Conhecer novas bandas é sempre um momento mágico para os fãs de música de forma geral.

Muitas vezes, entretanto, acabamos limitados a alguns poucos países quando se trata disso — majoritariamente Estados Unidos e Reino Unido, além do Brasil, é claro. É pensando nisso que nós aqui no TMDQA! resolvemos selecionar 30 bandas e artistas que você precisa conhecer e que vêm de 30 países diferentes entre si.

Isso não significa que esses grupos sejam necessariamente novos; alguns têm anos e anos de história, mas de uma forma ou de outra continuam relevantes e fazem um som sensacional. Obviamente, também não quer dizer que sejam os únicos: a missão de escolher apenas uma representante de cada não foi simples.

Também optamos por não colocar nenhuma banda do Brasil — afinal de contas, diariamente atualizamos a nossa coluna de música nacional com tantas novidades excelentes e, portanto, seria injusto escolher apenas um artista em meio a todos.

Alemanha: Cro

Cro

Conhecido por seu visual misterioso que envolve usar uma máscara de panda, Cro é um ótimo exemplo do que o Pop alemão (muitas vezes deixado em segundo plano para favorecer o Rock do país) tem para oferecer.

Como grande parte dos artistas do estilo por lá, apresenta uma forte influência do Rap mas ao mesmo tempo não abandona a organicidade de instrumentos tradicionais — no fim das contas, vira uma mistura sensacional de música radiofônica com elementos de Rap, Rock e até eletrônico.

Angola: Titica

Titica

Titica não é apenas uma grande artista. Ela é também a primeira a se assumir transexual em Angola e, apesar do medo que veio com isso, superou diversas barreiras e restrições para se transformar em um ícone da comunidade LGBTI+ em todo o continente africano e, por que não, no mundo.

Aqui no Brasil ela já marcou presença forte, se tornando bem conhecida principalmente depois de parcerias com BaianaSystem (em “Capim Guiné”) e Pabllo Vittar (em “Come e Baza”). Excelente pedida para quem quer conhecer o kuduro em uma abordagem mais moderna!

Argentina: Loli Molina

Loli Molina
Foto por Humberto Muñiz

Há muitos e muitas artistas sensacionais na Argentina com os quais o público brasileiro já é familiar. Justamente por isso, buscamos alguém que não fosse tão conhecida assim por aqui e encontramos Loli Molina.

A cantora hoje está radicada no México mas suas raízes no país sul-americano justificam nossa escolha, bem como a sua excelente sonoridade que adiciona um elemento intimista e quase de afago ao Folk. Ótima para deixar rolando e viajar pensando na vida.

Austrália: Amyl and the Sniffers

Amyl and the Sniffers

Que tal um pouco de Punk Rock? Considerado grande referência da onda mais recente do gênero, o Amyl and the Sniffers veio da Austrália para o mundo e vai conquistando público ao redor de todo o globo com uma mistura do Punk mais tradicional e o Garage Rock que, de certa forma, inspirou o surgimento do gênero.

O grupo é um dos mais recentes dessa seleção, tendo apenas um disco de estúdio lançado por enquanto mas já mostrando que o futuro está em suas mãos.

Bélgica: Angèle

Angèle

Mais conhecida por cantar ao lado de Dua Lipa em “Fever”, Angèle merece demais uma atenção especial para a sua carreira solo.

A belga estreou em 2018 com o excelente disco Brol e apresentou belíssimos arranjos que valorizam sua voz — a qual definitivamente não foi escolhida à toa por Dua — e resultam em canções que soam como hinos do Pop moderno, dançantes e agradáveis.

Bielorrússia: Molchat Doma

Molchat Doma

Molchat Doma tem uma daquelas histórias que só a internet proporciona: um usuário do YouTube subiu as músicas do trio bielorrusso na plataforma junto a diversos outros nomes do Post-Punk e logo os caras se destacaram, ganhando uma fama bem incomum para um grupo que canta na sua língua mãe e não se preocupa nem em traduzir os títulos de suas canções.

O sucesso orgânico não veio à toa, afinal de contas é como se a banda tivesse saído diretamente do porão do Joy Division para alegrar os saudosistas do gênero.

Canadá: The Weather Station

The Weather Station

O Canadá também nos oferece diversas opções mas é sempre bom falar de quem está em alta neste momento.

The Weather Station é um projeto liderado por Tamara Lindeman que entrega um som unindo Folk, Pop, Indie, Rock e música experimental. Soa quase como um “Radiohead do interior” e o recém-chegado disco Ignorance é uma excelente porta de entrada.

Chile: Ana Tijoux

Ana Tijoux

Nascida na França, Ana Tijoux acabou indo parar no Chile e por lá fez parte do grupo de Hip Hop Makiza nos anos 90. Desde 2007, segue carreira solo e fez seu nome como uma das maiores representantes do gênero no país.

Por aqui, já participou até de live com Emicida e acabou se tornando relativamente conhecida. Ainda assim, não podíamos deixar de espalhar a mensagem tão importante dessa mulher sensacional — como podemos ver abaixo em “Rebelión de Octubre”, faixa que homenageia os participantes das revoluções que ocorreram no nosso país vizinho recentemente.

Colômbia: Bomba Estéreo

Bomba Estéreo

Por enquanto, tentamos fugir dos estereótipos quando falamos de música latina. Mas, ao falar da Colômbia, não dá para não citar o Bomba Estéreo, duo que vem conquistando o mundo com sua “cumbia psicodélica” que traduz de forma moderna a sonoridade tradicional do país.

O resultado é um sucesso internacional notável, tanto aqui no Brasil quanto em outros lugares ao redor de todo o mundo. E definitivamente uma trilha sonora sensacional para um verão caliente.

Estados Unidos: Waxahatchee

Waxahatchee - Fire

Obviamente, há inúmeras opções vindas dos EUA e não faria sentido algum colocarmos aqui alguém que já está dominando as paradas. Por isso, escolhemos a Waxahatchee, que há algum tempo desponta como grande promessa da cena do país.

Outro fator para sua inclusão foi o fato de que a cantora tem uma sonoridade que remete bastante à Americana, gênero tradicional dos EUA que se liga ao Folk, ao Country e tantos outros. No caso, a grande sacada é entregar esse som de uma forma mais moderna e com influências adaptadas aos dias atuais.

Finlândia: Blind Channel

Blind Channel

Blind Channel é uma banda no mínimo curiosa. Os caras se descrevem como “Pop violento” e, de fato, o termo é ótimo: com riffs que lembram o Nu Metal e o Post-Hardcore, as melodias vocais ajudam a trazer o elemento Pop e a banda soa quase radiofônica ao mesmo tempo que é quase agressiva.

A canção “Dark Side”, aliás, foi escolhida para representar a Finlândia no Eurovision de 2021 — mostrando que, definitivamente, o país acredita no talento dos jovens músicos.

França: Woodkid

Woodkid

Bastante conhecido por seu trabalho como diretor com nomes como Katy PerryLana Del Rey e tantos outros, Woodkid também tem uma belíssima carreira musical que ganhou um capítulo espetacular em 2020 intitulado S16.

O trabalho do cara apresenta uma veia bem experimental e artística, evidente em canções como “Goliath” e “Horizons Into Battlegrounds”, mas também há um apelo Pop, em especial nas faixas do primeiro álbum (como o hit “Run Boy Run”). Definitivamente não é o primeiro nome a ser associado com a França, mas não podia ficar fora dessa seleção!

Holanda: Sevdaliza

Sevdaliza

Nascida no Irã e criada na Holanda, Sevdaliza entra representando o país europeu para abrir espaço para outro grupo (do qual falaremos em breve!). A cantora vem se destacando ao usar elementos da cultura persa em suas canções, que também trazem sons modernos e um Pop experimental (paradoxal, eu sei!) sensacional.

Ela já tinha chamado muita atenção com ISON em 2017, mas se elevou a outro nível com o excelente Shabrang em 2020 e, pelo visto, a tendência é de crescimento daqui pra frente.

Hong Kong: tfvsjs

tfvsjs

Apesar de não lançar nada desde 2016, o som instrumental do tfvsjs é uma excelente representação e até um ponto de entrada para quem quer conhecer o Math Rock. A banda de Hong Kong começou no Post-Hardcore mas, com o tempo, a pegada foi se alterando e atingiu um nível quase transcendental.

O último disco lançado pelos caras, 在 (Zoi), teve inclusive o envolvimento do japonês Mino Takaaki, que faz parte do toe, um dos grupos que mais são vistos como referência do gênero no mundo.

Indonésia: .Feast

.Feast

Formado por estudantes de ciências políticas e sociais na Indonésia, o .Feast faz jus ao passado dos integrantes e não economiza nas mensagens fortes em um país onde isso nem sempre é visto com bons olhos.

Para quem conseguir superar a barreira do idioma, o quinteto oferece um som que transita entre o Rock Progressivo e o Alternativo com maestria — e, com apenas dois álbuns de estúdio, ainda promete um futuro brilhante.

Irã: Arsames

Arsames, banda iraniana de Heavy Metal

Falando em mensagem política, o Arsames talvez seja o caso mais extremo disso por aqui. A banda apresenta um Metal pesadíssimo e tem uma carreira relativamente longa mas com poucos lançamentos por um motivo bem simples: sobrevivência.

No país do Oriente Médio, o Death Metal que eles tocam é considerado “satânico” e, portanto, é proibido e perseguido pelo governo. Isso era sabido pelos músicos e a paixão pela rebeldia da música pesada fez com que eles arriscassem de todo jeito. Os três integrantes fixos acabaram fugindo de lá.

Islândia: Ásgeir

Ásgeir

A Islândia é notável por produzir uma série de artistas reconhecidos mundialmente, mas ainda há alguns relativamente obscuros para serem descobertos por lá — como o excelente Ásgeir.

O cara até conseguiu um hit com “King and Cross” mas sua carreira vai muito além disso, trazendo uma sonoridade bem única que une o Folk com elementos eletrônicos e ainda traz uma pegada Pop para ser a cereja do bolo.

Itália: MEDUZA

MEDUZA

Tem espaço para o House aqui também! O trio MEDUZA vem da Itália e colocá-los aqui é mais um reconhecimento do que uma recomendação, necessariamente: praticamente todos os lançamentos dos produtores até agora foram gigantescos hits para quem acompanha minimamente a cena.

Eles despontaram com “Piece of Your Heart” e mais recentemente expandiram o sucesso com “Paradise”, parceria com Dermot Kennedy. Pelo visto, o futuro na “Velha Bota” é dançante!

Japão: Ichiko Aoba

Ichiko Aoba

Também é difícil escolher apenas um artista do Japão com tantas opções de tantos gêneros diferentes, mas Ichiko Aoba está em um nível à parte.

A cantora usa influências que vão desde a nossa Bossa Nova até o Folk dos EUA de uma forma belíssima, tratando até mesmo a própria voz como um instrumento melódico de modo que até quem se incomoda com uma língua estrangeira não vai conseguir desgostar.

México: Rey Pila

Rey Pila

Também tentando fugir dos estereótipos, o Rey Pila é uma escolha quase natural quando se trata do México. Com um Indie Rock de fazer inveja em muita banda que tem o inglês como língua nativa, os caras já acumulam três discos de estúdios recheados de hits.

Ainda assim, muita gente por aqui está dando mole e nunca nem ouviu falar do trabalho dos mexicanos. Está na hora de resolver isso!

Mongólia: The Hu

The Hu

Sensação dos últimos tempos, o The Hu faz um trabalho sensacional de ressignificar o canto tradicional da Mongólia em um contexto de Heavy Metal.

O grupo ganhou uma enorme notoriedade por sua capacidade de unir esses mundos que parecem tão diferentes mas, na verdade, acabam sendo bem similares. Tanto é que eles estavam confirmados no Lollapalooza Brasil de 2020, onde certamente seriam uma daquelas atrações que quem não conhece ficaria no mínimo intrigado.

Noruega: girl in red

girl in red

Extremamente elogiada por seu talento como compositora e como ativista da causa LGBTI+, o projeto girl in red da norueguesa Marie Ulven conquistou inúmeros corações ao redor do mundo com suas canções cheia de sinceridade, amor e representatividade.

Apesar de já ser bem conhecida, ela vai lançar seu primeiro disco cheio ainda em 2021 e portanto não podíamos deixar de recomendá-la por aqui — ainda que o país escandinavo tenha tantos outros representantes em diversos gêneros.

Nova Zelândia: BENEE

BENEE

Nova queridinha do Pop mundial depois do sucesso “Supalonely” despontar no TikTok, a neozelandesa BENEE tem se mostrado uma das poucas artistas capazes de sustentar a fama que parece tão efêmera quando vem nas redes sociais.

Isso só tem acontecido graças ao seu talento — em seu disco de estreia Hey U X, ela deixou bem claro que não vai ser um one-hit wonder, um daqueles fenômenos de apenas um sucesso durante a carreira. E certamente vem mais coisa boa por aí!

Polônia: Behemoth

Behemoth em São Paulo
Foto: Fernando Pires (via Liberation MC)

Definitivamente uma das bandas mais antigas e estabelecidas dessa lista, o Behemoth é referência mundial quando o assunto é Metal extremo. Nos anos mais recentes, aliás, os caras têm conseguido expandir cada vez mais a sua sonoridade e transformá-la em algo totalmente único que até aqueles que não curtem o gênero conseguem apreciar.

A importância de lembrar que eles são poloneses está nas implicações religiosas disso. O país é conhecido por seu forte viés conservador e cristão e, portanto, o grupo constantemente se arrisca ao profanar símbolos e escrituras — tanto que o frontman Adam “Nergal” Darski está brigando com a Justiça por ter “ofendido sentimentos religiosos”.

Porto Rico: Epilogio

Epilogio

Diretamente de Porto Rico, o Epilogio apresenta uma sonoridade bem sensacional. Dá para compará-los com diversos outros grupos do Rock Psicodélico ou até do “New Jazz”, por assim dizer, mas tudo isso seria injusto com a capacidade dos caras de transitar entre tantas nuances sonoras diferentes.

O mais legal de tudo é que grande parte das gravações deles são feitas ao vivo e mostram que o som é bem orgânico, apesar de soar plástico em alguns momentos. Fantástico!

Portugal: Julinho KSD

Julinho Ksd

A cena do Rap em Portugal é mais forte do que muitos imaginam e Julinho KSD é, sem dúvidas, um excelente representante. É sensacional a forma como ele consegue unir três idiomas — Crioulo, Português e Inglês — em suas canções enquanto cria melodias espetaculares de voz que fazem invejas a muitos rappers de fama mundial.

Mais do que isso, esse recurso impressionante cria um ritmo bem característico no seu flow que contribui para tornar suas faixas ainda mais únicas.

Reino Unido: Black Country, New Road

Black Country, New Road

Novos queridinhos do Rock britânico, o Black Country, New Road se destaca ao quebrar todas as barreiras possíveis quando fala-se da sonoridade tradicional do Rock — só para se ter uma noção, o grupo conta com um saxofonista e uma violinista entre seus integrantes.

O resultado é definitivamente experimental, mas também traz elementos do Indie, do Post-Punk e de tantos outros gêneros que marcam a trajetória do Rock no país europeu. Um belo resumo de inúmeras influências, feito de um jeito totalmente único e promissor. O disco de estreia chegou há pouquíssimo tempo!

Senegal: Wasis Diop

Wasis Diop

Talvez um dos nomes mais conhecidos da música africana no mundo, Wasis Diop ganhou muita notoriedade por sua capacidade de mesclar o som tradicional do Senegal, seu país de origem, com elementos modernos do Pop e do Jazz.

O resultado é espetacular e, apesar de sua carreira ter surgido lá nos anos 90, o cara recentemente lançou a canção “Parler” — sua primeira em muito tempo — e mostrou que ainda está com tudo. Vale a pena conhecer.

Suécia: Normandie

Normandie

Com uma mistura espetacular de elementos Pop em um instrumental que vai do Post-Hardcore ao Nu Metal com facilidade, o Normandie é uma das boas surpresas da Suécia.

Mais conhecido pela sua cena de Metal pesado, o país nórdico tem recebido uma cena bem renovada nos últimos anos com essa pegada mais Alternativa e o grupo liderado pelo vocalista Philip Strand é um excelente exemplo disso. Prontíssimo para lotar estádios em qualquer lugar do mundo!

Taiwan: No Party for Cao Dong

No Party For Cao Dong

Por fim, mas definitivamente não menos importante, vamos até Taiwan para falar do No Party for Cao Dong. Quem teve a sorte de acompanhá-los no Rock in Rio de 2019 já deve saber que o quarteto é simplesmente fenomenal — mas se você não está nesse seleto grupo, vem com a gente.

Apresentando um som que pode ser caracterizado como um Indie Rock relativamente pesado (quase Indie Metal em alguns momentos, diríamos) com forte influência de elementos do Math Rock e do Post-Rock, o grupo também não abandona suas raízes e canta em seu idioma nativo, quebrando barreiras de linguagem para se manter relevante e atrair atenção mundial mesmo assim.

O disco de estreia 醜奴兒 chegou em 2016 e é apenas uma prévia de tudo que vem por aí. Um segundo trabalho seria lançado em 2020 mas foi adiado pela pandemia; quando tudo isso acabar, é certamente forte candidato a ser um dos destaques em qualquer ano que seja.