Ravi Shankar
Foto via Wikimedia Commons
 

Em 11 de Dezembro de 2012, o mundo perdia um dos maiores nomes da música indiana na história.

Ravi Shankar, que se tornou basicamente o maior nome da cítara — tradicional instrumento do país — internacionalmente, faleceu durante uma cirurgia no coração em San Diego, na Califórnia. Mas seu legado ficou extremamente vivo, e de formas que talvez você nem imagine.

Muito conhecido por suas colaborações com George Harrison, ele é creditado como uma das grandes influências para a carreira do ex-Beatle, que se aproximou muito da espiritualidade e musicalidade da Índia.

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Ravi Shankar e George Harrison

Foi graças a ele que George conheceu a cítara e outros elementos da música de seu país, canalizando tudo isso nas canções dos Beatles que tomaram conta do mundo nos anos 60, como “Norwegian Wood (This Bird Has Flown)”.

Em uma declaração sobre esse aspecto da vida do marido, Olivia Harrison afirmou:

Quando o George ouviu a música indiana, esse realmente foi o gatilho, foi como se um sino tivesse tocado em sua cabeça. Não só despertou um desejo de ouvir mais música, mas também de entender o que estava acontecendo com a filosofia indiana. Era uma distração única.

George teve aulas com o próprio Shankar, visitando a Índia em 1968 para isso — há gravações em vídeo desse momento, como você pode ver mais abaixo. A relação entre os dois se aprofundou em anos seguintes: em 1971, Harrison organizou o Concert for Bangladesh e convidou o mestre da cítara.

Ainda naquela década, os dois gravaram o disco Shankar Family & Friends (1973) e fizeram uma turnê pela América do Norte. O ex-Beatle chegou até a atuar como editor da segunda autobiografia de Ravi, Raga Mala.

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Relação com Norah Jones

Outro aspecto pra lá de curioso e por vezes desconhecido de Shankar é que ele é o pai da cantora Norah Jones, que na verdade se chama Geethali Norah Jones Shankar. A relação dos dois, entretanto, foi bem curiosa enquanto ele esteve vivo.

Norah foi fruto de um caso extraconjugal de Ravi com Sue Jones, uma produtora de shows de Nova York, mas eventualmente o músico indiano se juntou à mãe da cantora por cerca de 5 anos. Ainda assim, Norah sempre deixou o assunto em segundo plano durante entrevistas, chegando a dizer que seu pai “não tem nada a ver” com ela ou com a música que faz.

No entanto, uma fala ao The Observer em 2002 pode ser destacada como a mais esclarecedora sobre a relação dos dois:

Ainda que eu ame muito o meu pai, eu de fato só passei uma fração da minha adolescência perto dele. É provavelmente por isso que eu tento diminuir a nossa relação na imprensa.

De fato, Norah nasceu em 1979 — quando Ravi já tinha 59 anos — e ele só esteve com Sue entre 1981 e 1986.

Anoushka Shankar

Mais ainda, ele ainda teve outro caso nesse período que deu origem a Anoushka Shankar, sua filha mais nova, em 1981. Com ela, que também é artista, a relação foi mais próxima (ele se casou com a mãe de Anoushka em 1989) e os dois chegaram a se apresentar juntos no último show de Ravi em 2012.

As duas meio-irmãs, aliás, se dão bem e têm até músicas em conjunto — o disco Traces of You, lançado por Anoushka em 2013, traz três colaborações entre as filhas de Ravi. Você pode ouvir uma dessas canções a seguir, bem como ver uma performance incrível de Ravi e Anoushka juntos.