YOÙN
Foto: Divulgação
 

Seja na Baixada Fluminense ou em qualquer outro lugar do Brasil, quem ainda não ouviu falar na dupla YOÙN está dando mole. Carregando brasilidades em seus sons, os amigos de infância Gian Pedro (GP) e Alisson Jazz (Shuna) vão do clássico ao contemporâneo em seus arranjos e melodias. Desde 2019, foram quatro envolventes singles disponibilizados.

Antes disso, o duo costumava marcar presença na linha Japeri, uma das mais “populares” da rede ferroviária do Rio de Janeiro, entre as estações Nova Iguaçu e Central do Brasil. Mesclando talento e criatividade musical, eles entretinham seu público com suas breves (mas reconfortantes) apresentações. O passar do tempo deu a oportunidade de fazer com que seus sons chegassem a uma quantidade maior de pessoas. O maior exemplo disso foi disponibilizado recentemente e chama-se “Besteira“.

A canção, uma ilustríssima parceria com o trio Gilsons (formado por Fran, José Gil e João Gil), é um sopro de paz e de reflexão em tempos turbulentos. Com produção de Carlos do Complexo, trata-se de uma reflexão sobre deixar de lado o que os outros pensam em prol da liberdade de ações e de sentimentos. Violão, tambores, violino e mais elementos se unem em uma estética única que mescla jazz, afoxé e house music.

 

“O sonoro e o audiovisual como dois lados de uma mesma moeda”

Com o apoio do belo vídeo dirigido por Philippe Rios, “Besteira” traça um paralelo interessante entre ancestralidade e afrofuturismo. Danças, cores, figurinos e instrumentos fazem referências ao passado e ao futuro, reforçando que trata-se de uma canção, de fato, atemporal. É uma homenagem aos talentos locais da juventude negra, que muito tem a nos oferecer artisticamente.

Sobre isso e muito mais, tivemos a oportunidade de fazer algumas perguntas para a dupla. Conversamos sobre a nova música, sobre a evolução artística da dupla e sobre perspectivas para o futuro. Confira após o vídeo:

TMDQA!: Como surgiu a oportunidade de lançar essa parceria com os Gilsons?

YOÙN: A parceria com os Gilsons se iniciou a partir do momento em que decidimos a música e começamos a pesquisar quais seriam as sonoridades e sensações que queríamos passar. Dentro disso, começamos com um esboço de house, a partir de uma base do Carlos do Complexo, com elementos percussivos. Montada essa base, entramos em contato com os Gilsons para misturar e experimentar com nossas ideias. A ideia é que cada novo som nosso traga uma experiência nova para o público.

TMDQA!: Instrumentalmente, a canção traz novos elementos para o som de vocês, que dão origem a uma mistura muito legal. Temos ritmos brasileiros e ainda referências da house music. Como foi explorar esses novos territórios? Vocês pretendem adotar mais abordagens musicais diferentes nos próximos lançamentos?

YOÙN: O nosso contato com a house music vem de referências contemporâneas. Artistas como Anderson .Paak, GoldLink, Cajmere e Dajae estão tocando constantemente no nosso cotidiano. Foi incrível, a cada sessão de gravação, conseguir incorporar essas referências. Isso nos deu uma sensação de renovação. Com certeza pretendemos experimentar coisas novas. Felizmente, os gêneros com os quais nossa música dialoga nos permitem inovar a cada produção e perpassar diferentes sonoridades. Nós estamos em constante mudança, assim como nossa música.

TMDQA!: Como foi idealizado o clipe e esse diálogo entre a ancestralidade e o afrofuturismo? Como isso aparece na letra da música?

YOÙN: Assim que o house cresceu na música, pensamos logo no Philippe Rios. Além dele ter produzido “Meu Grande Amor”, sua identidade é marcada pelas cores que conversam muito bem com o tema afrofuturista que visualizamos. Fizemos, então, um roteiro-base em formato audiovisual usando clipes, fotografias e GIFs, montando um “miniclipe”. Enviamos para o Phelipe, que comprou a ideia e deu uma outra cara para a nossa visão. Enxergamos o sonoro e o audiovisual como dois lados de uma mesma moeda. A partir disso, rolou uma troca entre nossas ideias e referências. Quanto à letra, ela não necessariamente tinha um viés afrofuturista no começo. Tudo foi um processo de construção e evolução que culminou no que vocês viram no clipe.

 

“A pandemia nos obrigou a compor por WhatsApp”

TMDQA!: Ainda sobre parcerias, vocês se inspiram muito na obra do Djavan, certo? Se tivessem a oportunidade de gravar com ele, para que direção vocês acham que a sonoridade caminharia? Com quem mais vocês gostariam de ter a oportunidade de lançar uma parceria?

YOÚN: Somos muito receptivos a novas sensações. Trabalhar com o Djavan seria um sonho, que felizmente está cada vez mais próximo da realidade. Sendo sinceros, é impossível tentar descrever o que sairia de uma produção com o Djavan. A música em si não sabe pra onde vai. Nós também não sabemos pra onde iríamos, ainda mais trabalhando com o mestre. Além dele, adoraríamos trabalhar com o Seu Jorge. Ele é um artista completo com uma história de vida incrível. Ele ainda é da Baixada, assim como nós. Quanto aos artistas gringos, teríamos que nos dividir, no presente momento, entre  Tyler The Creator (Alisson) e Common (Gian).

TMDQA!: É muito legal ver a química entre vocês dois enquanto dupla musical. Como funciona o processo de criação entre vocês? E como esse processo se difere quando outras pessoas estão envolvidas na composição, como foi o caso agora com os Gilsons?

YOÙN: As músicas costumam nascer a partir de trocas nossas. Nós pegamos um violão e vamos jogando letras em cima de melodias e harmonias. Fazemos isso de forma que nos sintamos à vontade para deixar acontecer. Atualmente, estamos em processo de produção de músicas que já foram escritas. Com a distância da pandemia, tivemos que nos adaptar também, enviando um para o outro as nossas ideias pelo celular. Em tempos normais, faríamos a composição juntos, ao vivo, assim como foi com o Delacruz [na parceria “Tudo Azul”]. No entanto, a pandemia nos obrigou a compor por WhatsApp.

 

“Todos precisamos de arte”

TMDQA!: As apresentações de vocês nos trens do Rio eram um presente para as pessoas no meio de suas jornadas caóticas de todo dia. Afinal, todos nós precisamos de arte, certo? Agora, com os lançamentos oficiais de vocês, sinto que o mesmo continua sendo feito. Como é sentir que estão contribuindo de forma positiva para o dia de seus ouvintes?

YOÙN: Todos precisamos de arte. Assim como no trem e no metrô, nós sempre nos propomos a trazer um som com características próprias. Misturávamos Kelly Key com Stevie Wonder e esperávamos trazer uma distração para o povo. Agora, a arte está devolvendo pra gente esse intuito de levar coisas boas. Com lançamentos oficiais, temos mais alcance e maiores chances de emanar energia boa para as pessoas em momentos difíceis.

TMDQA!: Dessa época, das apresentações nas linhas de trem, até hoje, como vocês avaliam a evolução de vocês enquanto pessoas e enquanto artistas?

YOÙN: A verdade é que ainda estamos em evolução. Desde os trens para cá, fomos compilando experiências a cada lançamento. Nas primeiras gravações, não tínhamos a segurança de hoje. A voz ficava muito desgastada no metrô, influenciando também na qualidade da música. “Nova York” foi o marco, no qual deixamos o metrô para irmos em direção ao futuro. Mas “Besteira” acaba sendo um marco também, pois estamos em um novo ciclo, conhecendo novas pessoas e abrindo novos caminhos, sempre entregando nosso melhor.

 

“Nada é impossível”

TMDQA!: Por falar em próximos lançamentos, o que o futuro do YOÙN nos reserva? Podem adiantar algo sobre os próximos passos da dupla?

YOÙN: Temos muitos planos pro futuro, embora não saibamos o que nos aguarda. Estamos trabalhando bastante para realizar nossos projetos com qualidade e entregar ao público o nosso melhor. Como dissemos antes, temos várias músicas antigas que estão sendo trabalhadas e, em breve, lançaremos nosso primeiro álbum. Estamos ansiosos para mostrar o resultado a vocês.

TMDQA!: Alguma consideração final?

YOÙN: Estamos muito felizes por termos realizado esse trabalho sendo de onde somos. Queremos servir de inspiração pra galera da Baixada, para que eles também possam correr atrás e alcançar seus sonhos. Nada é impossível. Em especial, queremos agradecer todo o apoio de nossos familiares, amigos e pessoas que acompanham nosso trabalho desde o início. Também queremos agradecer à AUR, que acreditou na gente, à JOINT Music, que investiu no nosso som, à Rahiza que sempre esteve ao nosso lado e ao Will que está sempre no suporte. Um salve também pro pessoal do trem e do metrô, que dividiram o palco da rua conosco. Esse tempo foi fundamental pro nosso crescimento!

 
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