Eddie Van Halen
Reprodução/YouTube
   

A curtíssima “Eruption” tem apenas 1 minuto e 42 segundos de duração e, mesmo assim, seria capaz de englobar praticamente 5 vezes a homenagem que o Grammy fez a Eddie Van Halen.

Durante a 63ª cerimônia da indústria musical que aconteceu neste domingo (14), o lendário guitarrista esteve no segmento In Memoriam ao lado de nomes como MF Doom, Pop SmokeCharlie Daniels e outros, mas não ganhou uma performance em tributo ao seu legado gigantesco.

Ao contrário de Kenny RogersLittle Richard John Prine — três gigantes da música, sem dúvida alguma —, Eddie parece não ter sido considerado importante o suficiente pela Academia para receber mais do que um simples vídeo de uma guitarra abandonada enquanto uma gravação de arquivo de “Eruption” rolava ao fundo.

As críticas surgiram por todo lado na internet, mas chamou a atenção a fala de Gary Cherone, ex-vocalista do Van Halen:

Talvez um Artista que reimaginou como alguém toca um instrumento, que continua a influenciar gerações de músicos e literalmente mudou o curso do Rock and Roll merece mais do que quinze segundos [sic] nos Grammys?

Na mesma linha, o radialista Eddie Trunk citou “novos níveis de vergonha & desrespeito” em relação à premiação por conta desse vexame, dando ainda sugestões de possíveis programações que poderiam ter sido feitas para homenagear o cara:

Então em um programa de mais de 3 horas, com 5 meses para preparar, isso é tudo que os #GRAMMYS puderam fazer para um dos artistas mais impactantes e icônicos da história da música… eles chegaram a novos níveis de vergonha & desrespeito. Eu estou sem palavras.

Quão difícil teria sido trazer um guitarrista para mandar ‘Eruption’? Claro que o principal cara do Rock não recebe homenagem… Claro! Ou trouxesse o Wolfgang Van Halen para tocar ‘Distance’, uma CANÇÃO DE ROCK #1!! Fundo do poço. Estou enojado para além de palavras. Bom ver que suas prioridades de programação estão no lugar esperado. Ninguém nem disse seu nome! INSANO!

Ainda que a fala de Trunk seja um pouco passional demais no contexto, o cara não está errado: com todo o legado de Eddie Van Halen, tanto dentro do Rock quanto fora dele, beira o inaceitável uma premiação da dimensão do Grammy não tratá-lo como a lenda que foi.

Guitarrista do Living Colour, o ótimo Vernon Reid foi outro a tratar do assunto e fazer sua reclamação compartilhando um Tweet que exaltava os outros tributos da noite, todos bastante merecidos, mas novamente questionava o motivo de não dar o mesmo tratamento a Eddie.

Quem esperava alguma lição depois do vexame da premiação com The Weeknd, é melhor tirar o cavalinho da chuva. Pelo visto, a tendência é piorar e tratar a música cada vez mais como indústria e menos como arte.

   
 
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