Todo Aparenta Normal
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Por Martín Ramicone

Todo Aparenta Normal é uma banda formada em 2009 na cidade de Don Torcuato em Buenos Aires, na Argentina, pela união dos irmãos Nicolas e Juan Pablo Alfieri com Alexis Koleff e Luca Albano Barzan.

Com quatro discos autorais na carreira — Diferente (2011), Hijos del Mundo (2014), En El Desaprender (2017) e El Último Abrazo Analógico (2020) — e até uma indicação aos Prêmios Gardel, o grupo ganhou um lugar de destaque entre a nova geração de bandas de rock e já percorreu diversos palcos e festivais como o Cosquín Rock, Personal Fest, Ciudad Emergente, Rock en Baradero e até palcos na Espanha e França.

No ano passado, o grupo completou 10 anos e comemorou com um teatro Vorterix esgotado e uma indicação ao Grammy por seu videoclipe “Vivir Los Colores”, disponível logo acima.

Internacionalmente, a banda tem participado de festivais na França como o Festival FontArt de Pernes, o Festival 48 de rue de Mende, e se apresentado no Festival Nacional, Mercado Tradicional da Ilha sur le sorgue, Le Sonograph em Le Thor, Le Rex em St Remy de Provence e Le Fabuleuz em Saignon. Na Espanha, eles realizaram shows no Nevermind (Barcelona) e Blacknote (Valência) como parte de suas duas turnês europeias.

Você pode conhecer mais sobre a banda em uma entrevista disponível logo abaixo!

TMDQA! Entrevista Todo Aparenta Normal

TMDQA!: Para começar, gostaria que contassem ao público brasileiro quem são Todo Aparenta Normal?

Todo Aparenta Normal: Somos uma banda argentina que faz canções dentro de um rock alternativo que se caracteriza por ir de um som puro e preciso a uma sujeira de rock contundente, formando um som disruptivo que pode te levar por muitas paisagens harmônicas e dinâmicas. Acabamos de lançar um álbum que já tem indicação para o Grammy Latino 2019. A melhor maneira de definir nossa música é vocês avaliarem.

TMDQA!: Como ocorre o processo de composição da banda? Quem participa, como funciona?

Todo Aparenta Normal: O processo de composição foi mudando ao longo dos anos. Costumamos compor de formas diferentes, neste álbum ocorreu em algumas canções de partirmos da ideia de alguns membros para desenvolver juntos. Às vezes, essas ideias estão mais ou menos acabadas, mas no estúdio é sempre um bom cultivo de ideias onde nos conectamos e brincamos.

TMDQA!: Do primeiro álbum até hoje há uma mudança de estilo, isso aconteceu naturalmente ou há um plano estratégico para novas tendências sonoras?

Todo Aparenta Normal: Certamente o estilo foi mudando ao longo dos 10 anos conforme crescemos como músicos e como banda. Sempre gostamos de ouvir música nova e contemporânea. E passamos muitas horas improvisando todos como um bloco. Portanto, pode-se dizer que a fusão de estilos e influências do momento de fazer os discos foi totalmente natural.

TMDQA!: Hoje pensam que o estilo que fazem será o definitivo ou no futuro podemos continuar a nos surpreender?

Todo Aparenta Normal: No que diz respeito à música, consideramos que a repetição não é uma opção. Estamos sempre inventando uma nova forma de fazer música, uma nova forma de som. Se casarmos com a ideia de que muitos repetem que tudo já está inventado, seria uma mensagem muito apocalíptica. A arte é infinita.

TMDQA!: Como trabalham em modo pandêmico e como superaram as dificuldades?

Todo Aparenta Normal: Durante a pandemia continuamos a fazer coisas, o que estava ao nosso alcance. Em 2020 terminamos a mixagem de El Último Abrazo Analógico remotamente. Compusemos novas músicas trocando projetos e gravando em nossas casas. Fizemos um show via streaming ao vivo em que muitas pessoas participaram e foi ótimo. Filmamos muitos vídeos e colaborações de canções gravadas em nossas casas. E as dificuldades que ainda sorteamos continuamos avançando.

TMDQA!: Como receberam a notícia da indicação ao Prêmio Carlos Gardel por seu último álbum?

Todo Aparenta Normal: A verdade é que foi um momento muito bom quando ouvimos a notícia da nomeação. É um álbum feito com muito amor e ser reconhecido por isso é uma grande honra.

TMDQA!: Conte-nos o que sabem sobre o Brasil, quais bandas gostam daqui?

Todo Aparenta Normal: Atualmente gostamos muito de um artista brasileiro que é referência para nós, Djavan. Também Cássia Eller e outro músico criador de melodias incríveis, que é o João Gilberto. Também gostamos muito do primeiro álbum da Céu, que tem um som muito autêntico.

TMDQA!: Quando vierem ao Brasil, acham que o idioma seria uma barreira?

Todo Aparenta Normal: O português é um idioma bastante amigo do espanhol, duvidamos que seja uma barreira. Sempre encontramos uma forma de nos comunicarmos. Em 2016 saímos em turnê pela França sem saber uma palavra, isso foi muito mais difícil. Além disso, quando você ouve pessoas falando português, é muito melódico, como cantar, e com o espanhol temos muitas palavras em comum.

TMDQA!: O que vem por aí para a Todo Aparenta Normal?

Todo Aparenta Normal: Estamos preparando um álbum onde faremos um percorrido por todos os nossos álbuns, revisitando músicas e juntando novos estilos usando novas ferramentas, talvez de uma abordagem mais íntima e profunda.

TMDQA!: Uma mensagem final para todo o público brasileiro?

Todo Aparenta Normal: A todos os brasileiros que nos conhecem, mandamos um enorme carinho e dizemos que não percam nosso rastro, que o Brasil é um destino vizinho possível, e que em breve nossa música poderá cruzar essa fronteira.

Martín Ramicone é CEO da agência Da Chance Music, empresário e agente de imprensa de artistas latinoamericanos e europeus, com 21 anos na indústria e 8 anos radicado no Brasil.