Mogwai
Foto por Antony Crook
 

Uma das bandas mais prolíficas e sensacionais do Post Rock, o Mogwai está prestes a dar início a um novo capítulo de sua carreira que tem tudo para ser sensacional.

O novo disco dos escoceses, As the Love Continues, representa um retorno à sonoridade mais musical em oposição às trilhas sonoras. É o primeiro álbum nesse formato desde o aclamado Every Country’s Sun (2017), enquanto já surgiram duas trilhas para KIN  (2018) e ZEROZEROZERO (2020) no meio tempo.

A empolgação já parece se justificar muito bem com as ótimas prévias que recebemos do que vem por aí…

O trabalho será lançado na íntegra no dia 19 de Fevereiro mas, antes disso, o grupo o apresentará em um show no dia 13 por meio de uma performance gravada em Glasgow, cidade natal dos caras. A live acontece às 17h de Brasília e tem direção de Antony Crook; você pode saber mais sobre isso e comprar ingressos por aqui.

Abaixo, você pode conferir um papo que tivemos o prazer de ter com Stuart Braithwaite sobre essa nova fase!

Entrevista com Stuart Braithwaite (Mogwai)

TMDQA!: Oi, Stuart! Tudo certo por aí? Que prazer enorme estar conversando contigo. Sou muito fã do Mogwai e de tudo que vocês já fizeram.

Stuart Braithwaite: Obrigado, cara!

TMDQA!: Imagina! Bom, tive a sorte de já ouvir o novo disco na íntegra e posso dizer que fiquei muito surpreso positivamente. Tem muita coisa nova e legal por ali, e ele é empolgante do começo ao fim. Meio que fez com que eu sentisse como se estivesse flutuando pelo espaço, o que foi uma sensação bem curiosa. Era meio essa a ideia? Ainda mais com os títulos das músicas, não sei, fiquei com isso na cabeça…

Stuart: Eu não sei! Digo, eu definitivamente consigo entender isso e ouvir isso, o que é bem legal. Mas pra ser sincero quando estamos fazendo música a gente só está tentando lembrar quais notas temos que tocar. [risos] Mas eu adorei isso, o espaço é algo que me interessa bastante — meu pai fazia telescópios. Eu amo ficção científica, é algo que eu super curto mesmo, amo essa ideia de fazer música que remete a isso, música espacial ou de ficção científica. Legal demais!

TMDQA!: Que bom! [risos] Uma outra coisa que me chamou atenção é que nesse disco parece que vocês voltaram a abraçar algumas coisas do Rock and Roll, algo que tinha ficado um pouco de lado nos últimos anos. “Ceiling Granny” é uma das minhas preferidas — e que título sensacional também — e, claro, o single “Ritchie Sacramento” também tem bastante desse elemento. Você pode falar mais sobre essa música? Por exemplo, por que ela tem vocais?

Stuart: Eu acho que ela sempre soou como se precisasse de vocais, sabe? Meio que tem aquela estrutura tipo verso e refrão, sabe. E a letra foi inspirada em uma história do nosso amigo Bob Nastanovich, do Pavement, de quando ele era um estudante junto com o David Berman [do Silver Jews] e jogou uma pá em um carro esportivo. E ele [David] era um cara tão legal, um dos meus compositores preferidos, então meio que estava sempre pensando nele quando escrevi. Tem aquela coisa meio triste, nostálgica. Eu fiquei muito feliz com o resultado.

TMDQA!: Então quando você escreve músicas, você escreve a parte instrumental primeiro e depois decide quais precisam de voz?

Stuart: Basicamente sim. A gente faz uma demo. Quando a gente escreve as músicas, especialmente agora por conta da pandemia, a gente escreve quando estamos sozinhos. Então, sim, essa especificamente eu queria que tivesse vocais — mas eu não os terminei até bem no final do disco, quando eu fui de fato gravá-los.

TMDQA!: Ah, legal! Bom, eu também senti que esse disco mostra diversas personalidades do Mogwai, mas há um certo destaque pra esse lado mais centrado na guitarra. Por que isso aconteceu? Teve algum motivo especial?

Stuart: Eu acho que foi por conta de estarmos cada um em nossos quartos, sabe? Em geral, a gente usa mais os instrumentos nos quais escrevemos as músicas. Então eu acho que só escrevemos mais músicas na guitarra, talvez pela situação mesmo. É divertido, no entanto. Eu adoro tocar a guitarra bem forte. [risos] Fazer uns barulhos, é bem divertido. Fiquei feliz que deu certo dessa forma.

TMDQA!: Eu fiquei pensando se vocês não estavam cansados de carregar tantos sintetizadores por aí…

Stuart: As guitarras são bem mais pesadas que os synths! [risos] Por conta dos pedais! Mas não, não, foi só o jeito que as coisas acabaram fluindo mesmo.

TMDQA!: Faz sentido! Bom, vocês abriram esse ciclo com “Dry Fantasy”, que também é uma belíssima música. Vocês escolheram essa canção por achar que ela representa bem esse novo trabalho ou teve algum outro motivo?

Stuart: Pra ser sincero, eu acho que a gente só se sente tão próximo desse disco — porque estamos fazendo há tanto tempo — que a gente só perguntou pra outras pessoas com quem trabalhamos qual música deveríamos lançar primeiro. A gente até tentou, como banda, mas tínhamos ideias completamente diferentes e meio que decidimos só deixar isso na mão de outra pessoa. [risos] Mas eu amo essa música, fiquei feliz com isso! Só que, realmente, deixamos os outros decidirem por nós.

25 Anos de Carreira do Mogwai

TMDQA!: Entendo. [risos] Definitivamente deu certo! Uma coisa curiosa é que esse disco novo está saindo 25 anos depois de vocês começarem as atividades, o que sem dúvidas é especial. Como você se sente por ainda estar conseguindo viver da música tanto tempo depois?

Stuart: É uma loucura! Eu meio que… eu tenho muito orgulho disso, e fico muito impressionado. A gente meio que sempre pensou que a nossa música era uma coisa de nicho, sabe? Então poder atingir tantas pessoas tem sido uma coisa absolutamente incrível e definitivamente uma surpresa positiva.

TMDQA!: Quando você olha pra trás, você tem algum momento preferido, algo do tipo?

Stuart: Tantos! De verdade. Eu acho que teve um show em específico, um tempo atrás, que tocamos em Glasgow [na Escócia, país natal da banda] com o The Cure, mais ou menos um ano atrás. Uma das maiores plateias que já vimos, ao lado de uma das minhas bandas preferidas. Isso foi incrível. Mas também o fato de poder ir a países como o Brasil, sabe? Ou outros, como o Japão. Lugares que eu jamais teria a oportunidade de visitar se não fosse pela música. Tantas memórias incríveis.

TMDQA!: E já que estamos falando disso, esse ano também marca 20 anos do lançamento de Rock Action, que acabou sendo um dos seus projetos mais importantes e marcantes. Foi a primeira vez que vocês usaram sintetizadores, né?

Stuart: Sim!

TMDQA!: Você acha que esse disco foi a base para tudo que veio depois? Quão influente você diria que ele foi pra vocês mesmos?

Stuart: Eu acho que definitivamente começou meio que um novo capítulo. Eu acho que esse disco e o Happy Songs for Happy People meio que foram uma grande diferença em relação aos nossos primeiros dois discos, que tinham mais guitarras e tal. Eu tenho muito orgulho desse disco. Foi um momento muito doido pra banda também, um pouco estranho, aliás. É estranho também porque eu acho que esse disco teve uma conexão grande com tantas pessoas, as pessoas perguntam muito sobre ele.

Eu nem tinha pensado que ele estava completando 20 anos, isso é bem legal! [risos]

TMDQA!: Eu descobri outro dia porque estava fazendo uma lista de discos que completam 20 anos agora em 2021! Achei que deveria perguntar, era muita coincidência pra deixar quieto. [risos] Bom, eu ia perguntar se vocês tinham alguma comemoração planejada, mas pelo visto…

Stuart: Olha, a gente tinha um plano de longa data de fazer uma versão deluxe dele. Porque nós gravamos muitas músicas pra esse disco, mas ele acabou saindo como um álbum bem curto, então há na verdade uma quantia considerável de canções desse período que as pessoas nunca ouviram. Também algo tipo um documentário sobre esse tempo, então, definitivamente pensamos em fazer algo sim! Talvez a gente tente fazer esse ano, então, pra ser a celebração de 20 anos. [risos]

TMDQA!: Outra coisa que eu queria saber é sobre a diferença entre escrever para um disco “normal” do Mogwai e para uma trilha sonora. Tudo soa tão diferente! Como vocês fazem pra “virar a chave”?

Stuart: É meio difícil. Às vezes você acaba indo pro lugar errado, às vezes você pensa que vai fazer algo para o disco e acaba fazendo algo pra trilha sonora, ou o contrário. [risos] Eu acho que as músicas de trilha sonora devem ser músicas de fundo, porque é para isso que elas são feitas. Então eu acho que a música tem um foco muito grande nela mesma, tipo uma melodia forte, principal, então acaba sendo para os nossos discos. Mas é bem difícil.

Felizmente, a gente fica bem ocupado então a gente só vai escrevendo. [risos]

TMDQA!: E você tem alguma preferência? Tipo, qual você gosta mais de fazer?

Stuart: Eu meio que provavelmente prefiro mais fazer as coisas com a banda. Encaixa melhor comigo. Mas as pessoas gostam das nossas trilhas sonoras [risos] então a gente acaba tendo que escrever várias e dá muito mais trabalho do que os discos. Mas, pra falar a verdade, eu gosto de ambos. É sempre bem divertido.

TMDQA!: Entendo! Sei que estamos ainda no meio de uma pandemia, mas como estão os planos para vir para o Brasil, trazer esse novo disco pra cá?

Stuart: Eu iria amar. A gente não está fazendo nenhum tipo de plano, né…

TMDQA!: É, eu imagino.

Stuart: Mas eu iria amar. Na nossa última visita ao Brasil eu acho que fizemos apenas um show, então eu adoraria poder voltar e fazer mais alguns shows, passar mais alguns dias por aí. Seria ótimo.

TMDQA!: Definitivamente! Eu acabei não conseguindo ir da última vez que vocês vieram, mas sempre ouço falar que foi incrível. Espero que dê certo logo. E pra fechar, eu sempre gosto de perguntar isso. O nosso site se chama Tenho Mais Discos Que Amigos e eu queria saber: qual disco tem sido seu melhor amigo nesse período tão difícil ou, sei lá, na vida?

Stuart: Tantos, tantos discos! Eu tenho voltado muito ao meu tempo de adolescente, eu era — ainda sou — um grande fã do Nine Inch Nails e eu tenho ouvido muito os primeiros discos deles. Então eu provavelmente diria que é o Pretty Hate Machine, nesse momento!

TMDQA!: Sensacional, Nine Inch Nails é uma das minhas bandas preferidas também! Stuart, muito obrigado por seu tempo. Foi um prazer conversar contigo e espero vê-lo por aqui quando possível!

Stuart: Obrigado, cara! Até mais!

As the Love Continues será lançado no dia 19 de Fevereiro. Você pode fazer a pré-compra do disco por aqui.

 
 
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