico”, podemos assim dizer.

 

Perdeu, Kylie!

Acredite se quiser: Britney, tecnicamente, funcionou como uma espécie de “plano B” para a música. Inicialmente, os compositores Cathy Dennis e Henrik Jonback haviam pensado em dar “Toxic” para a cantora Kylie Minogue.

Cathy, por sinal, já tinha colaborado com Kylie ao escrever um de seus maiores sucessos, “Can’t Get You Out Of My Head” (2001). A ideia era que a cantora inserisse a então nova composição em seu álbum Body Language, também lançado em 2003, mas ela desistiu, abrindo portas para que Brit protagonizasse um dos maiores hits do ano.

Em entrevista recente para o programa Watch What Happens Live with Andy Cohen, a cantora contou que ter declinado a música foi uma decisão estúpida. “Britney fez um trabalho incrível. Talvez não acontecesse o mesmo se fosse comigo”, refletiu.

 

Diamantes, 007 e ideias mirabolantes para um clipe

É seguro afirmar que “Toxic” tem um dos melhores e mais icônicos videoclipes da carreira de Britney Spears.

A própria cantora veio com o conceito do clipe, sobre uma agente secreta em busca de vingança contra um ex-namorado. Ela o apresentou ao diretor Joseph Kahn (que também dirigiu, três anos antes, o vídeo para “Stronger“) para dar seu tratamento à história. Kahn também ficou reconhecido por dirigir clipes para artistas que vão desde o pop (Backstreet Boys, Destiny’s Child e Christina Aguilera) até o hip hop (Eminem, Busta Rhymes, Bone Thugs-n-Harmony).

Algumas das cenas mais icônicas também foram sugestões de Britney. Isso inclui a cena em que ela beija um homem no banheiro de um avião e os icônicos takes em que a cantora aparece nua, coberta apenas por diamantes. Kahn associou a segunda ideia às introduções dos filmes da série 007, o que justifica muita coisa.

A parceria Kahn-Spears deu certo e foi repetida com os vídeos para “Womanizer” (2008) e “Perfume” (2013).

 

Timing ruim (segundo a MTV)

Apesar de incrível, o clipe de “Toxic” acabou tendo sua performance televisiva prejudicada por conta de um evento externo.

Em 2004, o famoso show de intervalo do Super Bowl contou com uma cena polêmica, em que Justin Timberlake arrancou a roupa de Janet Jackson e a fez ficar com um dos seios expostos ao vivo. O vídeo fomentou críticas à MTV, que foi a responsável pela produção do evento.

Britney saiu prejudicada da situação ao ter seu então novo clipe praticamente excluído da programação do canal, por conta de seu teor sexual. “Toxic” passou a ser exibido apenas na programação noturna do canal, por conta da natureza sensível do particular momento envolvendo Jackson. Mas a popstar não foi a única. Clipes de grupos como Incubus, Maroon 5 e até blink-182 tiveram suas exibições restritas ao período da noite.

 

O primeiro (e único) Grammy

Britney não tem o apelido de “princesa do pop” à toa. Suas músicas marcaram uma geração e continuam sendo referências emblemáticas para o teen pop. Mas a Recording Academy sempre torceu um pouco o nariz quando o tema entra em questão.

Tanto é que, apesar de icônica, a cantora nunca foi uma presença constante nas premiações do Grammy. Ao longo de sua carreira, ela recebeu apenas 8 indicações aos famigerados gramofones dourados. No entanto, ganhou apenas uma vez, graças a “Toxic”.

Na edição de 2005, a canção levou a melhor na categoria Melhor Gravação de Dance, deixando para trás nomes como The Chemical Brothers, Scissor Sisters e Kylie Minogue (olha ela aí de novo).

 

Uma melódica sensualidade

Algumas músicas, repaginadas em outras roupagens, permitem compreensões completamente novas. É o caso de “Toxic”. À parte dos elementos instrumentais que fazem dessa música um hino dance-pop, sua letra também é emblemática e, atrelada a uma melodia “chiclete”, permite ressignificações.

Essa sensualidade melódica consegue ser notada em diversas covers gravadas ao longo dos anos. Nomes como Alex & Sierra e Melanie Martinez conquistaram jurados de programas musicais com suas versões mais lentas e intimistas.

Até a estética do rock encaixa bem na proposta da música. A cantora Jaguar Jonze, em 2020, gravou uma das melhores covers do ano com sua versão mais pesada do hit de Britney, mas mantendo a sensualidade da melodia.

 

Combina bem com… Linkin Park?

Algum roqueiro online?

Bom, precisamos destacar também essa versão interessantíssima que juntou “Toxic” com “Faint” do Linkin Park. Além de criativa, a versão também ganha pontos por conta de sua atmosfera nostálgica, ao unir dois hits poderosos lançados no mesmo ano.

Com uma leve alteração no tom da música, esse mash-up conseguiu criar um inimaginável dueto entre Britney e Mike Shinoda. Mas é claro que não poderia faltar pelo menos um verso do querido Chester Bennington no final, certo?

 
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