Foo Fighters - Medicine At Midnight
 

Em 2020, muito se falou sobre a importância de discos bons e dançantes para deixar mais leve o peso de uma pandemia sem fim — e, em uma onda nostálgica na qual o Pop resgatou os anos 80 e 90, não faltaram álbuns incríveis.

A gente até sabia, mas talvez não queria acreditar, que 2021 teria necessidades e um clima pesado muito parecidos. Mas quem diria que, seguindo nomes como Dua Lipa e Miley Cyrus, o Foo Fighters seria o responsável por inaugurar esta modalidade musical dos tempos “anormais” neste ano? Bem, Dave Grohl disse.

Já tem pelo menos dois anos que Medicine at Midnight vem sendo prometido com um baita spoiler pelo vocalista. Desde que veio ao Brasil em setembro de 2019, quando o mundo ainda era mundo, Dave e sua banda avisaram que estavam trabalhando em um disco dançante, muito diferente de tudo aquilo que já fizeram. Só que o problema dessa afirmação mora no seguinte fato: a gente já ouviu essa promessa antes. Okay, talvez não do disco dançante, mas de que consumiríamos algo muito diferente e inovador… e aí não aconteceu.

Depois de “ressuscitar o Rock” com o aclamado Wasting Light (2011), há longos 10 anos, o Foo Fighters entregou trabalhos repletos de promessas grandes e belas, mas sem cumprir muita coisa. Sonic Highways, de 2014, veio acompanhado de uma série incrível na HBO e uma proposta gigante, mas entregou uma tracklist fraca e de músicas confusas. Concrete and Gold, de 2017, veio repleto de participações especiais que ninguém conseguiu ouvir — até Paul McCartney estava ali escondido. Sustentado por suas grandes turnês e a onipresença de Dave Grohl, o grupo se manteve com muito esforço no pedestal que conquistou com uma discografia cada vez mais distante. É aqui que entra a expectativa — ou a falta dela.

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Medicine at Midnight, a redenção do Foo Fighters

Medicine at Midnight chega com a “vantagem” de não ser tão aguardado quanto seus antecessores, e com a desvantagem de ser um disco ótimo lançado no meio de uma pandemia. Sim, o 10° álbum do Foo Fighters é ótimo, e melhor ainda, é até mais que aquilo que Grohl tanto prometeu em um milhão de shows e entrevistas.

Bebendo direto das fontes de David Bowie, Motörhead, Queen e da própria sonoridade da banda, o disco não dá muitas voltas para alcançar seu objetivo de ser divertido, dançante e, ainda assim, um álbum de Rock. A voz rasgada de Grohl e os riffs de Chris Shiflett continuam presentes, como em faixas no estilo de “No Son of Mine” — porém, agora acompanhados de músicas incríveis como “Cloudspotter” e “Holding Poison”, cheias de elementos e vocais puxados no Pop, lembrando até hinos como “Let’s Dance”.

Em meio às habituais baladas (“Waiting on a War”) e suas guitarras agressivas, o Foo Fighters finalmente se entregou ao luxo de pirar no estúdio, coisa que eles juram fazer há anos. Se entregou, também, a fazer músicas engraçadas, leves, sem carregar o fardo de manter o Rock pesado (er…) vivo em pleno 2021. Para uma banda que vive protagonizando vídeos hilários, fazendo piada no palco e zoando a si mesma, Medicine at Midnight chega com anos de atraso, mas em boa hora. Em ótima hora.

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Se você não curtiu tanto os singles lançados antes do disco, que chega nesta sexta-feira (5), não se acanhe.

Já tem um tempo que a banda de Dave Grohl peca na hora de escolher as faixas que vão divulgar seus trabalhos, e acaba escondendo verdadeiras pérolas que mereciam mais atenção ali no meio. Talvez essa seja a tática do grupo para manter viva a magia de ouvir um disco completo, não sei. O que sei é que a melhor coisa que o Foo Fighters fez nos últimos anos foi se jogar de cabeça no desconhecido. Finalmente.

Arraste os móveis da sala, coloque uma roupa confortável e ouça Medicine at Midnight na sua plataforma de streaming favorita.

Artista do Mês TMDQA! – Fevereiro

Em tempo: o Foo Fighters é o Artista do Mês de Fevereiro no TMDQA! o que significa que teremos podcast, vídeo e uma entrevista exclusiva com a banda publicada amanhã (05) no lançamento do álbum.

 
 
REVIEW GERAL
Nota
9
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