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Foto por May Bandeira
 

Nascido e criado na comunidade de Congonhas, em Madureira, no Berço do Samba, o pianista Jonathan Ferr teve sua vida mudada pelo jazz. Contrariando os gêneros musicais de maior vigência em seu bairro natal, hoje ele se tornou um dos maiores nomes do estilo no Brasil.

O garoto-estandarte do jazz carioca, como bem foi apelidado pelo jornal El Pais, é um dos representantes brasileiros do afrofuturismo e o percursor do enigmático urban jazz no país do futebol. É nesse conceito que o gênero tido como elitista se encontra com o funk, o hip-hop, o samba, e até elementos da música eletrônicos. Em entrevista ao TMDQA!, Jonathan Ferr afirma que tem espaço para tudo na buscar de trilhar caminhos musicais que desconstroem a erudição como algo inerente a estilos mais complexos.

Eu tento sempre não construir nenhuma caixa em volta de mim, o urban jazz me permite tudo, eu sou jazz, eu sou rap, eu sou tudo. E eu me expresso através do meu piano.

Com o objetivo de tornar o jazz mais urbano e popular, o pianista reforça a importância do resgate da cultura negra dentro do gênero, já que, ao longos dos anos, o jazz foi arrancado de suas raízes e passou pelo processo de gentrificação. Um dos caminhos usados por Ferr para essa reivindicação é a partir do afrofuturismo, movimento que mescla tradições africanas com ficção científica e fantasia para rever o passado negro e criar novas narrativas.

Normalmente, as pessoas falam ‘eu tô no presente e busco no passado as referência pra poder construir aqui’, eu fico imaginando que eu busco no futuro, ‘o que tava acontecendo em 2030, mano?’, é isso que me influencia aqui agora. Quando eu projeto isso, eu realmente crio isso no futuro, é cíclico.

Carismático, engajado e cheio de história pra contar, o pianista já levou o seu urban jazz para palcos importantes, como Rock In Rio, Rio Montreux Jazz Festival, Festival Sesc Jazz, entre outros, além de ter se apresentado em clubes do gênero em países como Portugal, Espanha, Alemanha e Holanda.

Saturno

Jonathan Ferr lançou seu álbum de estreia, Trilogia do Amor, em 2019. O trabalho surpreendeu ao explorar as fronteiras do jazz com o broken beat e outros elementos eletrônicos. Recursos como o vocoder, instrumento que faz com que os timbres de voz soem robóticos, também figuram no registro.

O mais recente lançamento do música e compositor chegou há pouco tempo, em Janeiro de 2021. O single “Saturno” veio à tona acompanhado de um curta-metragem com roteiro assinado pelo próprio músico, que ainda atua e divide a direção com Philippe Rios. A produção, encabeçada por Tânia Artur, segue as tendências mais modernas ao mesclar a linguagem cinematográfica do filme com as colagens de um videoclipe em um hibridismo cheio de poesia e imagens sobre amor, afeto, ancestralidade e o tempo.

Foi muito legal porque foi uma equipe toda preta, 98% de pessoas pretas, então é um filme que eu queria trazer novos olhares, duas pessoas pretas retintas no foco do processo, fora da ideia imagética de pessoas pretas que as pessoas pensam: a mulher preta, padrão, que é vendável… Sair desse lugar e mostrar uma outra beleza das mulheres pretas.

A faixa marca o primeiro lançamento do músico pelo selo Slap, da Som Livre. Você pode assistir ao filme logo abaixo.

Continua após o vídeo.

TMDQA! Entrevista Jonathan Ferr

Batemos um papo por videochamada com Jonathan Ferr e, a seguir, você conferir a transcrição da entrevista. Mas antes, se levante, faça um alongamento, e prepare para nossa extensa conversa, mas garantimos: vale a pena cada minuto! O músico é um ótimo contador de história e, entre onomatopeias, cantorias e reflexões, ele nos fala sobre sua trajetória, a importância da união da população preta e o futuro com o seu disruptivo urban jazz.

TMDQA!: Olá, Jonathan. Muito obrigado por separar um tempo para termos essa conversa. Tudo bem com você?

Jonathan Ferr: Tudo ótimo, prazer enorme. Prazer estar aqui mais uma vez.

TMDQA!: Você nasceu e cresceu em Madureira, o Berço do Samba, na cidade do funk, e você acabou indo por um caminho musical inusitado, dado contexto. Como se deu o seu primeiro contato com o Jazz vindo de uma comunidade com outras tradições tão mais vigentes? Você chegou a se aventurar em outros estilos anteriormente?

Jonathan Ferr: Sim, eu toquei pagode e samba durante muito tempo. Na verdade, essa foi a primeira oportunidade enquanto profissional da música, ganhando cachê. Fui convidado pra tocar com um grupo. Foi quando comecei a fazer meus primeiros shows na noite. Em relação com o palco, foi uma escola muito grande ter tocado com essa galera. Com 15/16 anos eu já estava vivendo profissionalmente de música, sendo indicado pra outros grupos, tocando com uma galera do samba e pagode do Rio de Janeiro.

Dentro desse processo, eu nunca parei de estudar música, eu sempre estive estudando música na Escola de Música Villa-Lobos, que é uma escola bem prestigiada aqui no centro do Rio de Janeiro. E eu lembro de uma vez que o professor apresentou o jazz pra gente. Uma aula de apreciação musical, o cara botava música, falava daquele som, apresentava novos artistas, pra poder formar a nossa escuta em um outro lugar. E aí ele colocou John Coltrane pra gente ouvir. Eu ouvia aquele som, foi o A Love Supreme. Eu digo e reafirmo que é um disco que mudou a minha vida pra sempre.

Foi uma sensação que até hoje eu não consigo muito descrever, porque foi um misto de incômodo e fascínio ao mesmo tempo, sabe?! Me atraiu num lugar de uma beleza de uma coisa que eu nunca tinha ouvido falar. Uma música que você não sabia onde começava, onde terminava, e eu não entendia essa coisa de fazer um solo improvisado no meio, que doideira é essa?! Me provocou. E aí eu voltei no álbum depois, tinha disponível na escola, fiquei ouvindo pra entender que rolê era aquele e aí o amor aconteceu. Depois veio a turma toda, Miles Davis, McCoy Tyner, Herbie Hancock… depois deles eu comecei a ouvir a música brasileira instrumental, Black Rio, Hermeto Pascoal, Azymuth, ou seja, fui lá fora buscar pra me encontrar musicalmente aqui no Brasil.

TMDQA!: Falando em Miles Davis, vou fingir que esse disco aqui atrás não foi de propósito [risos].

Jonathan Ferr: Ah, eu não tinha visto [risos]. O Kind of Blue, né? Muito bom, eu tenho esse disco também, ele é maravilhoso. Eu ganhei esse disco na quarentena, você acredita? Esse disco eu não tinha, porque sempre que eu ia nos lugares esse disco tava super caro. Aí uma fã falou assim, “Como você não tem esse disco? Eu vou mandar pra você!”, aí mandou, ganhei o disco lá da gringa, muito legal!

TMDQA!: Que presentão! O meu foi ganhado também, foi um dos meus primeiros contatos com a música instrumental. Seguindo com as perguntas, assim como o Funk, o Jazz também é som de preto e favelado, e só não é mais criminalizado porque sofreu o embranquecimento. O Jazz virou música da elite, enquanto se distanciava cada vez mais de suas raízes. Você é um dos representantes brasileiros do afrofuturismo e um dos precursores do Urban Jazz, é visível no seu trabalho esse resgate da cultura negra dentro do estilo. Poderia falar um pouco sobre essa busca pela deselitização do Jazz? 

Jonathan Ferr: Quando se fala de jazz preto, é até redundante, né? Mas é uma afirmativa que tem que ser feita, porque a galera não sabe, não lembra ou não entende. Rolou um processo de gentrificação do jazz no Brasil, não lá fora. Nos Estados Unidos ele continua sendo preto, música preta legítima! Mas, no Brasil, como muitas coisas, houve o processo de higienização, digamos assim.

Então, quando eu comecei a pretender tocar jazz, eu tive essa crise, porque eu era um cara de Madureira, pra eu assistir aos shows de Jazz eu tinha que ir pro Leblon. Na época, era um rolê… E eu tinha que sair antes do show terminar, se não perdia o metrô de volta, sabe?! O acesso era muito difícil. Quase sempre eu era o único preto e eu sempre me sentia meio deslocado, porque não sabia como me comportar naquele ambiente.

Esse jazz tinha esse lugar de falar “esse espaço é um espaço para pessoas inteligentes”, e aí “inteligente” é associado a ter dinheiro, ter acesso. Depois eu me conectei com uma galera da Baixada Fluminense, galera da periferia do Rio, a Grande Rio, e tinha muitos músicos incríveis que tocavam jazz mas não chegava em outros lugares. Inclusive a máxima de vários músicos, desses que eram incríveis e estavam na periferia, é que viver de música instrumental é passar fome. E eu acreditei por muito tempo nisso.

Foi todo um rolê pra eu chegar no que eu queria fazer de música. Tânia Artur, que eu faço questão de citar, minha manager e a pessoa que me incentivou muito, desde o início, me ajudou a achar estratégias para fazer esse trabalho chegar nas pessoas. Até que surgiu o urban jazz, que é exatamente uma forma de eu negar esse jazz que tava proposto aqui, branco, elitista, excludente, caro. Aí eram dois desafios: um era trazer essa música que era pseudo-intelectualizada pra dentro do ambiente onde as pessoas falavam “jazz não é pra mim”, e o outro desafio era que as pessoas, culturalmente, achavam o jazz uma coisa chata, igual provavelmente eu acharia se não tivesse sido apresentado.

Meu objetivo era chegar na juventude, na época eu entendia que a juventude era quem iria propagar essa música pra outros lugares. Eu tinha tocado samba durante muito tempo, o funk… com 18 anos eu me reconheci como homem preto ouvindo MV Bill e Racionais, então o rap tava muito grudado em mim, eu comecei a frequentar baile de música preta, então eu queria trazer tudo aquilo pra dentro do que eu tava fazendo, e é essa ideia do urban jazz. Eu queria a galera dançando, balada de jazz, bebendo uma cerveja, azarando e tal.

Quando eu já estava fazendo laboratório com os meus músicos, trazendo essa possibilidade de fazer um jazz que soasse mais preto, no meio desse processo, eu conheço Sun Ra, que é tido como o pai do afrofuturismo, que era pianista de jazz também, um músico incrível, e essa filosofia afrofuturista, de ter o preto como protagonista, criando toda uma imagética pra fazer a gente alcançar ideias que talvez não alcançasse sem isso.

Comecei a entender umas coisas e isso me fascinou de uma maneira incrível. Eu comecei a estudar e, imediatamente, incorporei isso à minha música, incorporei em mim. Normalmente as pessoas falam “eu tô no presente e busco no passado as referência pra poder construir aqui”, eu fico imaginando que eu busco no futuro, “o que tava acontecendo em 2030, mano?”, é isso que me influencia aqui agora. Quando eu projeto isso, eu realmente crio isso no futuro, é cíclico.

TMDQA!: Eu queria saber se, nessa busca pela popularização do jazz, o seu som já fez o caminho inverso e chegou até a sua comunidade?

Jonathan Ferr: Chegou e eu fico muito feliz, mas eu quero que chegue ainda mais. Em 2019, eu fiz um show que foi incrível, toda a galera da comunidade, que tem uma ONG com várias crianças, as crianças foram no show e foi incrível, o olhar delas se reconhecendo em mim, eu olhando pra elas e me reconhecendo nelas, e viemos do mesmo lugar. E foi uma coisa horizontal mesmo, uma coisa de falar “caramba, a gente pode”, eu olhar pra elas e “sim, vocês podem, isso aqui é nosso”. E, claro, eu quero que isso se expanda, não somente na minha comunidade, que é Congonhas, mas que isso vá pra outros lugares também, que outras crianças pretas tenham o interesse de tocar piano, fazer jazz.

TMDQA!: Imagino que incrível! E, falando dessa coisa do jazz ter um ar de erudito e intelectual, o quando é aceitável mexer no jazz? Como seus colegas de gênero enxergam o seu trabalho? Rola uma aceitação ou é algo deslegitimado por eles?

Jonathan Ferr: Hoje é bem aceito, mas na época foi bem questionado, houve gente que falava que não era jazz o que eu fazia. E eu, desde o início, queria tocar as minhas músicas, é uma coisa que me propus. O cara vai pro show do Jonathan Ferr, tem que ouvir o que o Jonathan Ferr quer falar, não o que o Miles Davis quer falar. O Miles Davis já deu o papo dele, muito bem dado, inclusive, e foi embora, passou a bola pra gente.

Eu ouvia muito essa intenção de querer cristalizar o espaço nostálgico desse jazz, que nem é nosso aqui, que tá lá nos Estados Unidos e os caras lá já entenderam isso e já tão muito na frente. Pra mim, não fazia sentido a gente tá aqui cristalizando o som de uma coisa que tá acontecendo em outro lugar, com outras história. Se não fosse eu estar muito firme nas minhas decisões, a Tânia Artur, novamente, projetando e falando “vão bora, é isso aí mesmo, isso vai dar certo, vamos confiar, confia no seu axé”… ela acreditou na minha música. Se alguém tá acreditando aqui, eu não tô louco então [risos].

Hoje eu tenho o respeito dessa galera e fui abraçado por muitos músicos da antiga que eu admirava. Carlos Malta, por exemplo, a primeira vez que ele chegou e ouviu meu som, “meu irmão, esse som é incrível, vão bora”. Eu pensei, “bicho, se o Malta tá falando isso, foda-se todo resto” [risos].

TMDQA!: Se ele falou, então tá no caminho certo [risos]! E com o público, como é isso? Você chegou a rodar o mundo, tocando em vários festivais conceituados de jazz, o seu som é aceito também ou tem uma resistência?

Jonathan Ferr: Eu mirei um público e fui muito surpreendido em ter acertado um público muito maior, em termo de faixa etária mesmo, nos shows isso é muito vivo. É muito legal, porque tem um público que vai do 18, 19, 20 anos, que é a galera que gosta de rap pra caramba, que gosta de R&B, gosta das referências de música eletrônica que eu tenho também dos beatmakers. E aí tem a galera da jovem-idade, que tá no seus 30 anos também, que é a minha idade. E uma galera que vai dos 60 pra lá.

Teve duas experiências muito boas, com pessoas de idades completamente diferentes. Uma foi com um garoto que tinha uns 19 anos, eu fiz um show e já tava no final, era o bis. Eu vi ele chegando, entrou com um baixo acústico nas costas, gigante, eu olhei e pensei “cara, eu vou tocar pra esse garoto” e falei “galera, vamo tocar mais uma”. E eu senti tocar pra ele, senti no sentido espiritual mesmo. Eu tô mais preocupado em conectar do que em entreter. Porque entretenimento é muito raso e efêmero. Então eu busco uma conexão mais profunda e convoco o público sempre no início do show a isso.

E aí, tocamos, foi incrível, o bis do bis. Terminou o show ele veio em mim, me deu um abraço, aquele abraço que o cara não quer soltar. Ele, super emocionado, falou “cara, eu vim da aula de baixo, mas tava pensando em desistir, porque música é muito difícil, ainda mais música instrumental, eu moro na favela e esse baixo o pessoal do curso me ajudou a arrumar… mas hoje, depois desse show, que eu vi só uma música, inclusive, eu tô saindo daqui com a certeza do que eu quero fazer pro resto da minha vida”. Isso ai é meu Grammy, nada paga isso.

Em outra ocasião, terminamos o show, em homenagem ao John Coltrane, e tinha uma senhora com seus 70 anos me esperando. Eu fui falar com a galera, ela me abraçou, um abraço gostoso, falou o seguinte: “eu vim aqui porque o meu filho me chamou, ele tinha ido no seu show, adorou e me convenceu. Eu tava muito resistente, porque pensava que jazz era coisa de rico, a minha patroa gostava de jazz”, e era uma senhora bem humilde mesmo, “mas eu fui tocada e descobri que eu gosto de jazz aqui, e todas as vezes que me chamarem prum show de jazz eu vou”. Gente, é pra isso, é sobre isso. É só sobre isso.

Esses vínculos são eternos, nada paga isso. Ele é uma pessoa preta, essa senhora também, então isso tá dentro do processo afrofuturista, tudo tá sendo construído a partir desses lugares de acolhimento, de amor, de afeto, através da música.

TMDQA!: Você falou anteriormente dessa junção com rap, com beatmakers, e uma das suas músicas que mais repercutiu nas plataformas digitais é o love song “Te Assistir Dormir”, que inclusive tem os rappers Choice e niLL, além do beatmaker Lossio. Como é essa colaboração com cantores e trazer vozes para as suas músicas? Rola uma troca de público? Impulsionando também os seus trabalhos solos?

Jonathan Ferr: Eu tenho várias músicas como “Te Assistis Sorrir” pra soltar em breve. É um espaço de troca muito legal. Eu entendo que, mercadologicamente, ajudou muita gente a chegar no meu som e, a partir daí, conhecer outras coisas que eu tinha feito, porque tá circulando num espaço democrático de uma música da canção, que as pessoas conseguem identificar muito rapidamente. Eu não fiz essa música para criar esse lugar mercadológico e vender, é uma música que é só um outro Jonathan Ferr, eu sempre penso nisso, que eu me permito ser muito múltiplo.

Diferente de alguns outros artistas do jazz, eu não tô preocupado em ser aquele cara cabeçudo de trilhões de notas, porque não é o tipo de música que me conecta, então eu não me proponho. Eu tento sempre não construir nenhuma caixa em volta de mim, o urban jazz me permite tudo, eu sou jazz, eu sou rap, eu sou tudo. E eu me expresso através do meu piano. Eu já tinha feito essas experimentações nos shows, já tinha chamado outros rappers pra cantar no meu show, Ramonzin, o próprio niLL… e o Lossio já é meu parceiro da antiga.

Quando eu compus essa música, chamei o Lossio imediatamente, ai na sequencia fui apresentado ao niLL, eu fui num show dele e fiquei impressionado com a força da música dele, é um cara incrível também; o Choice foi trazido através de um outro produtor, eu já era fã dele, já conhecia o som e gostava muito da retórica e do flow dele. Aí deu match entre todo mundo e funcionou, quando lançou foi um boom legal, as pessoas se surpreenderam muito por eu lançar um som desse estilo, fiquei feliz porque muita gente chegou em mim através desse trabalho, e os caras também tiveram uma troca do meu público com o deles, então esse crossover é muito interessante. E vão ter mais coisas desse tipo logo logo, mas eu não posso dar muito spoiler ainda não.

TMDQA!: Eu aguardo ansioso! O clipe dessa música também é lindo, tudo feito na quarentena, com uma galera muito foda!

Jonathan Ferr: Esse clipe foi muito um desafio. Foram quatro produzindo, a Tânia produziu; eu dirigi, junto com a May Bandeira; Denise Salles, na direção de arte e figurino; então foi uma loucura, via Zoom, foi inteiro feito em celular, todo, todo, todo! Isso foi muito legal, esse desafio, no meio da quarentena… salvou a gente no meio da quarentena, produzir esse clipe via Zoom, maior doideira, e ficou lindo o resultado, tenho muito orgulho.

Continua após o vídeo.

TMDQA!: Falando em clipe, você abriu 2021 com o single “Saturno”, eu já perdi as contas de quantas vezes pirei com essa música. E ela chegou acompanhada de um filme afrofuturista lindo, com um elenco fantástico, falando sobre o tempo, afeto, ancestralidade, amor próprio… terminei de assistir emocionado. Você assina o roteiro e a direção do projeto, ao mesmo tempo que atua no curta. Queria saber se você fez algum curso na área de cinema ou se é mais uma aventura autodidata? Quais são suas referências no meio audiovisual?

Jonathan Ferr: É, foi mais uma aventura autodidata mesmo. Na verdade, o único curso que eu fiz de cinema foi de roteiro, um pouquinho de direção, em 2009, talvez, eu não me lembro. Eu sempre gostei muito de cinema, sempre foi algo que me provocou uma realização como espectador. Eu sempre via o cinema e falava “cara, eu posso fazer isso”. Mas é aquela coisa da negação, eu morava num espaço que me negava isso, na época eu morava em Madureira, que é um lugar que eu amo, mas eu tava num espaço que todas as circunstâncias me negavam estar ali. Se, sendo músico, o jazz já era me negado, imagina o cinema que é “nossa, a sétima arte”.

Eu consegui o curso de roteiro, uma bolsa. Fiquei uns nove meses, depois esse professor veio a falecer, foi o Alberto Salvá. Ele me ensinou muita coisa sobre escrita de roteiro, me deu livros, me deu bastante coisa, e um pouquinho de direção. Na época eu nem tinha pretensão de dirigir nada, eu gostava de escrever, e achava que escrever era muito mais fácil no processo de cinema, era só eu, a minha ideia, o computador e só. Mas morreu esse assunto e fiquei no piano. Hoje eu percebi que eu posso ser múltiplo, eu posso ser várias coisa. Inclusive, às vezes eu até nego essa ideia, eu não sou pianista, eu estou pianista.

Eu já tinha feito teatro, em 2016, fiz uma peça aqui no Rio, foi uma experiência muito legal. Aí, quando eu escrevi o roteiro, era a minha história, tinha muita coisa minha ali, e falei “só pode ser eu, vou fazer”, convidei o Philippe Rios, que dividiu a direção comigo, então as cenas que eu estava atuando, ele tava ali comandando. Houve muita troca entre a gente e assim fomos conduzindo, produção da Tânia Artur, mais uma vez; a Denise Salles assinou o figurino aqui também… E foi muito legal porque foi uma equipe toda preta, 98% de pessoas pretas, então é um filme que eu queria trazer novos olhares, duas pessoas pretas retintas no foco do processo, fora da ideia imagética de pessoas pretas que as pessoas pensam: a mulher preta, padrão, que é vendável… Sair desse lugar e mostrar uma outra beleza das mulheres pretas.

Quando eu fiz essa música, foi em homenagem à Sun Ra, porque essa música tá no compasso 13/8, que é um compasso muito louco, então eu ficava imaginando a rotação de Saturno, que demora 29 anos pra dar a volta, e essa ideia que Sun Ra fala que os negros são de Saturno e é pra lá que nós deveríamos voltar. Eu queria fazer essa homenagem a esse cara que era o meu herói, né?! Espiritualmente falando, eu sou o cara que transito em várias coisas, me converti ao budismo, sou reikiano, tomo ayahuasca, enfim… participo de várias coisas, tô muito ligado ao candomblé agora também, então são várias egrégoras que me atravessam, vários entendimentos filosóficos e espirituais sobre isso. A astrologia também tava ali e eu fui estudar.

Saturno, na astrologia, rege capricórnio, somente, e é o planeta da responsabilidade, ele traz essa ideia de fazer a coisa certa, e, na mitologia grega, Saturno é o Deus Cronos, que é o Deus do carma, do tempo… Mas eu sou um cara que venho pensando na cosmologia africana, então eu vou trazer outra referência, que é Iroko, o orixá do tempo, cultuado como o próprio tempo. Tem muitas simbologias, muitos easter egg escondidos ali também.

O filme traz também esse lugar desse espaço-tempo que a gente só consegue perceber a partir da nossa existência, mas ele é muito maior e a vida que a gente vive aqui é um cisco na experiência da existência. Eu queria colocar essas coisas retratadas no filme e daí cada um vai criar o seu próprio filme também, porque tem a questão da subjetividade.

TMDQA!: Você acabou citando uma das coisas que eu ia te perguntar em seguida. Eu assisti o making of e é visível como a equipe é majoritariamente composta por pessoas pretas. Eu gostaria que você falasse um pouco sobre a importância de se ter um time afro em um projeto sobre a cultura afro e também a necessidade da representatividade.

Jonathan Ferr: Eu acho super importante. Primeiro, quando eu penso afrofuturismo, para além da estética, eu tô pensando política também. Em 2017/2018, saiu um senso da Ancine, que menos de 2% dos produtores e das pessoas que trabalham com cinema eram pretas. A gente tá apagado e invisibilizado completamente. Fazer cinema é uma coisa cara e o Brasil, além do recorte racial, não compreendeu o cinema como uma indústria e uma potência ainda.

Quando você faz o recorte afro, a coisa se afunila ainda mais, o acesso é mais privado. Ninguém chega prum moleque na favela e fala “irmão, você pode ser diretor de fotografia”, “diretor de fotografia?”, ou “você pode ser diretora da arte”, “diretora de arte?”, eles nem fazem ideia, são coisas que estão muito distantes.

Eu e Tânia, quando a gente sentou, isso nem é discutível mais, a gente sabe que é esse lugar. A gente quer trazer essa galera pra perto, não só pela questão de querer pessoas pretas com a gente rodando [o filme], mas também de empregar, as pessoas sentirem aquela paz, essa coisa que eu acredito de acender o sol das pessoas. Acender o meu sol e acender o sol dos que estão perto da gente também. Então vamos acender nosso sol do meio-dia, pra todo mundo ficar brilhando mesmo e contagiado.

Esse espaço da gravação foi um espaço de muita cura, pra mim, pra todo mundo que tava ali no processo. Aí, quando a gente faz “Saturno”, pra poder juntar toda essa galera preta, tem a coisa de contar a história juntos. Eu escrevi o filme, mas o filme não é meu, o filme é de todo mundo.

TMDQA!: Eu achei legal, na cena que estão as mulheres reunidas, que você só falou “conversem, faz o que vocês quiserem”, não tinha fala por fala escrita, tinha essa liberdade ali dentro. Eu achei fantástico!

Jonathan Ferr: Chegou no ponto que eu ia comentar agora, que é o seguinte: a cena do poker, tá tudo escrito mesmo, montei a cena e o Philippe fez a direção. Já a cena das meninas, várias mulheres incríveis ali, todas minhas amigas, eu falei “conversem entre vocês, eu não tenho como escrever uma coisa pra vocês falarem porque vai soar artificial”, e elas falaram várias coisas e, infelizmente, a gente teve que usar uma parte muito curta. Na hora de montar, você tem que cortar pra dar certo ali no sync da câmera, de imagens, tem coisa que a gente não conseguiu colocar mas eram maravilhosas, dava pra montar um filme só com elas ali.

Se fosse fazer um filme sobre a vivência de uma mulher, se eu aceitasse esse desafio, por exemplo, teria que ter uma mulher do meu lado, pensando junto, digerindo isso. É sobre esses espaços que vão sendo contestados, muito bem, inclusive. Eu vi esses dias a Linn da Quebrada falando sobre pessoas cisgênero que interpretam pessoas trans, não vai entender o que é aquele corpo dilacerado todo dia, violentado pelo olhar das pessoas. Não vai chegar nessa profundeza, nesse estado que o corpo precisa pra poder estar com verdade diante da câmera, do público.

Uma coisa que eu busquei nesse filme, e é uma coisa que eu quero buscar pra todos os filmes que eu for fazer, é não mostrar pessoas pretas engatilhadas em sofrimento. Se tiver uma cena de morte, de violência policial, eu não vou mostrar essa morte, eu vou fazer de tudo pra não engatilhar os nossos. E outra é sempre colocar uma estética que eu queria desde o início e que eu trouxe, falei com Denise, que fez o figurino, pra Carol, da arte, a gente filmou num hotel super chic, e falei “gente, vamos botar todas as pessoas pretas com roupa de grife, dinheiro não é problema”. Porque eu queria propor uma nova estética, e é esse lugar afrofuturista mesmo, da gente se olhar e se ver.

Aí uma coisa interessante é que o menino, na primeira cena, é ele pedindo o piano e na última cena é ele ganhando o piano. E no meio é não-linear, o filme não tem linearidade, só esses dois momentos. Aí perguntam pra ele, “porque um piano?”, “porque eu vejo as pessoas na televisão tocando piano”. Cara, onde que eu vejo pessoas na televisão tocando piano e essas pessoas são pessoas pretas? É a visualização desse lugar. Que lugar é esse de pessoas que tocam piano, pretas? E tem uma coisa legal que eu vou falar aqui, que muita gente me perguntou, “e aquela música do final, foi você que tocou?”.

TMDQA!: Eu queria saber isso também!

Jonathan Ferr: Foi a primeira vez que ele tocou um piano na vida, foi incrível. Se você tiver um olhar mais atento, percebe a hora que o olhar dele muda. Antes da gente gravar, ele tava lá brincando, batendo nas teclas, tocando qualquer coisa; naquele momento que ele sentou e tocou, tava todo mundo em choque, tentando fazer silêncio, a cada nota a gente tava “meu Deus!”. Quando o foco vai pra Tati, ela tá chorando de verdade, emocionada, porque ninguém tava acreditando no que tava acontecendo. Quando eu revi a cena, só podia ser aquela. E a gente perguntou pra ele, “Zyon, onde tu aprendeu isso? Que música é essa, Zyon?”, e ele “Ah, foi uma música que eu compus agora, se chama ‘Profundo’”. Já adotei ele pra ser um dos meus alunos de piano, esse ano tô com um projeto de dar aulas pra algumas crianças, e ele vai ser uma delas.

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TMDQA!: Vai ter um futuro fantástico! Eu queria voltar um pouquinho e falar sobre a música, porque ela dá bastante destaque ao saxofone, tocado pelo Alex Sá… Você faz todo o arranjo da música? Ou cada músico tem liberdade para criar sua parte em cima da composição? Como é esse processo criativo?

Jonathan Ferr: Eu componho e crio todos os arranjos. Eu sou formado em regência e orquestração também, é uma coisa que eu falo pouco, mas eu amo, um dos meus sonhos é um dia compor uma sinfonia preta, afrofuturista. Isso vai acontecer, em breve. Mas eu componho tudo e levo pra banda, mas eu sempre deixo a banda muito à vontade pra vir criando comigo. Claro que pro pessoal das cordas, que é uma galera da música erudita, escrevo as partituras dos arranjos de cordas, o quarteto vai lá e toca o que tá ali, porque funciona desse jeito. Mas com a banda, que tô tocando o tempo todo com eles, a gente se liga, tá no estúdio, viajando, fazendo os shows, tá tudo mais fluido, muito mais natural.

Todos os música, quando entraram pra minha banda, eu falei a mesma coisa: aqui é o urban jazz, uma coisa que ninguém sabe o que é, nem eu, tô descobrindo e cada vez a gente vai descobrir mais coisas. Então, tudo que vocês sempre quiseram fazer em qualquer trabalho e nunca puderam, traga pra cá. Aí é isso, o saxofonista toca com uma pedaleira no show e nesse som aí. É uma pedaleira, um som totalmente disruptivo. Aqui é esse consenso de transformar esse som, e esse som vai ser nosso. Esse lugar de pertencimento, ouvir e falar “isso aqui sou eu” e é a unidade de cada um.

E eu gosto muito quando me falam “você é o pianista, mas eu não ouço o piano, ouço o som da banda, é a banda Jonathan Ferr”, é sobre isso, né? Eu quero fazer música e é muito legal esse processo. Quando é o solo da pessoa, aí é livre, eu não influencio absolutamente nada. Só tá a banda tocando e eu “Alex, quebra tudo, eu quero que você saia com essa paleta do sax quebrada, com a boca queimando de tanto soprar”, aí foi incrível, ele tocou e ficou todo mundo “caraca!”, eu liguei pra ele depois que a música ficou pronta e falei “Alex, esse solo é o solo que a galera vai tirar no futuro, os moleques vão estudar saxofone e vão estudar esse seu solo”, porque a construção dele é uma viagem pra Saturno mesmo. Porque vendo o filme é uma experiência, ela tá cortada e tudo mais…

TMDQA!: Tem outras músicas ali também, né?

Jonathan Ferr: Tem uma música só que tá ali, que é “Esperança”, e é um spoiler do próximo lançamento, já coloquei ali no meio [risos]. O resto é a própria “Saturno”, ela tem várias nuances, picotei ela em vários lugares, porque eu queria mais a construção do curta-metragem do que um clipe. Já se você escuta só a música, botar o fone, é uma viagem, uma condução, o saxofone vai te levando pra Saturno mesmo, ele vai levando pro ápice e depois que termina, quando ele cai, entra “tão booom te assistir sorrir”, eu faço uma referência a “Te Assistir Sorrir”, obviamente, e é uma hora que você já tá na galáxia.

TMDQA!: “Saturno” fecha o ciclo do seu álbum de estreia, Trilogia do Amor. E eu queria saber se ela também é o primeiro passo do que está por vir. O que podemos esperar na sua carreira ao longo de 2021? Além do spoiler que você acabou de dar…

Jonathan Ferr: Pois é, já dei um super spoiler já [risos]. Então, não é que “Saturno” encerra o Trilogia, porque o Trilogia foi e é muito importante pra mim. Ele é o meu projeto de pesquisa, quase que a minha tese sobre tudo que eu sabia até então sobre afrofuturismo e o que eu entendia que era o meu urban jazz. Quando saiu Trilogia, muita gente se surpreendeu. Na sequência, eu lancei “Bike” e, agora, “Saturno”. Esse tipo de composição, a forma como eu compunha, “Bike” e “Saturno” se conectam nesse lugar. “Bike” é uma música que tem uma história que se contava sozinha. O álbum é o conto e “Bike” é um microconto. “Saturno”, a mesma coisa. Então tinha que tá separado mesmo, mas elas se conectam, é uma bloco de uma fase.

Agora, a partir desse lugar, e por isso que eu não gosto muito da palavra encerrar, eu posso transitar por outra coisa que eu quero fazer também, que é um disco de piano solo, mas não vai ser um piano solo tradicional, como nada meu é. Vai ser uma coisa com um conceito muito legal que eu tenho descoberto que é de música medicina, que fala desse lugar de conexão, de se conectar consigo mesmo… Eu ainda não posso falar o nome do disco ainda [risos].

Mas assim, vai sair a próxima faixa, que se chama “Esperança”, sai em março já. Vai ter um vídeo também muito legal, um curta também. E ela já endereça a escuta das pessoas pra esse novo tipo de som que eu vou fazer no álbum, do piano, das cordas, mas também tem poesia, e tem outros elementos que vão entrar. É um disco que se propõe a conectar a galera num lugar muito mais profundo e muito mais imagético.

Me sopraram o nome do disco em um ritual de ayahuasca, depois em um sonho, e fez todo sentido, inclusive, com o disco, com o momento que a gente tá vivendo agora, mas eu vou ter que segurar mesmo, mas no momento certo a galera vai saber. Mas eu tô louco pra soltar esse disco. Gravar o disco é um processo muito legal, eu me sinto um arquiteto, porque o arquiteto constrói casas pras pessoas morarem, e eu me sinto construindo um lugar onde as pessoas vão morar, quantas músicas a gente mora?! Que salvam a gente?!

TMDQA!: E é uma coisa que muita gente pode morar!

Jonathan Ferr: Exatamente, exatamente! E muitas pessoas podem morar ao mesmo tempo, por quanto tempo quiser, sem pagar aluguel. A maravilhosa Mahmundi, eu amo a Mahmundi, falei isso com ela, “Mahmundi, tô morando na tua música aqui”, aquela música “Sem Medo”, eu ficava ouvindo todo dia, virou minha morada. Eu me reconstruia a partir daquela música, então é esse lugar de eternizar.

Daqui um tempo, eu me vou, e a música vai ficar aí. Eu fico pensando, quando tô no estúdio, daqui há 100 anos, um moleque, lá não sei onde, ouvindo. Como por exemplo, Coltrane, que morreu nos anos 60, e eu, anos depois, no Brasil, num outro espaço, um cara que ele nem sequer imaginaria que seria impactado pela música dele. E eu só sou quem eu sou por causa de John Coltrane. Ele gravando A Love Supreme, eu não sei se ele imaginou que isso poderia acontecer. Então é isso, tá no mundo, tá livre, ela vai chegar em muita gente, e eu nem vou saber, mas eu sei que vai ser pra curar uma galera, pra conectar, muita coisa boa.

TMDQA!: E, caminhando pro encerramento, para quem não tem costume de ouvir música instrumental, por onde começar? 

Jonathan Ferr: Para quem não tem costume de ouvir música instrumental, eu sempre aconselho que a pessoa ouça coisas que são o que eu chamo de easy listening, que são fáceis de se conectar. Para não assustar, eu acho que o Miles Davis é um cara que é muito legal pra se começar a ouvir, o King of Blue, é um disco incrível, profundo, magnético mesmo assim. Então é um cara legal de ouvir. Roy Hargrove também, que é outro trompetista incrível que eu aconselho.

Aqui no Brasil, a Black Rio, eu acho muito legal, é uma das maiores e melhores bandas brasileiras, que merece estar no pódio, uma das bandas mais incríveis de jazz. É um jazz totalmente novo também, a proposta dos cara, soul com música brasileira, com samba, tá tudo ali, música instrumental muito rica. E um cara que eu ouço muito, que é Robert Glasper, meu pianista predileto mesmo, tive a oportunidade de conhecê-lo em 2019, gosto muito do som dele. Tem o Alfa Mist, que muita gente me compara, é um cara legal, já em Londres, então é um jazz europeu, que já é outra estética. Eu acho que são esses caras que eu aconselharia a ouvir. Esperanza Spalding, também, uma cantora que eu amo, baixista incrível do jazz. Muita gente, é difícil, mas acho que começar é com Miles Davis. Começa no Miles Davis!

Continua após o vídeo.

TMDQA!: Ótimas recomendações, e foi por onde comecei. Jonathan, valeu demais por essa conversa! Fique a vontade para deixar um recado!

Jonathan Ferr: Ouçam “Saturno”, consumam “Saturno”, taca stream lá, que isso é muito importante pra gente. Que as pessoas consumam nossa música, porque, pra apoiar o artista, é chegar e ouvir a música, indicar pros amigos, isso é muito importante pra chegar pra muito mais gente. E a mesma coisa no YouTube, tava views lá, espalha esse vídeo. E em breve vou estar lançando mais coisa, tô feliz, acho que mais importante pra mim é estar conectado mesmo, despertando o sol do meio dia de todo mundo, ser esse instrumento, e tô nessa busca de me aperfeiçoar enquanto ser, enquanto homem preto, enquanto artista, e é muito legal trocar com as pessoas e a retórica que me dão, isso me ajuda a crescer mais e ser melhor também, pra mim, pros meus, pra sociedade. E é isso, escutem minha música, mandem pra galera e vamos fazer essa rede de afeto de abundância que é muito legal.

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Foto por May Bandeira