Rincon Sapiência
Foto por Jef Delgado (@jef.delgado)
 

Graças ao seu trabalho nos últimos anos, Rincon Sapiência se estabeleceu como um dos maiores nomes do Rap brasileiro e tem como forte característica sua sonoridade tão única, que muitas vezes traz elementos bem fora do que estamos acostumados a ver e ouvir no gênero.

Em seu novo lançamento, “Cotidiano”, não é diferente. A primeira canção do cara em 2021 chega com uma mistura única de Funk e Rap — algo que ele já fez anteriormente, mas não dessa forma — e mostra que Rincon ainda tem muito a entregar musicalmente e liricamente. Em entrevista exclusiva ao TMDQA!, aliás, ele explicou a ideia de usar o Funk como ferramenta para sua mensagem no momento:

É um som que está acontecendo. O andamento, o tipo de letra falando sobre superação e coisas do tipo, uma narrativa da periferia… é um som que tem rolado e é bem interessante.

É uma linguagem que é chamada de ‘Funk consciente’, que tem trazido muito esse lance da quebrada. São coisas que a gente sempre fez no Rap, sempre falou, mas o momento do Funk é de valorização do discurso, do texto, do que tá sendo dito.

O Funk pisa em vários lugares. Ele pode ser muito festivo, ele pode ser muito sentimental, trazer esse lance de superação, uma série de coisas. Ele propõe coisas com as quais a quebrada se identifica, no que diz respeito ao discurso, ao ritmo, ao uso de percussão, à dança… ele dá espaço para várias sensações.

No papo, Rincon também reforçou a importância de usar as referências que são entendidas pelas pessoas que devem ser impactadas pela canção:

Eu sempre narrei o cotidiano das periferias, mas o momento musical me deu abertura pra retomar esse tipo de estética e de discurso. Eu sei que o pessoal gosta muito de moto, tá nos anseios do progresso de muitas pessoas. Então, você acaba colocando uma moto de referência. Você sabe que se escuta muito Funk, então às vezes você coloca isso pra trazer proximidade com os nossos iguais. O bololô, o próprio ruído da moto, são sons que dão essa narrativa sobre superação — avançar, ‘meter marcha’.

“Cotidiano”

Outro grande destaque de “Cotidiano” é o clipe, que tenta mostrar o resultado de toda essa superação — mas “não de uma forma apelativa”, diz Rincon. Ele explica que é importante mostrar como a música pode ser um caminho para alcançar aquilo que se almeja, como ele mesmo diz ao cantar que “quando não conseguia rir, me peguei rimando”:

A ideia é falar desses acessos que a gente tá tendo, de ir a um restaurante, por exemplo, ou de vestir um determinado kit, de um jeito que não soe raso e cative as pessoas a entenderam que houve um trajeto para isso acontecer.

É poder se sentir mais empoderado e poder dar uma mensagem de força. Essa ideia de ‘quando eu não conseguia rir, eu me peguei rimando’ é isso; até isso acontecer, até eu viver essa realidade de poder acessar tais coisas e vestir tais coisas, houve uma trajetória e nada foi fácil nela, mas eu consegui não ter desvios e manter o foco no que eu acreditava: as rimas, a música.

“Cotidiano” é, acima de tudo, apenas o começo do ano de 2021 para Rincon Sapiência. O músico revelou que encontrou uma empolgação para mergulhar no trabalho mais uma vez recentemente e promete um material “massivo” nos próximos tempos, sempre trazendo o seu som inovador e dançante.

Por enquanto, você pode ouvir o novo single e curtir o clipe logo abaixo. Vale destacar que, ao invés do próprio Rincon assinar a produção como é de costume, a canção foi produzida por Oldila — algo que o artista destaca como sendo responsável por uma mudança significativa em sua sonoridade.

 
 
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