SG Lewis
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Para muita gente, a Disco morreu há muito tempo. Definitivamente, SG Lewis não é uma dessas pessoas.

Isso não significa que o britânico de 26 anos seja um saudosista, no entanto: em sua já sólida carreira, Lewis mostra uma nova forma de enxergar o estilo. Absorvendo novas influências que vão do Rock ao House, o músico tem conquistado olhares por todo o mundo e recentemente tudo isso culminou em “One More”, parceria com a lenda Nile Rodgers.

Não é à toa, também, que o cara contribuiu no ótimo Future Nostalgia, último disco de estúdio lançado por Dua Lipa. Ele é um dos autores de “Hallucinate”, mais um atestado à sua capacidade de reinventar a Disco e ao seu trabalho, que será celebrado ainda mais com o lançamento do seu primeiro álbum cheio, Times, em 19 de Fevereiro.

É claro que a música de Lewis é bem dançante e, mesmo com a pandemia, ninguém precisa ficar parado: no mesmo dia do lançamento do disco, o cara fará uma live que promete trazer uma experiência realmente única e será transmitida em vários horários, com o das 22h de Brasília sendo o recomendado para a América do Sul. Os ingressos e mais informações estão disponíveis aqui.

Enquanto isso, você pode conhecer mais sobre o trabalho do cara em uma entrevista exclusiva, disponível logo abaixo na íntegra!

Entrevista com SG Lewis

TMDQA!: Oi, Sam! Um prazer estar falando contigo hoje. Primeiramente, quero te parabenizar pelo novo single — afinal de contas, que moral ter o Nile Rodgers, né? E mais do que justificável com toda sua trajetória até aqui. Como isso aconteceu e quão especial foi pra você?

SG Lewis: Olá! Obrigado! Sabe, ter o Nile Rodgers tocando em uma música desse álbum quando ele é talvez uma das maiores inspirações para o álbum inteiro é só incrivelmente, sabe, é um círculo completo. É muito surreal. Nile Rodgers foi uma influência enorme na… bom, eu acho que nas carreiras de qualquer um, mas especialmente na minha. Eu amo a música Disco e eu cresci ouvindo Disco, então ainda não parece real dizer isso — mas eu vejo ali escrito e é tipo, “Uau”.

Eu tive a sorte de conhecer o Nile alguns anos atrás, nos estúdios Abbey Road. Foi durante uma sessão com novos músicos e tal, e nós nos conhecemos e meio que trabalhamos naquela sala cheia de gente, escrevemos uma canção que acabou não dando tão certo, mas no fim do dia ele disse, “Ei, eu amo o que você está fazendo e se você quiser fazer algo junto algum dia, estou por aí”.

Então eu fiquei, tipo, “Sério?”. E aí eu estava em Los Angeles e eu tinha escrito essa música, uma demo, com meus amigos Julian [Bunetta] e John [Ryan] e a gente pensou tipo, “Essa música tem tanta energia, mas como nós podemos elevá-la?”. E eles falaram, “Por que você não manda para o Nile Rodgers?”. E eu fiquei, tipo, [cara de susto] “É, claro, mas eu não queria incomodá-lo”.

Eu acabei mandando e logo na hora ele ficou tipo, “Sim, vamos fazer isso”. Então nós fomos para os estúdios Abbey Road e mexemos na faixa, eu a toquei pra ele e ele teve algumas ideias para o arranjo, fez umas mudanças aqui e ali, e eu só fiquei ali assistindo a ele detonando a guitarra por tipo meia hora, que ele ficou ali fritando sem parar. [risos]

E na real teve tanto que eu acabei nem usando, porque ele ficou tocando por tanto tempo e tudo que ele fazia era incrível. Eu só fiquei ali sentado com meu queixo no chão!

TMDQA!: Eu imagino! E dá pra sentir demais a “alma” do Nile Rodgers naquela música. É curioso, na verdade, porque todas as suas músicas têm um pouco disso, mesmo quando você colabora com artistas mais novos, que não têm uma marca tão registrada quanto a do Nile. AlunaGeorge, Rhye, tanta gente boa! Quão diferente é pra você, se é que é diferente, trabalhar com alguém assim mais jovem em relação a trabalhar com uma lenda como o Nile?

SG: Eu acho que, sabe, quando você está trabalhando com alguém que é uma lenda como o Nile, você tem… você fica nervoso antes da gravação, você tem essas pré-concepções e você entra na sala e percebe que o processo é basicamente o mesmo. Vocês são dois músicos que estão trabalhando juntos para o mesmo objetivo, tentar criar algo mágico.

Eu acho que a única diferença é que o Nile está fazendo isso há tanto tempo e é tão brilhante que seus instintos já estão muito afiados, e eu acho que eu presto mais atenção em tudo que ele está sugerindo por isso. [risos] Mas no fundo é a mesma coisa que trabalhar com qualquer outra pessoa, acho que para que a música seja ótima você precisa curtir o processo de fazê-la e isso requer uma sinergia no estúdio, e isso é sobre estar na mesma onda.

Então eu acho que por mais que ele seja um ícone, o processo permanece relativamente o mesmo.

A “nova Disco”

TMDQA!: Definitivamente dá pra enxergar todos esses elementos nas suas músicas, mas acho que o mais curioso é ver como você adiciona tanta coisa nova em meio ao que já conhecemos. Você sabe explicar como chegou nesse lugar musicalmente? É uma questão de absorver influências, estudar…?

SG: Bom, primeiramente obrigado! Esse é um baita elogio, fico feliz de ouvir isso. Segundamente, eu definitivamente me considero um estudante da música mais do que qualquer outra coisa, então a questão da Disco — eu sempre soube que eu gostava de Disco e eu colecionava discos de Disco com os meus amigos e tal, e uma vez foi um amigo meu desses que colecionava que me indicou um livro chamado Love Saves the Day, do Tim Lawrence, que é sobre Disco.

Basicamente, pra mim, esse livro me deu um insight na história daquela música. De onde ela veio, por que ela existia… isso me fez ter um novo conhecimento e respeito por ela, que me permitiu interpretá-la como músico de uma forma que eu achei que era… não só uma tentativa de recriá-la. Eu passei a ser capaz de olhar pra Disco e pensar, “Bom, há elementos disso que eu posso apresentar de uma nova forma, combinar com outras influências”.

Então eu acho que a música que vocês ouvem é um resultado dessa pesquisa, mas combinado com o que eu aprendi nos últimos cinco anos ou coisa assim que me fez chegar no som desse novo álbum. Mas eu definitivamente fiz um grande esforço para estudar esse gênero artístico e também para apreciar de onde ele veio.

TMDQA!: Isso é bem perceptível mesmo. Até porque o disco é tão diferente, né? Digo até pela colaboração com a Robyn, por exemplo. Ela vem de um cenário muito diferente em relação à Disco, e parece que você entende isso também e se adapta a essa realidade dela. Isso é algo que você leva em conta de fato?

SG: Sim, eu definitivamente acho que quando você colabora com alguém… a colaboração tem que ser aquela ponte musical entre as duas pessoas para que você possa encontrar a combinação que funciona. Então eu acho que toda vez que eu colaboro com alguém eu meio que olho pra “planta” musical daquela pessoa e penso, “Ok, com quais partes disso eu posso me conectar e como nós podemos criar algo novo no meio disso?”.

Então, sim, definitivamente há um elemento de olhar, sabe, fazer uma música com uma vibe mais do Dance europeu e pensar tipo, “Putz, a Robyn ia ficar sensacional aqui”. Mas ao mesmo tempo há meio que algo que conecta todas as faixas, esse som de euforia, que é meio que o tema em meio a todos os estilos que me fascinam — esse sentimento quando algo te faz simplesmente sentir alegria, sabe? É tipo, eu sou viciado nesse sentimento, eu acho que é a melhor forma que a música pode fazer você se sentir.

Então eu acho que algumas das faixas do disco que soam bem diferentes entre si têm o mesmo objetivo e fazem a mesma coisa de alguma forma, explorar isso de diferentes ângulos.

TMDQA!: Engraçado você falar disso porque sim, de fato, é bem perceptível isso no disco. Eu ia até te perguntar porque, no fim das contas, nesse momento a gente acaba não podendo fazer isso — sair pra dançar, curtir a euforia — da melhor forma possível por conta da pandemia. Isso te influenciou na hora de compor o disco ou durante a decisão de lançá-lo?

SG: Olha, basicamente, quando eu comecei esse álbum… eu o comecei como meio que uma homenagem a essas experiências que eu tive na cultura das boates. Conforme a pandemia chegou, meio que a mensagem essencial do álbum e o seu propósito meio que mudou — se tornou um estudo do tempo como um recurso finito, porque pela primeira vez as coisas sobre as quais eu escrevo não estavam disponíveis pra mim no dia de amanhã.

Antes, sempre haveria uma outra festa ou outro festival ou outro momento de celebração com os meus amigos. E de repente, a realidade é que talvez nunca mais houvesse um desses. Então foi isso que a pandemia me mostrou e a mensagem essencial do álbum passou a ser a de celebrar o momento presente e fazer o máximo que você puder com ele.

Então, o propósito do álbum também mudou porque — muitas pessoas falaram, tipo, “Você quer adiar, lançar depois da pandemia?”, mas eu recebia muitas mensagens dos fãs dizendo que estavam presos em casas com seus companheiros de quarto em uma sexta à noite mas, por um breve momento, ficavam presos na minha música e isso era uma espécie de escapismo.

Isso, pra mim, se tornou mais importante do que qualquer outro propósito que o álbum poderia ter. Sabe, se esse álbum puder ajudar algumas pessoas a escaparem da negatividade e as notícias ruins desse último ano, eu acho que é um bom propósito para o álbum.

TMDQA!: E além de tudo isso, tem uma live chegando por aí. Você está prometendo experiências únicas, coisas que não podem nem ser replicadas ao vivo. Pode contar um pouco mais pra gente sobre isso?

SG: Claro! Com a live, eu só quis meio que pegar tudo isso que eu falei agora e transformar em realidade da melhor forma que eu pude. Então ao invés de só falar, “Fiquem grudados nas músicas em casa” e coisas do tipo, eu pensei, “Como eu posso criar uma experiência que realmente criasse a melhor versão disso em casa?”. Dessa euforia, sabe.

Então a gente está trabalhando nos visuais, nos convidados especiais que irão aparecer graças às maravilhas da internet — tanto em performances como apresentando o evento — e eu só quero que seja a versão mais completa da experiência ao vivo que eu possa entregar na casa das pessoas. E haverá coisas que visualmente nós poderemos ver que eu não acho que seriam possíveis visualmente em uma sala ou um palco. Estou empolgado para isso.

SG Lewis

TMDQA!: Uma coisa que me deixou curioso foi ver que só agora você está decidindo lançar um disco, depois de tantos EPs e singles. Teve algum motivo especial para isso acontecer só agora?

SG: Eu acho que eu nunca quis fazer um álbum sem ter um motivo real para fazê-lo. Me parece muito estranha a ideia de fazer um álbum sem ter um conceito muito forte. Eu nunca conseguiria fazer um álbum que fosse só um amontoado de músicas juntas, tem que haver uma história que as junte e um propósito.

E eu sinto que quando eu fiz o DuskDarkDawn, essas três partes que saíram como EPs, meio que foi um momento em que eu poderia ter feito um álbum. Mas a ideia me pareceu mais legal em três partes e fez mais sentido separá-las. Eu sinto que eu poderia feito um álbum mas o conceito favorecia o formato de três partes.

Agora é a primeira vez na minha carreira que eu sinto que eu tenho essa visão e que eu quero compartilhá-la em um pacote completamente formado e montado. Acho que é só a hora certa.

TMDQA!: Legal! Estou empolgado para ouvir do começo ao fim. Cara, eu estava lendo um pouco mais sobre você e eu vi que antes de você começar a produzir e fazer seu som, você esteve em algumas bandas. [risos] O que você tocava? Você pensa em fazer algo nesse sentido no futuro novamente?

SG: [risos] Olha, eu era guitarrista e cantava um pouquinho, mas eu era muito tímido. Eu costumava tocar com meus amigos e éramos — começamos como uma banda cover, e a gente tocava tipo Fall Out Boy e, tipo, essas coisas Pop Punk e Emo. [risos] Tipo coisas do começo do Kings of Leon também. Éramos uns garotos meio rebeldinhos. [risos]

Mas eu queria levar muito a sério e meus amigos eram… tipo, eu falava, “Beleza, vamos ensaiar”, e eles diziam, “Ou então podemos jogar Xbox…”. [risos] E eu insistia, mas eles não queriam. Então nós éramos péssimos. [risos]

E eu também queria escrever músicas para a banda, mas meus amigos realmente não estavam dispostos a isso. Mas olha, eu sempre penso sobre estar em uma banda e eu acho que… não sei, eu sou muito específico com a minha música e como ela deve soar, coisas assim. Então eu acho que se eu tiver que levar as opiniões de mais três ou quatro pessoas em conta talvez fique meio difícil. [risos]

TMDQA!: Entendo. [risos] Sam, pra fechar, você já realizou muitos sonhos e colaborou com muita gente incrível. Tem alguém na sua lista ainda com quem você queira muito colaborar?

SG: Sim, a minha lista é infinita. [risos] Tem tantas pessoas! Acho que a colaboração dos sonhos seria com o D’Angelo. Imagine o D’Angelo em uma batida bem Funk, animada. Eu acho que seria demais, bem Jazz e descolado.

TMDQA!: Putz, espero que isso aconteça algum dia. Mas é difícil, né?

SG: Mano, ele é uma pessoa extremamente elusiva. Vai ser difícil. [risos]

TMDQA!: [risos] Boa sorte com isso! Sam, muito obrigado pelo seu tempo e até a próxima!

SG: Eu que agradeço! Nos falamos em breve!

 
 
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