Eddie Vedder fala sobre seu verdadeiro pai em entrevista
Reprodução/YouTube
 

A história familiar de Eddie Vedder é complexa e mesmo alguns grandes fãs do vocalista não conhecem todos os detalhes.

A gente explica, de forma resumida: o vocalista do Pearl Jam é filho de Karen Lee Vedder Edward Louis Severson, Jr., mas cresceu até os últimos anos de sua adolescência acreditando que Peter Mueller era seu verdadeiro pai. Mueller casou com sua mãe pouco depois do divórcio entre Edward e Karen e criou Eddie como seu filho, inclusive depois de ter se separado de Karen.

Justamente por isso, o cantor cresceu sendo chamado de Edward Mueller mas, quando descobriu que o cara que visitou sua casa algumas vezes quando criança era seu verdadeiro pai, descobriu também seu nome de batismo — Edward Louis Severson III — e adotou o sobrenome da mãe.

Dito tudo isso, é natural que toda essa questão seja extremamente presente na vida do músico. Em uma entrevista poderosa com Steve Gleason, um ex-jogador de futebol americano que hoje luta contra a doença de Lou Gehrig e se comunica por um computador, o assunto veio à tona por um motivo pra lá de justo.

Eddie Vedder fala sobre crescer sem seu verdadeiro pai

Como você pode ver no vídeo legendado ao final da matéria, Gleason cita que existe uma “linha do tempo” para seu falecimento e ele vem construindo um livro com coisas que gostaria de dizer aos filhos caso não esteja mais por aqui.

O caso de Vedder foi bem semelhante, já que quando ele descobriu a identidade do pai, este já tinha falecido por conta de esclerose múltipla. Ele, então, se empolga com a possibilidade de contribuir para a construção do que Steve pediu e responde:

Essa é uma ótima pergunta, e vindo de você… eu não poderia apreciar mais.

A primeira coisa que vem à mente por não tê-lo conhecido de verdade, ou não ter tido a oportunidade de conhecê-lo, eu acho que no fundo eu só teria gostado de saber se, sabe, se ele me amava e quanto. Eu acho que ele me amava. Mas, outra coisa que seria ótima seria ter alguém do meu próprio sangue me ensinando como seria crescer e ser um homem, um bom homem.

Eu acho que tive que descobrir essas coisas sozinho e acho que alguma orientação poderia ter ajudado. E provavelmente não há ninguém em quem você confie mais do que no seu pai. Então quando [a minha] adolescência chegou, eu não confiava em nenhum adulto; eu tinha dificuldades com todos os adultos naquela época. Eu acho que ele poderia ter me ajudado com algumas dessas coisas.

Eddie conta, então, como toda essa situação inspirou canções de sua banda (como a clássica “Alive”) e como também descobriu os talentos musicais de seu pai logo antes da entrevista em questão, que aconteceu em 2014:

Mas, sabe, alguém acabou sendo muito gentil, e é uma história muito longa como isso tudo acabou, mas acabou comigo fazendo 4 músicas para ele dizendo isso. E eu só ouvi a sua voz pela primeira vez no mês passado. E, a parte legal… digo, soava bem, a produção era boa, sua voz soava ótima. Foi meio que, sabe, provavelmente no começo dos anos 70, meio que no final dos ‘crooners’ e soava como se ele estivesse indo mais na direção do Folk, algo mais Gordon Lightfoot, meio Wichita Lineman.

Mas a coisa mais legal, Steve, é que ele era realmente bom pra caralho. Então eu fiquei muito orgulhoso dele. E, sabe, eu queria que ele estivesse aqui agora e gosto de pensar que ele estaria orgulhoso de mim. E agora eu sinto orgulho dele, o que é algo muito legal.

Depois desse trecho, um Eddie claramente emocionado brinca com a munhequeira que utilizava ao limpar as lágrimas: “eu sabia que isso serviria para algo, mas não sabia para o quê”. Alguém tem uma sobrando por aí? Também estamos precisando!

 
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