Radiohead -
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Quando o Radiohead lançou Kid A, o barulho foi ensurdecedor. O disco — e seu título, por consequência — se tornou sinônimo de revolução musical, de uma estética vanguardista que iria ditar o futuro da música e dar todas as glórias possíveis à banda comandada por Thom Yorke.

Mas, despretensioso como sempre e focado em sua música acima de tudo, o grupo não teve medo de lançar um sucessor menos de um ano depois. Amnesiac, que chegou há exatos 20 anos em 5 de Junho de 2001, poderia muito bem ter sido lançado como um “disco dois” de Kid A ou até mesmo como uma versão expandida do trabalho que acumulou prêmios.

O Radiohead escolheu o caminho mais difícil e transformou aquela coleção de músicas gravadas nas mesmas sessões de Kid A em uma obra com vida própria. E ele ganhava vida, aliás, justamente na desordem e na bagunça — ao contrário de Kid A, o sucessor não tinha uma história e um conceito amarrados; a banda abraçou sem qualquer dúvida a estética de lançar uma coleção de músicas.

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Radiohead e a história por trás de Amnesiac

Talvez o grande mérito do Radiohead com Amnesiac tenha sido não apenas a confiança em seus próprios talentos para divulgar o trabalho da forma como ele chegou ao mundo, mas também em seus fãs para digerir a obra da maneira que deveria ser.

Um ótimo exemplo é “Pulk/Pull Revolving Doors”, terceira faixa do trabalho. Ao explicá-la, Thom Yorke falou ao Elektronauts que era basicamente o que surgiu depois que os caras ficaram “fuçando no Pro Tools [software de áudio] pela primeira vez” com loops gravados durante as sessões de OK Computer, incluindo até mesmo elementos do que viria a ser “True Love Waits”, do disco A Moon Shaped Pool.

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De forma parecida, a crueza era elemento fundamental de “Knives Out”, talvez uma das canções mais bem-sucedidas do álbum. De acordo com o guitarrista Ed O’Brien em publicação de seu próprio site,  a faixa foi a “coisa mais reta que já fizemos em anos”; ele relata que a banda teve que “resistir” para não sair embelezando a canção.

É curioso porque, na época, essa era uma das reclamações dos fãs “das antigas”: o Radiohead estava perdendo a conexão com suas origens.

De fato, quem ouve “Creep” e depois qualquer coisa de Kid A Amnesiac pela primeira vez dificilmente vai acreditar que se trata da mesma banda, mas é impossível não perceber as semelhanças entre as melodias honestas e simples do começo que voltaram a aparecer no disco de 2001.

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Ao mesmo tempo, a experimentação estava realmente muito mais presente. O maior exemplo disso é “Life in a Glasshouse”, música que fecha a obra e evidencia toda a inspiração no Jazz que ficava por baixo dos panos em outras canções — tanto é que a banda recrutou o trompetista Humphrey Lyttelton e sua banda para finalizá-la.

Até o lendário músico, que apresentou um programa sobre Jazz por 40 anos, teve dificuldade em acompanhar o ritmo do Radiohead. Lyttelton explicou, na época, que a banda “não queria que soasse como uma produção muito grande de estúdio mas sim como uma coisa levemente exploratória de pessoas tocando como se não tivessem planejado tudo anteriormente”. Parece complexo? Ele também achou:

Eu detectei algumas viradas de olho no começo da sessão, como se [eles] quisessem dizer que estávamos a quilômetros de distância. Eles passaram por uma série de crises de nervos durante o curso da gravação, só tentando nos explicar o que eles queriam.

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Amnesiac: 20 anos depois

20 anos depois, Amnesiac é muito mais apreciado do que era anteriormente. Seja através das experimentações citadas acima ou da pegada extremamente única que vemos em canções como “I Might Be Wrong”, a banda conseguiu atingir o auge no sentido de fazer o som mais cru possível e aceitá-lo da forma como ele é.

Na época, o disco acabou sendo de certa forma mascarado por Kid A — tanto pelos que gostaram do trabalho quanto pelos que o odiaram — e não teve o devido respeito. Mas, hoje, é fundamental apreciar a importância desse trabalho.

É claro que o crédito não é apenas do Radiohead, mas Amnesiac foi um exemplo de como é possível usar a tecnologia a seu favor. Fatores como a criação de mais softwares e a popularização dos recursos de gravação caseira são fundamentais para a música atual, e o disco em questão foi um dos primeiros a mostrar que dava, sim, para fazer tudo de uma maneira crua e experimental e ainda conseguir um resultado espetacular.

Agora é hora de relembrar esse baita disco! É só dar o play logo abaixo e curtir.

 
 
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