Epica
Foto: Divulgação
Ouça a nova música de Juliah!    

Por Julia Ourique

Foi uma seca de cinco anos sem novos discos do Epica. Como fãs, ficávamos felizes pelo período sabático, mas ao mesmo tempo, foram 59 meses sem a emoção de conhecer os novos mundos criados a cada disco da banda de metal sinfônico. Esse período triste acabou: Omega, o oitavo disco dos holandeses é um primor!

Com 12 faixas, incluindo a aguardada continuação de “Kingdom of Heaven”, é um aceno para os fãs antigos, como a que vos escreve, e também uma amostra de que a banda segue carregando o gênero que mistura metal e sinfonia nas costas.

A banda formada por Simone Simons (voz), Mark Jansen (guitarra e gutural), Isaac Delahaye (guitarra), Coen Janssen (sintetizadores e piano), Ariën Van Weesenbeek (bateria) e Rob Van Der Loo (baixo) também estava ansiosa.

Prova disso é que no dia 26 de fevereiro de 2021, data de lançamento do Omega, eles também apresentaram o clipe “The Skeleton Key” e deram dois presentes especiais para os brasileiros: a turnê chamada de “Ωmega BrasileirΩ” e a loja pop up na Galeria do Rock com produtos exclusivos.

Conversamos com exclusividade com a vocalista, Simone Simons, que nos atendeu em uma noite de sexta-feira com muito bom humor. Falamos sobre o novo disco, nova turnê, e velhos hábitos: assistir a filmes de terror para relaxar. Confira.

Tenho Mais Discos Que Amigos!: O disco Omega foi lançado há menos de uma semana e já está em 2º lugar no iTunes no Brasil, e em 3º lugar no mundo. Então deixe-me perguntar: como você está percebendo esta recepção do álbum?

Simone Simons: É algo legal para a gravadora, para medir a venda dos álbuns. Mas para mim, a recepção dos fãs é tão importante quanto, ou até mais importante. O retorno direto que temos dos fãs tem sido positivo, aconchegante, é bem legal ouvir que nossa arte é ótima. Os fãs entram em contato nas redes sociais e elogiam o álbum, isso é mais importante do que os charts. Ter a troca com os fãs, e em como a música está sendo recebida, é o que importa.

TMDQA!: A ideia da luta entre a luz e a escuridão é bem presente em Omega, como você já afirmou em entrevistas anteriores. E algumas canções da discografia do Epica me deixam pensando sobre a política no mundo, e em como algumas pessoas da “escuridão” podem oprimir tantas pessoas “iluminadas”. Em como a ciência tem sido desacreditada. Como a política e a louca realidade que vivemos afeta a música do Epica?

Simone Simons: Nos inspiramos nas nossas vidas pessoais, mas também no que acontece na sociedade. Nós temos falado sobre assuntos como política, religião, e eu acredito que esse álbum, em particular, é mais espiritual e traz a continuação da trilogia “Kingdom of Heaven”, que fala sobre ciência e religião. Sobre ter que nos reunir para encontrar o verdadeiro significado da vida. E o que estiver acontecendo na sociedade também vai aparecer nas letras do álbum. Eu tenho certeza que os efeitos da sociedade que vivemos agora, a pandemia e tal, também vão retornar no futuro nos álbuns do Epica. Por enquanto, a pandemia nos atingiu bem no fim da composição do álbum, e dois assuntos que trabalhamos recentemente são o aquecimento global e outro tema interessante que é uma técnica chamada CRISPR, em que cientistas podem “cortar e colar” o DNA e mudar o DNA humano e criar algo como “super-humanos”. Estes são assuntos que estão vindo ou passando pelo álbum.

TMDQA!: E como você mantém a esperança em épocas difíceis como esta?

Simone Simons: Acredito que com a música. Música e família são minhas inspirações. São a minha fonte de esperança. E o fato de que eu ainda estou saudável e estou bem. Nós temos o novo álbum que foi lançado e está sendo recebido positivamente. A vida flui e tem altos e baixos, e as coisas vão melhorar eventualmente. Está demorando muito, e tem um ditado que diz ‘a esperança é a última que morre’ e eu concordo com isso, me mantenho esperançosa. Mas isso não quer dizer que eu não tenho dias ruins, ou me sentindo uma bosta, eu também tenho esses dias! (risos).

TMDQA!: Vamos falar sobre a turnê “Omega Brasileiro”. O Epica está cada vez mais se tornando abrasileirado. A turnê por tantas cidades, a loja em São Paulo. Como surgiu essa ideia?

Simone Simons: Na verdade eu não sei como o pop up shop surgiu. Com certeza é uma iniciativa da gravadora e dos empresários. Eu acho uma ideia legal, o Epica está indo muito bem no Brasil e nós amamos ir para aí. E com o objetivo de oferecer algo especial para estes tempos difíceis, é na verdade uma boa ideia criar essa loja. Eu vi algumas fotos, está muito legal, eu mal posso esperar para ver as fotos dos fãs comprando lá! Mas claro, pode acabar ninguém indo (risos). Mas eu espero realmente que os fãs vão! (risos)

TMDQA: Bem, é chato ter que dizer isso, mas no Brasil não temos uma administração correta da crise da pandemia. E a gente nem sabe se estaremos vacinados em dezembro, quando a turnê chega aqui. Então, como é planejar uma turnê mundial durante uma pandemia?

Simone Simons: É difícil! Nós originalmente queríamos lançar o álbum em setembro de 2020, e fazer a turnê em outubro. Nós estávamos cheios de expectativas. Mas então tivemos que adiar o lançamento do disco, e a turnê de novo e de novo, porém mantivemos a data do lançamento do álbum, pois queríamos colocar as músicas no mundo. Eu acho que a música é como um amigo, ela oferece a você paz e esperança, te torna mais forte e realça todas as suas emoções. Planejar uma turnê é difícil, algumas datas já estavam marcadas, mas então tivemos que adiar e cancelar outras. É algo que pensei que poderia acontecer, e ficamos desapontados. Todos nós estávamos bem ansiosos para voltar ao palco, mesmo antes de começar a gravar o álbum, quanto tivemos o sabático. Tivemos bem poucos shows, e já estávamos prontos para levar Omega para a estrada, mas tivemos que mostrar para o mundo que nós somos bastante pacientes! (risos). É difícil planejar, mas nós tentamos planejar o máximo que pudemos, mas também temos em mente de que pode ser adiado novamente.

TMDQA: Falei com a sua equipe que o Omega para os fãs do Epica é como o Chromatica, da Lady Gaga, para os fãs do pop. É um marco na carreira da banda e nós queremos aproveitá-lo ao vivo, quando tivermos a oportunidade.

Simone Simons: Todo disco é um marco. Especialmente após ter um longo período sem lançar. Normalmente, entre os álbuns nós temos entre dois e três anos – o que é, na verdade, uma rotina louca se você pensar sobre isso. Para o Holographic Principle nós tivemos essa enorme turnê mundial e todos estávamos muito cansados de fazer shows e lançar álbuns nesta pressa toda. Então tirar um tempo de turnês, escrever a nossa biografia e então voltar para a estrada – na verdade só fizemos uma dúzia de shows – mas nos fez apreciar fazer shows novamente. E nos sentimos inspirados. O álbum Omega é muito honesto, é muito espiritualizado, pessoal e originalmente nós queríamos lançá-lo em setembro, e quando isso não pôde acontecer foi decepcionante. Como você disse, é um marco, estávamos orgulhosos do disco e queríamos que todos ouvissem e cantassem junto! E toda vez que eu ouvia o álbum eu sentia algo agridoce, eu estava feliz, estava orgulhosa, e como resultado, sabendo no fundo que o álbum seria lançado muito depois do que queríamos, a turnê ia demorar ainda mais e foram simplesmente, muitas decepções. E nós achamos que Omega é o melhor trabalho que fizemos até agora e merece ser tocado no palco, mas não podemos fazer isso pelo álbum.

TMDQA: Inclusive, parabéns pelo videoclipe de “The Skeleton Key”, que já é a música mais ouvida do álbum no Spotify. Sobre a canção, todos sabem que você é frequentemente inspirada por filmes quando compõe uma canção. Então, esta música é relacionada ao filme de terror lançado em 2005, chamado The Skeleton Key (A Chave Mestra)?

Simone Simons: Não, não mesmo (risos). Mas eu conheço o filme e já assisti a ele duas vezes. E acho que é um ótimo filme! Mas o título da música tem mais um significado simbólico, não é algo literal, como a chave de esqueleto que abre todas as portas, é mais como uma metáfora. A música e a letra foram escritas pelo Rob e o título anteriormente era “Inception”.

TMDQA: Tal como outro filme!

Simone Simons: Sim, como o filme, mas não o The Skeleton Key (risos). O filme Inception que eu amo os atores, amo a trilha sonora, e o próprio filme. Mas sim, eu peguei inspiração pela história do filme, que todos nós, quando dormimos, podemos mergulhar em camadas diferentes de nossos sonhos. E basicamente somos os mestres da nossa própria mente e podemos decidir o que queremos ver, ou não. Então, você segura a chave de esqueleto para as portas dentro de você.

TMDQA!: E por falar em filmes de terror, eu também sei que você é uma fã do gênero, principalmente da franquia “Alien”. Você até chegou a dizer em entrevista que é um filme que te relaxa antes de dormir. Você pode me contar quais filmes são a sua melhor companhia recentemente?

Simone Simons: Eu ainda amo assistir à franquia de “Alien”. Porque eu amo todos, mas os dois primeiros, eles são tão pacíficos, de alguma maneira. Claro, tem ação, tem os aliens, mas eu gosto do sentimento solitário, de estar no espaço, e estar longe de todos os problemas do mundo. E eu amo a Sigourney Weaver, ela é uma atriz maravilhosa! Eu amo ficção científica, amo aliens, e sei lá. Conheço a franquia desde que era criança, eu tenho os filmes em DVD, comprei eles também em formato iTunes, para tê-los sempre comigo. Até mesmo comprei os filmes “Covenant” e “Prometheus” e assisti a todos eles milhões de vezes na Netflix também. Eu sou muito fã de Alien, acho que é muito bem feito. Mas outros filmes que eu gosto são “Event Horizon” (O Enigma do Horizonte), filmes do Guillermo del Toro, “Crimson Peak” (A Colina Escarlate), “Pan’s Labyrinth” (O Labirinto do Fauno), “Hellboy”; Todos os filmes do Tim Burton, também gosto. Eu simplesmente amo filmes, sempre amei e sempre vou amar.

TMDQA: O álbum Omega é bastante cinemático nas letras. Pode ser que o seu amor pelos filmes fez com que isso se refletisse nas canções?

Simone Simons: Sim, às vezes eu pego inspiração em filmes. Musicalmente, eu sei que o Cohen, o Rob, o Mark, também são muito fãs do cinema. E eu realmente acho que a música de Omega soa cinemática. Se eu tivesse que descrever o som do Epica seria chamado de “Cinemetal” (risos). Porque tem algumas músicas, como “Kingdom of Heaven”, “Code of Life”, estas canções tem tanto potencial de trilha sonora que elas poderiam ser facilmente usadas por um grande filme hollywoodiano (risos). Eu estou esperando pelo telefonema! (risos).

TMDQA!: Estamos chegando ao fim da entrevista, você tem visto os memes do Omega que os fãs brasileiros estão compartilhando nas redes sociais?

Simone Simons: Eu vejo quando as pessoas me taguearam no Instagram, e eu reposto os memes. Como os que surgiram com o vídeo de “The Skeleton Key” e “Abyss of Time” , mas eu não vejo tudo, obviamente. Mas as pessoas são criativas, isso com certeza! (risos).

[Nota da editora: Mostrei os melhores memes para ela, e o que ela mais gostou foi o do cãozinho triste, pensando sobre os shows da Tarja, do Nightwish e do Epica, que estão marcados para este ano no Brasil.]

Meme o Epica, Nighwish e Tarja
TMDQA!: Por fim, eu quero te agradecer pela entrevista. Esta conversa será publicada no site chamado Tenho Mais Discos Que Amigos. Então eu tenho que te perguntar: Você tem mais discos que amigos?

Simone Simons: Eu acho que sim, tenho alguns bons amigos. Na verdade, eu tenho mais filmes do que tenho discos. Ou mais livros do que tenho discos. Eu basicamente coleciono meus próprios discos do Epica, em formato físico. E alguns de meus álbuns nostálgicos, e todos os outros eu ouço digitalmente. É, eu acho que tenho mais discos que amigos. Mas eu prefiro ter mais bons amigos do que ter semi-amigos, se você entende o que quero dizer.

TMDQA!: Que álbum é como um bom amigo para você? Pode ser mais do que um.

Simone Simons: Os álbuns do Epica são meus amigos (risos).

TMDQA: Que coincidência! São meus amigos, também! (risos)