2021 chegou e com ele um novo disco do Foo Fighters.

Medicine At Midnight já vinha sendo trabalhado há algum tempo e suas gravações principais aconteceram em 2019, mas aí uma coisinha chamada “pandemia” mudou a vida de toda a população do Planeta Terra para sempre e os planos mudaram.

Pois em 05 de Fevereiro o grupo liderado por Dave Grohl resolveu lançar seu décimo disco, 10 anos após o aclamado Wasting Light, considerado por muitos o melhor álbum de toda carreira dos caras.

E é com muito prazer que hoje trazemos uma entrevista exclusiva do Tenho Mais Discos Que Amigos! em texto e vídeo para falar a respeito dessa nova fase!

 

Foo Fighters – Artista do Mês

O Foo Fighters é o Artista do Mês de Fevereiro no TMDQA! e o nosso editor-chefe, Tony Aiex, bateu um papo exclusivo com Nate Mendel, baixista e membro mais antigo dos Foos após, é claro, seu fundador Dave Grohl.

Na conversa, o músico revelou que tem mais discos que amigos, brincou com o nome do site, falou sobre as origens de Medicine At Midnight, o “engarrafamento” da COVID-19 e novos ares após a eleição de Joe Biden.

Você pode ler tudo isso logo abaixo e nós já vamos dar a dica: siga o @tmdqa no Instagram para ficar ligado sobre quando você poderá concorrer a um belíssimo pôster em versão impressa, numerado à mão, com foto exclusiva para o TMDQA! no Brasil!

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Entrevista Exclusiva

TMDQA!: Oi Nate, como você está?

Nate Mendel: Ei, cara, estou bem, e você?

TMDQA!: Estou bem, onde você está agora?

Nate: Em casa, em Los Angeles.

TMDQA!: Legal! Parabéns pelo novo disco do Foo Fighters, [Medicine at Midnight] é incrível, tenho ouvido muito nos últimos dias. Tenho certeza que também é um momento muito importante para você e para a carreira da banda. É o disco de número 10 e tem todos esses elementos diferentes. Eu gostaria de começar perguntando a você  — este álbum está sendo lançado agora, mas as sessões de gravação começaram em 2019, certo?

Nate: Sim, acho que foi em 2019, terminamos ele há cerca de um ano. Então, agora ele está aprendendo a andar. (risos)

TMDQA!: E você pode nos contar um pouco sobre como tudo começou e como vocês foram afetados pela pandemia? Como o disco começou a ser criado?

Nate: Em primeiro lugar, adorei o nome do seu blog. “Tenho Mais Discos Que Amigos!”. É um blog?

TMDQA!: É um site! Começou como um blog em 2009. E agora é um portal de notícias de música.

Nate: (risos) Eu queria deixar registrado meu apreço pelo nome!

TMDQA!: Significa muito para mim, porque eu o criei naquela época. Então, obrigado!

Nate: De nada! Bem, em 2019, nós fizemos alguns shows e então começamos a pensar em um álbum. Não fizemos nenhuma demo, o que normalmente fazemos, não fizemos demos extensas, nem nos juntamos como banda e realmente trabalhamos tanto nas músicas. Foi mais uma espécie de ideia inspiradora que Dave teve de fazer um disco que ia soar como este. Com uma técnica de produção diferente e um som um pouco diferente. Então conversamos sobre isso de vez em quando, tipo, sim, vai haver um álbum que soará diferente.

Então eu não tinha certeza de como isso iria acabar acontecendo. Mas eu acho que com este, realmente acabou soando um pouco diferente do que algumas coisas que fizemos no passado. E quem sabe como isso acabou acontecendo?

Acho que pode ser a técnica de produção ou o [produtor] Greg Kurstin de novo. Realmente o deixamos trabalhar de uma forma que talvez ele não tivesse feito no último disco. Confiamos mais nele, em seu estilo.

Então, alugamos uma casa em Encino, carregamos um monte de equipamentos pra lá e começamos a construir as faixas uma por uma ao invés de ensaiar as músicas e, em seguida, apertar play e gravá-las. Nós apenas as reconstruímos, sabe, meio que da bateria para frente. E eu acho que isso contribuiu muito para a forma como esse álbum soa.

TMDQA!: E é verdade que vocês sentiram que a casa era mal-assombrada e queriam sair de lá o mais rápido possível?

Nate: Algumas coisas estranhas aconteceram, com certeza. E alguns dos caras ficaram assustados com isso. Eu sou um pouco mais cético. Então sabe, se uma porta bater em uma sala onde não há ninguém nela, por mais assustadora que seja a casa — e aquela casa era realmente assustadora – é mais provável que eu pense, ‘Ok, acho que alguém ligou o ar condicionado’.

Mas quem sabe, né?

TMDQA!: E você disse que a banda queria gravar um álbum diferente. Esse disco foi descrito como um trabalho mais voltado para a dança ou um disco mais acelerado, e eu pude ouvir isso. Eu peguei essa vibe em algumas das faixas, mas não em todas. Tem uma vibe do Pop ali, mas também tem guitarras barulhentas e ótimas baladas. E eu queria saber se… quando vocês começaram a fazer um disco mais diferente com isso em mente, vocês já queriam uma abordagem pop ou dançante? Ou não, ele só tinha que ser diferente de tudo o que vocês já fizeram, ponto final?

Nate: Sim, quero dizer, ainda somos os Foo Fighters, certo? É uma banda de Rock, e vamos tocar com guitarras e bateria de verdade. Então estamos enraizados nisso. Temos um pé nisso e depois um pé em algo mais experimental, sabe, mais alternativo. Não quero dizer dançante, mas algo que não tenha tanto a nossa cara.

Então a ideia era meio que essa, achar esse meio termo interessante. Eu acho que se fôssemos fazer um álbum totalmente dançante, provavelmente teríamos que fazê-lo sob um pseudônimo.

Essa seria a maneira inteligente de fazer algum tipo de projeto que fosse pra esse lado.

TMDQA!: Entendi. Eu realmente gosto de uma música chamada “Cloudspotter” porque ela meio que mistura tudo que eu disse que o álbum tem. Tem a parte de dança, tem a parte pesada, tem as partes que me lembram as bandas que você, Chris e Pat estavam antes do Foo Fighters. E o disco como um todo tem essa estrutura. Começa com aqueles ótimos na-na-na’s e você já dança imediatamente quando ouve a primeira música. Mas também tem a vibe Motörhead e aquelas baladas que o Dave canta tão bem. Eu gostaria de saber para vocês, quando vocês terminam um disco, como escolhem a tracklist final?

Nate: Quando você diz escolher uma tracklist, você está falando no disco ou o que tocamos ao vivo?

TMDQA!: A sequência do disco. Como você encaixa uma balada com uma canção mais pesada, encaminhando pra algo mais dançante, por exemplo?

Nate: Sabe, hoje em dia você contrata empresas de consultoria para esse tipo de coisa. Quer dizer, nós terceirizamos isso, há empresas que fazem. E é uma decisão muito importante para deixar meros músicos ​​lidarem com isso. (risos)

Mas falando sério, quando Dave está escrevendo, ele – e você sabe, provavelmente a maioria dos compositores faz isso -, mas quando ele está escrevendo, ele já pensa sobre a sequência do álbum e que tipo de músicas o álbum precisará ter pra ser equilibrado. E onde elas podem se encaixar em uma sequência. É um processo bastante holístico. Ah, e também quais músicas vão funcionar bem ao vivo.

Se você está fazendo o seu trabalho certo, você já pensa holisticamente sobre uma música e como ela vai viver num disco, e onde ela se encaixaria em um set ao vivo. Se realmente ela chegaria até lá e como se comportaria para uma grande plateia em um show.

TMDQA!: E pensando nisso, como foi para vocês pensarem nessa questão quando não podemos ir aos shows? Por causa da pandemia, claro.

Nate: Não gosto dessa situação. (risos)

TMDQA!: Porque tenho certeza de que vocês pensaram ‘Nossa, essa música vai soar tão bem em um estádio lotado no Brasil’. E você não pode nem tocar. Então, como conseguiram pensar nisso?

Nate: Sabe quando você está fazendo uma viagem e está na estrada, e de repente começa a ver as luzes do freio [dos carros da frente]? O que você faz, você desacelera, certo?

E é aí que estamos agora, você sabe, ainda estamos na rodovia, ainda temos um destino. E vamos passar por esse engarrafamento muito em breve.

TMDQA!: Tomara! Enquanto baixista, quando se trata de fazer aquelas músicas dançantes, o baixo e a bateria são partes realmente importantes para que elas soem como uma música pop, se é assim que estamos chamando. E podemos ouvir isso perfeitamente na faixa-título, por exemplo. Eu gostaria de saber sobre você, especificamente, como é para você essa nova abordagem no baixo? Que tipo de música você estava ouvindo quando gravou este álbum?

Nate: Coisas tipo Chic, ou Bee Gees ou Sly and the Family Stone. Eu sabia que teria que passar por coisas como John Entwistle ou algo assim, que é mais como um baixo de blues. Como não sou um baixista de blues, não sou bom em tocar assim. Mas eu tenho bastante experiência nisso, tipo, eu gosto de me inspirar nos verdadeiros mestres do groove. E tentando não ser muito técnico, mas para mim, assim como no Rock, o comprimento das notas não é muito importante para orientar o groove. Eu tive que aprender isso, ainda estou chegando lá. Quer dizer, tenho sempre que me certificar de começar a tocar a nota no tempo certo. E isso nem é tão importante quanto ter certeza de parar a nota no momento certo. Então essa era, para mim, a lição que eu precisava aprender.

Uma outra novidade para mim é que eu toquei com os meus dedos também, que pode ser melhor que tocar com palheta às vezes.

TMDQA!: Ah, que bom. Isso é legal. Algumas semanas atrás, vocês lançaram um vídeo chamado ‘Times Like Those’, onde todos vocês se sentaram na mesma sala e viram fotos antigas. E você é o membro que está na banda há mais tempo depois de Dave Grohl, certo? Então, como foi para você revisitar todos aqueles tempos, e todas aquelas fotos e todos aqueles shows e tudo que você passou nos últimos 25 anos?

Nate: É como olhar fotos antigas de família. Você pode ver o passar do tempo em nossos rostos. (risos) Isso é engraçado. E então é interessante apenas fazer sua memória correr um pouco, eu não costumo voltar e olhar essas fotos.

Você vê nas fotos coisas de que talvez tenha esquecido também, e isso refresca sua memória e faz você perceber que — não que eu precisasse ser lembrado -, mas realmente coloca tudo no centro. Todas as coisas que passamos, todos os lugares que já estivemos e todas as experiências que tivemos.

Foi legal lembrar, foi divertido, e eu gostei.

TMDQA!: E nós gostamos também, vimos muitas fotos que acho que foram mostradas pela primeira vez! Houve brasileiros envolvidos também, do fansite Foo Fighters Brasil, então foi muito bom para nós.

Bem, estamos quase no fim do nosso tempo de entrevista mas gostaria de lhe perguntar isso antes de irmos. Joe Biden acaba de tomar posse e é o novo presidente dos Estados Unidos. E vocês tocaram “Times Like These” no evento online de inauguração. Em todo o mundo, aqui no Brasil inclusive, temos essa sensação de que as coisas podem melhorar agora que Joe Biden está no comando. Como você se sente sobre isso? Como você se sente sobre o futuro dos EUA e do mundo?

Nate: Ah, hum… sabe, estou otimista. Claro, eu sinto que temos… problemas aqui nos Estados Unidos, e temos lutado contra eles com uma mão amarrada nas costas. E muitas vezes a nossa mão livre está socando as nossas caras.

TMDQA!: Sei como é. (risos)

Nate: Só de poder lutar com as duas mãos, de uma forma proposital, não posso deixar de pensar que será mais fácil seguir em frente.

TMDQA!: Isso é incrível. Espero que tenhamos o mesmo aqui no próximo ano. Realmente espero por isso.

Nate: Sim, eu também. E eu sei que não tem sido fácil.

TMDQA!: Bem, por último, mas não menos importante, gostaria de agradecer por falar conosco. E já que você mencionou nosso nome, gostaria de perguntar se você, Nate Mendel, tem mais discos do que amigos.

Nate: Uuuh… sim. (risos)

TMDQA!: Mais vinil ou CDs?

Nate: Mais vinil do que amigos. Bem que eu gostaria de ter tantos amigos assim.

TMDQA!: Ah, bem, não sei se eu queria isso. Porque na maioria das vezes, os discos são meus melhores amigos. Eu não sei para você!

Nate: Às vezes. (risos)

TMDQA!: Bem, muito obrigado, Nate, foi muito bom conversar com você. E o disco é ótimo. Espero que vocês possam pegar a estrada logo e possamos ver um monte de ótimos shows do Foo Fighters aqui no Brasil. Muito, muito em breve.

Nate: Foi bom falar com você também! E concordo, dedos cruzados para que as coisas possam voltar ao normal. Para que possamos nos reunir em uma grande sala e ouvir um pouco de rock.

 
 
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