patricktor4
Foto por Diego Cruz
 

O DJ, produtor e radialista baiano Patricktor4 se juntou à cantora goiana Mel (ex-Banda Uó) para celebrar a dança como ato político em um momento de retrocessos. O resultado dessa parceria é a contagiante “Sou Como Eu Quiser“, que chegou recentemente às plataformas.

O single nasceu para as pistas. Com timbres influenciados pela new wave e teclados bem marcados, a música soa leve e divertida. A novidade é uma ode ao prazer e ao direito de cada um ser o que bem entender, e foi feita sob medida para a voz e o carisma de Mel – a primeira mulher trans a ocupar lugar de destaque na cena musical do país.

Em conversa com o TMDQA!, Patricktor4 fala sobre a importância de aproximar temas políticos e sociais de músicas dançantes e divertidas, e reafirma a necessidade de “respeitar o outro, defender o direito à vida, à dignidade e, também, à felicidade”.

Não acho que há como se fazer uma arte relevante sem comprometimento social e político. Sobretudo na voz de uma figura tão icônica de nossa música pop como a Mel, este nosso single traz com força a potência de um discurso acolhedor e afirmativo, dentro de uma leveza afetuosa, quase materna. A consciência social é fundamental para que possamos nos reconhecer na realidade em que estamos inseridos, mas tudo começa na consciência de nossos corpos, das nossa belezas e nossas capacidades. E ‘viver sem ter limite’ e ‘ser como quiser’ diz muito sobre essa liberdade comprometida e consciente.

Patricktor4 já havia trabalhado com Mel anteriormente, assinando a direção artística do single “A Partir de Hoje”, lançado pela artista no final de 2020. Sobre as parcerias, ele nos fala do orgulho em colaborar com uma das vanguardistas do pop brasileiro e destaca a importância de Mel para o resultado final de “Sou Como Eu Quiser”.

Sua interpretação amplifica o sentido da música, leva quem escuta a outro lugar, uma pista/trincheira de lutas, onde se libertar e se aceitar é a grande vitória nesta realidade de disputas que vivemos, com ou sem pandemia, em nosso mundo atual. Poucas pessoas poderiam afirmar com tanta verdade e segurança a letra dessa música e ainda assim soar onírica, como um hit disco da Donna Summer.

Patricktor4 passeia por gêneros do Norte e Nordeste e reconecta a pluralidade étnica da musicalidade brasileira a seus equivalentes pelo mundo. Seu single é mais uma aposta do CALOOR Record, selo que foca em artistas dessa nova tendência pop tropical e tem o DJ como diretor artístico.

 Foi o primeiro [lançamento], e ainda tem muitos outros, alguns inclusive já prontos, como a parceria com o artista pernambucano Ciel Santos, uma regravação de ‘Eu Também Quero Beijar’ [de Pepeu Gomes], com lançamento marcado para o dia 5 de Março.

Curta abaixo a deliciosa “Sou Como Eu Quiser”.

Acidental

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Foto por Gil Gonçalves

Em atividade desde 2015, o Acidental, projeto do músico catarinense Alexandre M., lançou uma série de EPs ao longo dos anos e agora se prepara para o seu primeiro álbum oficial, Objetos Arremessados Pela Janela, que será lançado ainda no primeiro semestre de 2021.

Recentemente, o músico divulgou sua própria versão para a música “Mesmo Que Mude“, da banda gaúcha Bidê ou Balde. De acordo com Alexandre, a ideia de gravar a canção surgiu quando ele decidiu que incluiria um cover no primeiro disco do Acidental.

Eu pensei em fazer uma versão mais lenta, mais espacial, pra uma música que gosto e que tanto ouvi ao longo desses anos. A Bidê ou Balde sempre soube unir o indie rock à música brasileira e isso é justamente o que venho tentando fazer desde os primeiros lançamentos do Acidental. Sempre me identifiquei muito com o estilo da banda e essa música, em especial, tem melodias de vozes lindas e uma letra que reflete um momento que muitos já passaram. É isso que eu procuro sempre em minhas músicas.

A proximidade com os integrantes da banda gaúcha também foi fator importante para a inclusão da faixa no disco. Alexandre agradece a “Chico Bretanha, produtor da Bidê ou Balde, e aos amigos e compositores Carlinhos Carneiro e Pilla por terem liberado a música”.

Produzido por Paulo Senoni, o single chegou acompanhado de um videoclipe, que tem direção assinada por Gil Gonçalves. Alexandre celebra o resultado e diz que o vídeo transmite perfeitamente as emoções contidas na interpretação do Acidental para “Mesmo Que Mude”:

Aquela ambiência espacial da música, com as imagens lentas de um dia tranquilo de uma pessoa que provavelmente está pensando em tudo aquilo que a letra diz.

Fernando Motta

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Foto por Arthur Lahoz

O músico e compositor mineiro Fernando Motta está preparando o lançamento de seu terceiro álbum de estúdio, intitulado Ensaio Para Destruir. A faixa escolhida para introduzir o trabalho foi “Tridimensional“, que estreou com videoclipe pelo projeto Radar Balaclava, da Balaclava Records.

Com produção de Vitor Brauer, o single é uma das faixas mais luminosas do novo trabalho de Fernando. A canção resgata uma vertente enérgica e harmoniosa do indie, com referências que transitam entre o twee/jangle, o dream pop e o slacker rock.

A temática de “Tridimensional”, por sua vez, não morre no título, mas perpassa pela letra e pelos efeitos sonoros e visuais. A música aborda diferentes percepções do mundo descolado da forma que estamos habituados a vê-lo. É, ao mesmo tempo, um convite para mergulhar no novo, no desconhecido, a partir de uma inquietação que é inerente a todos nós e que é percebida até mesmo no efeito da guitarra.

Nessa música, todas as coisas estão acontecendo/soando ao mesmo tempo. Nada dá licença pra outra coisa entrar. É uma música inquieta sobre a inquietação – que talvez seja o principal tema do disco.

Seguindo o mesmo conceito, o clipe é um mosaico de cores lo-fi surrealista, gravado em VHS e assinado por Gabriel Rolim. Colaboraram com o registro das imagens do video o artista mineiro Mafius e o próprio Fernando Motta.

Com lançamento previsto para o fim de março, Ensaio Pra Destruir contará com as participações de Apeles, João Viegas (Raça / Ombu) e Mafius. O trabalho tem produção de Vitor Brauer.

Assista abaixo ao clipe de “Tridimensional”.