Lost Horizons
Simon Raymonde e Richie Thomas da Lost Horizons
 

Muitas vezes é difícil dar conta de tantos gêneros, subgêneros, movimentos e tendências musicais. A coisa ficou mais complicada (ou mais interessante!) depois do surgimento do pós-punk, que deu origem ao rock alternativo. Ou melhor, à magia do rock alternativo.

E é mágico mesmo ver quanta sonoridade diferente surgiu nesse período, de longe, um dos mais prolíficos da música. Estamos falando do começo dos anos 80 em diante e das sonoridades do shoegaze, neopsicodelia, indie rock e de vários pops: twee pop, jangle pop, dream pop, indie pop, power pop (dos anos 90). Haja pop!

Para você não perder nada de novo sobre tudo isso, selecionamos três discos que são a cara do rock alternativo em 2021.

 

The Pivettas – Nowhere Guide

The Pivettas é, antes de tudo, uma delícia. A banda é de Berlim, existe desde 2019, e combina diferentes gêneros e referências. Nowhere Guide, lançado no último dia 24, marca o primeiro álbum da banda e é dono de uma tristeza linda, com letras introspectivas e ótimas influências.

O disco tem de tudo: um pouco do caos do shoegaze; guitarras entre o jangle e o twee pop; uma linha de baixo sólida, que contrasta muito bem; um arranjo melódico, que deixaria Hope Sandoval orgulhosa; e uma dupla de vocais suaves e etéreos, meio à Ringo Deathstar. The Pivettas é elegante e ao mesmo nebuloso, capaz de criar uma viagem em cada uma das 13 faixas. É possível encontrar ali um pouco de DIIV, Alvvays, Cigarretes After Sex e Real Estate. Tudo isso sem deixar de notar a autenticidade da banda alemã.

 

Lost Horizons – In Quiet Moments

Talvez Treasure, lançado pelo Cocteau Twins em 1984, seja um dos grandes representantes dos novos gêneros que surgiram no período pós-punk. O baixo desse disco importantíssimo ficou a cargo de Simon Raymonde, um dos fundadores da Lost Horizons.

O outro nome por trás é Richie Thomas, que fazia parte da Dif Juz, banda inglesa de pós-punk instrumental que tocou de 80 a 86. A ligação entre os dois começou nessa década, já que tanto a Cocteau quanto a Dif Juz faziam parte da 4AD, importante gravadora londrina.

Os dois músicos estavam parados há 20 anos quando se encontraram para trabalhar no álbum de estreia da Lost Horizons, Ojalá, em 2017. Quatro anos depois, eles lançam In Quiet Moments, que saiu dia 26 de fevereiro e é inspirado na catástrofe de 2020.

A divisão ficou assim: Raymonde no baixo, guitarras e teclados e Thomas na bateria e, eventualmente, nos teclados e guitarras extras. Gravado nos estúdios Bella Union, em East London, o disco se mostra com uma psicodelia lenta, abusa dos pianos e sintetizadores, utiliza metais pontuais e cria uma espécie de groove obscuro. Ou, o tão conhecido climão.

É possível notar traços de dream pop e lo-fi, em uma instrumentação suave e embalada em muita melancolia. Obrigatório para quem defende o This Mortal Coil ou o próprio Cocteau Twins.

 

Radio Supernova – Takaisin

Há muito tempo já não é novidade que bandas boas de rock alternativo não se resumem a Estados Unidos e Reino Unido.

The Radio Dept. (Suécia), Motorama (Rússia), M83 (França), The Whitest Boy Alive (Alemanha) e, claro, Terno Rei, Gordutrans, Justine Never Knew The Rules, Wry, Loomer e Lava Divers (Brasil), provam isso.

A questão é que a maioria dessas bandas canta em inglês, já que outros idiomas podem ser uma barreira para muita gente. Se é o seu caso, Radio Supernova é uma ótima oportunidade para mudar isso.

A banda e a vocalista Inkeri Riikonen são da Finlândia e todas as oito faixas do disco são cantadas em finlandês. Radio Supernova é puro shoegaze. Takaisin, lançado dia 15 de janeiro, tem uma musicalidade incrível, com linhas de guitarra brilhantes, riffs suaves, sintetizadores em peso e um vocal distante e etéreo. Tudo isso com um ruído harmônico e melódico por trás. Verdadeiro caos bonito!

Quanto ao idioma, coloque a banda na caixinha de Sigur Rós (Islândia), Wir sind Helden (Alemanha), Kino (Rússia) e Boris (Japão).