Amy Lee, do Evanescence
Foto via Wikimedia Commons
   

Nos últimos dias, o Evanescence finalmente lançou seu aguardado novo disco The Bitter Truth.

Considerado por muitos o melhor desde a estreia do grupo em Fallen, o álbum veio acompanhado de uma série de desabafos da vocalista Amy Lee, que revelou em diversas entrevistas algumas das dificuldades que enfrentou durante sua trajetória em meio a uma indústria musical sexista e machista.

Algum tempo antes do lançamento do disco, nós aqui no TMDQA! tivemos o prazer de conversar com Amy e falamos justamente sobre toda a questão que envolve “Bring Me to Life”. O maior sucesso da banda tem a participação de Paul McCoy, do 12 Stones, mas isso não foi intencional por parte de Amy e companhia.

Segundo a vocalista, foi uma decisão da gravadora ter algo mais “familiar” e, como ela falou recentemente à Alt Press (via Rádio Rock), a ideia era que o Evanescence fosse algo como o “Linkin Park feminino”. No nosso papo, Amy elaborou sobre como havia uma desconfiança em relação à capacidade da banda sendo liderada por uma mulher na cena do Rock/Metal:

Olha, você vai me dar gatilho. [risos] Parte da nossa luta com a gravadora naquela época foi principalmente porque era a nossa primeira música, e eu não queria que as pessoas se confundissem e pensassem que havia dois vocalistas na banda ou algo do tipo.

Mas ao mesmo tempo, machucou porque eles estavam me dizendo basicamente, ‘Por mais que você seja ótima, as pessoas não vão te aceitar sozinha, a gente precisa fazer isso mastigável para dar às pessoas’. E eu discordava completamente e, sabe, o meio-termo foi ‘Bring Me to Life’. O que eles realmente queriam é que nós trouxéssemos uma pessoa para sempre, para estar em todas as músicas.

Ainda na conversa com o TMDQA!, Amy deixou claro que existe uma versão da música sem o feat de McCoy — parte do acordo, inclusive, era que a gravadora enviaria ambas para as rádios, que escolheriam qual tocar. Ela afirma que nunca ouviu a original, insinuando que a gravadora acabou nunca mandando a versão que ela preferia.

Amy Lee e desconfiança da indústria musical

Uma situação parecida que também foi abordada na nossa entrevista com a cantora foi com relação a “My Immortal”. A canção possui duas versões — uma apenas com Amy cantando e tocando, e uma com a banda inteira — e, segundo a cantora, era esta segunda que os membros preferiam.

No entanto, ela cita que houve um caso de “demoíte” (quando alguém se apega demais a uma demo) por parte da gravadora, contrariando a banda e fazendo com que a versão simplificada fosse a mais popular:

A gente tinha uma demo da música que eu cantei quando eu tinha tipo 19 anos, e era ok, mas não era ótima. Eu não estava sendo produzida nem nada assim, e a gente fez por conta própria, o piano nem era um piano de verdade, era um piano elétrico que parecia um piano.

[Mas] eles realmente queriam aquela performance vocal, apesar de que a gente fez muito melhor — eu sei que a gente fez melhor, muito melhor. Aquela versão com a banda completa, as cordas do Dave Campbell e tudo mais… é superior! Mas eles queriam aquela outra tanto que a gente teve que colocar duas no álbum. Teve a versão deles, que eles colocaram umas cordas e usaram na trilha sonora de Demolidor, e eu fico com vergonha alheia toda vez que ouço. E é a que eu mais ouço. [risos] Toda vez que estou no mercado e toca eu penso, ‘Opa, olha aí minha demo’. [risos]

E aí tem a nossa versão que é bela, tem a banda entrando, então todo mundo se sente parte, sabe? É só uma daquelas coisas que, quando você está fazendo seu primeiro álbum, você aprende. E muito. E durante toda essa caminhada — hoje em dia não tanto — você tem que lutar pela sua arte, você realmente tem. Especialmente quando você é muito nova.

Você pode conferir esse papo na íntegra por aqui.

   
 
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