Tapecar
Imagem: Divulgação
 

Com papel fundamental para a disseminação do samba nos anos 70, a Tapecar tem sua história atrelada a popularização da música preta no Brasil. Fundada pelo espanhol Manolo Camero, a gravadora brasileira manteve-se na ativa por 10 anos. Agora, 4 décadas depois, o bulldog mais famoso dos discos está de volta!

A gravadora que lançou discos históricos de Elza Soares, Beth Carvalho, Candeia, Novos Baianos, Tom e Dito, Bartô Galeno, Ronaldo Adriano, entre outros, dá mais um passo para aprofundar na imensa música brasileira. A notícia do retorno veio de modo silencioso, com a criação de um perfil no Instagram e no Facebook, e, em seguida, a apresentação da nova identidade visual.

Em entrevista ao TMDQA!, que você confere na integra mais abaixo, a gravadora conta que, no primeiro momento, o objetivo é levar os fonogramas dos anos 70 para o mundo digital.

É nossa prioridade. Democratizar o acesso ao nosso catálogo e retornar a distribuição dos direitos para os artistas. Essa é a primeira missão do nosso retorno. Acesso aos nossos fonogramas de maneira democrática.

A primeira novidade dessa nova fase da Tapecar aconteceu nos últimos dias: cinco discos da Elza Soares que estavam fora das plataformas de streaming foram disponibilizados no último dia 23 de Abril. A escolha da data é especial, já que é o Dia de São Jorge, santo de quem Elza é devota.

A novidade é resultado da parceria entre a Tapecar e a gravadora Deck, que distribui digitalmente os álbuns. Os títulos disponibilizados foram Elza Soares (1974), Nos Braços do Samba (1974), Lição de Vida (1976), Pilão + Raça = Elza (1977) e Grandes Sucessos de Elza Soares (1978), e você já pode curti-los na plataforma de sua preferência.

Conversamos com a Tapecar para saber um pouco mais sobre os preparativos que antecederam esse retorno e o que podemos esperar dessa nova fase da gravadora. Confira após o player.

TMDQA! entrevista Tapecar

TMDQA!: Olá, amigos da Tapecar! Como vocês estão?

Tapecar: Estamos bem e empolgados com esse retorno. Animados com os novos rumos da Tapecar.

TMDQA!: A Tapecar está de volta e isso é muito excitante! Como foi a preparação para retomar as atividades 40 anos depois, em um cenário onde o vinil está novamente em evidência, mas o público se renovou? E há quanto tempo isso vem sendo planejado nos bastidores?

Tapecar: Oficialmente, a equipe atual começou a se reunir em 2019. Todas as questões de catálogo, jurídicas, estão sendo tratadas com muito cuidado. Demoramos mais tempo do que imaginávamos, mas voltamos mais organizados e sabendo dos próximos rumos.

TMDQA!: Quando a Tapecar encerrou suas atividades, no início dos anos 80, o catálogo da gravadora foi distribuído entre a Som Livre e a Aycha Discos. Houve alguma movimentação para recuperar os direitos sobre esses trabalhos? Teremos relançamentos a caminhos?

Tapecar: Na verdade, a Aycha foi uma sucessora da Tapecar. Era de propriedade de Manolo Camero, o fundador da Tapecar. O projeto não vingou e fechou no mesmo ano, em 1981. Após isso, a Som Livre relançou alguns títulos da Tapecar nos anos 80, por ter sido uma parceira da gravadora desde os anos 70. Com certeza teremos relançamentos!

TMDQA!: E novidades? Já há planos para lançamentos inéditos e espaços para novos artistas e projetos também?

Tapecar: No primeiro momento, pretendemos regularizar todas as questões que possam levar os fonogramas dos anos 70 para o mundo digital. É nossa prioridade. Democratizar o acesso ao nosso catálogo e retornar a distribuição dos direitos para os artistas. Essa é a primeira missão do nosso retorno. Acesso aos nossos fonogramas de maneira democrática.

No futuro esperamos lançar fonogramas inéditos, com artistas e projetos. É também um projeto, mas que vai acontecer com o tempo.

TMDQA!: Nos primeiros anos como gravadora, a Tapecar editou diversos artistas da Motown/Tamla e, em seguida, partiu para incontáveis lançamentos ao redor do samba, tendo um papel fundamental na difusão da música preta no Brasil durante sua trajetória. 40 anos depois, o samba ainda é uma prioridade para vocês ou o cenário e as aspirações são outras?

Tapecar: A Tapecar teve um papel fundamental para o samba nos anos 70 por abrir espaço para Xangô da Mangueira, Zé Di, Georgette, Partideiros do Plá, Elza Soares, Candeia (que não só lançou disco, como produziu discos de jongo e de religiões afro-brasileiras). A origem da gravadora tem toda sua história ligada a diversos gêneros da música preta no Brasil. Isso não tem como não se relacionar para o futuro. A ideia é que a gravadora mantenha seu DNA original, mas sem esquecer de novos projetos.

TMDQA!: Desde 2010, parte do acervo da Tapecar foi restaurado e digitalizado pelo selo independente Discobertas, recebendo em suas edições encartes caprichados e textos explicativos sobre os lançamentos. Como foi essa parceria e, de algum modo, ela irá continuar?

Tapecar: A Discobertas teve um projeto de lançar em CD alguns dos títulos mais populares da Tapecar, mas o contrato já se encerrou.

TMDQA!: Hoje o Brasil conta com duas grandes fábricas de vinil, que são responsáveis pela grande porcentagem dos lançamentos de artistas nacionais nesse formato. Vocês já chegaram a fechar alguma parceria para as prensagens? Ou pretendem importar esse processo?

Tapecar: Estamos em um projeto de descentralização desse processo. Não queremos apenas uma opção para conseguirem nossos títulos. Esse é o foco principal.

TMDQA!: Nós estamos bastante ansiosos com esse retorno e queremos saber: para quando podemos esperar mais lançamentos? Teremos mais novidade chegando ainda em 2021?

Tapecar: O primeiro lançamento aconteceu agora no dia 23 de Abril, mas nas plataformas digitais. Foram disponibilizados os 4 LPs + Grandes Sucessos da Elza Soares gravados na Tapecar entre 1974-1978. É uma fase muito importante com muito samba e clássicos como “Bom dia Portela” e “Malandro”. Esperamos que em 2021 possamos dar boas notícias frequentemente.

TMDQA!: O que vocês idealizam para a Tapecar nessa nova fase?

Tapecar: Pretendemos manter a história da gravadora viva, mas sem deixar de criar novos produtos, seja com artistas da nova geração, remixes, etc. Mas mantendo a identidade que a gravadora criou nos anos 70.

TMDQA!: Muito obrigado por essa conversa. Sejam muito bem-vindos de volta e muito sucesso nessa nova fase da Tapecar!

Tapecar: Obrigado! Esperamos que o Bulldog mais famoso dos discos possa aparecer aqui muitas vezes novamente. Um abraço do Bulldog!