Show virtual de Nightwish
Ouça a Playlist Climão de Dia dos Namorados!   Ouça o novo álbum do Melim!  

Por Julia Ourique

Para entender sobre as minhas percepções sobre o “An Evening with Nightwish in a Virtual World” (Uma noite com o Nightwish em um Mundo Virtual, em livre tradução), é preciso saber que sou uma fã da Floor Jansen (ex-After Forever e Revamp) há mais de 15 anos. Até 2012, quando ela se tornou a vocalista do Nightwish, eu só tinha a canção “Come Cover Me”, graças à minha namorada da época. Quando Jansen tornou-se vocalista da banda, foi o elemento que faltava para dar uma chance ao Nightwish e, desde então, nunca mais larguei os finlandeses. Ou seja, essa é uma resenha de uma fã recente, que não viveu o arrebatamento em relação à Tarja Turunen e nem à Anette Olzon. Vamos lá?

Na sexta-feira (28/05), às 14h, já estou a postos no site onde poderia assistir a uma sessão virtual com o novo baixista do Nightwish para a turnê do álbum “Human :ll: Nature” (2020), que substitui o talentosíssimo Marco Hietala, que saiu da banda no início deste ano. O nome confirmado é Jukka Koskinen, que já integrou as bandas Wintersun, Norther, Amberian Dawn e Cain’s Offering. O músico é grande amigo do atual baterista do Nightwish, Kai Hahto, que por sua vez também veio do Wintersun. Durante a sessão Jukka conta que não teve dificuldades ao aprender as novas músicas do Nightwish e completa: “ainda que existissem, eu nunca admitiria (risos)”. O baixista também elogia o trabalho de Marco Hietala, seu antecessor na banda, e garante aos fãs: “Eu não estou aqui para substituir Marco, ninguém poderia. Eu estou aqui como eu mesmo, para ajudar os caras a tornar real a turnê Human :ll: Nature. Ele é uma lenda”.

Nightwish Ao Vivo

Apresentação ao vivo do Nightwish

Às 15h (Horário de Brasília) inicia-se o primeiro show do “An Evening with Nightwish in a Virtual World”, que acontece no The Islander Arms, uma espécie de taverna virtual criada pela equipe da banda finlandesa com efeitos especiais que me fizeram lembrar World of Warcraft na parte exterior e Castlevania no espaço onde acontece o show, só que com ares “cafonas” – afinal é uma banda de metal sinfônico e todo mundo já espera isso. A banda chega em um dirigível chamado “Spirit of Punk”, mas vocês não os vê saindo, só sabe que chegou a hora do show.

A faixa de abertura é “Noise”, presente no último álbum, e senti um pouco de timidez na banda, vai ver foi a pandemia que os deixou assim. Em seguida, temos a canção “Planet Hell”, um clássico do álbum Once (2004) e que não era tocada ao vivo desde 2013.

Geralmente essa música teria a presença do Marco Hietala, mas Floor Jansen conseguiu segurá-la sozinha. As próximas músicas são “Tribal”, “Élan”, “Storytime” e “She Is My Sin”, sendo as últimas duas não apresentadas ao vivo desde 2016. Em uma parte mais lenta do show, “Harvest” é a canção do novo disco em que o Marco tem a voz principal e nesta apresentação é substituído por Troy Donockley (gaita irlandesa, tin whistle, vocais, bouzouki), pessoalmente, achei interessante. Em seguida temos “7 Days to the Wolves” e uma das mais queridas pelos fãs, “I Want My Tears Back”, que foi fortemente criticada pelos fãs que assistiam, já acostumados com a forte presença vocal de Marco. Meu veredicto? Não consegui ouvir a voz do Troy, pois a Floor tava cantando bem demais.

Agora chegamos quase no fim do show, mas não se engane, não houve decaída no repertório em nenhum momento. Seguimos com “Bless the Child”, “Nemo” – o clássico das góticas – e uma versão acústica emocionante de “How ‘s the Heart”, apenas com Floor e Troy. Mas a emoção não parou por aí, a faixa mais intrigante de “Human :ll: Nature”, “Shoemaker”, tida como a mais difícil pela própria Floor Jansen, foi tocada pela primeira vez ao vivo e mesmo com toda a tensão, a cantora não desafinou e segurou as notas mais difíceis. A gente que acompanha a carreira da Floor há tanto tempo, sabe quando ela está orgulhosa de um trabalho bem feito. E aquele sorriso estava lá <3

A última parte do show acontece com as canções “Last Ride of the Day”, “Ghost Love Score” – mais um clássico da banda – e “The Greatest Show on Earth”, mas calma, não foi tocada na íntegra, só até a parte 3 de 5 (risos). O primeiro dia de show termina com a banda sentada em uma roda, bebericando suas canequinhas de cerâmica, enquanto Floor Jansen canta suas partes da faixa “All the Works of Nature Which Adorn the World: Ⅷ. Ad Astra”, e se junta aos amiguinhos da banda. Tudo lindo? Tudo lindo. Embora, na minha opinião, tenha sido desnecessário mostrar tanto do mundo virtual. Mas tudo bem, ainda tem o segundo dia.

Apresentação ao vivo do Nightwish

No segundo dia (29/05), o show teve um horário adaptado à América Latina, com show iniciando às 21h. Além do figurino da banda, houveram algumas mudanças no setlist: saiu “Tribal” e entrou “Alpenglow”; Saiu “She Is My Sin” e entrou a versão com a banda completa de “How ‘s the Heart”, que me deu o impulso de levantar e aplaudir a banda, até lembrar que estava na sala e era só um mundo virtual; Saiu “7 Days to the Wolves” e entrou “Dark Chest of Wonders”, com uma performance incrível de Floor Jansen; Saiu “Bless the Child” e entrou “Ever Dream” e “Sleeping Sun”; Saiu “Shoemaker” e entrou “Pan”. Vale também ressaltar que no segundo show a Floor Jansen estava muito mais falante, e Tuomas Holopainen (teclado), Emppu Vuorinen (guitarra), Troy Donockley e Kai Hahto (bateria) estavam muito mais entrosados, trocando olhares e dançando juntos. O segundo dia também terminou com a banda sentada em roda, bebericando em suas canecas de cerâmica.

Para quem estava em dúvida se valia a pena comprar os ingressos para o show do Nightwish no Brasil, por enquanto marcados para outubro deste ano, a minha dica é: compre! Estas duas noites com o Nightwish no The Island Arms me fizeram perceber o quanto estes músicos amam estar no palco, e como eles sentem falta dos fãs. No próximo show do Nightwish no Rio de Janeiro eu estarei lá e desta vez vou aplaudir, gritar e banguear tudo que ficou guardado durante essa experiência virtual.