Ana Carolina e a capa do disco de estreia
 

Em 1999 a cantora Ana Carolina lançou o seu disco de estreia.

Homônimo, o álbum colocou o nome (e a voz) da jovem artista mineira no mapa quando ela tinha 25 anos de idade e rapidamente a credenciou para estar em uma lista com as maiores promessas do que a música brasileira produziria nos anos seguintes.

Acontece que tudo isso foi possível principalmente por conta de uma das 15 faixas do disco, lançado então em CD, e é claro que estamos falando de “Garganta”.

Ana Carolina e “Garganta”

É notório que uma música de projeção tão grande tenha uma conexão tão próxima entre título e intérprete. Ao final de contas, como não conectar o grande hit ao vozeirão de Ana Carolina e, obviamente, à sua garganta?

Acontece que tudo isso é mais uma soma de elementos a uma canção que não foi escrita por Ana, mas sim Antonio Villeroy, compositor também responsável por outra faixa do álbum com “Tô Saindo”.

O gaúcho compôs a canção inspirado justamente em Ana Carolina, como o próprio falou em uma entrevista de 2002:

Diz-se que toda obra de arte é 10% inspiração e 90% transpiração. A inspiração é uma bênção, algo que nem sempre vem e que mesmo sem ela, às vezes somos obrigados a buscar, labutar, transpirar para realizar uma simples canção, que nem mesmo podemos chamar de obra de arte, mas que acaba tendo uma função, trazendo algo de bom ou inquietante para as pessoas. Os gregos falavam do Monte parnaso, onde encontravam-se as musas, de quem buscavam sua inspiração. Muitas vezes Homero, na Odisséia, ou Virgílio na Eneida e Dante na Divina Comédia, clamam pelas musas para tornar mais belo ou leve o estilo, quando querem cantar um momento importante em suas obras. Voltando à nossa realidade, século 21 no Brasil, Garganta foi inspirada na própria Ana Carolina. Ana foi a musa. De resto são as nossas vivências que determinam. É preciso para isso viver intensamente, pelo menos é assim que penso e assim que vivo.

Não à toa, a intérprete colocou corpo e alma na canção, como é possível captar através da sua gravação, e fica bastante nítida a impressão de que letra, canção e interpretação nasceram juntas, como uma unidade só.

Disco Repleto de Grandes Nomes

Em tempo, o álbum de estreia da cantora é repleto de grandes autores.

“Nada Pra Mim”, por exemplo, foi escrita por John Ulhoa (Pato Fu), e “Tudo Bem” é uma canção do mestre Lulu Santos.

Outra faixa do disco, “Agora Ou Nunca”, foi escrita por Arnaldo Antunes, Sérgio Britto e Marcelo Fromer, todos membros dos Titãs, sendo que “O Melhor de Mim” é uma parceria de Frejat com Paulinho Moska e Dulce Quental.

Por fim, “Beatriz” é uma obra de Chico Buarque com Edu Lobo e a gente vai parar por aqui de exaltar todas as peças que fazem desse um lançamento imprescindível para você sacar por aí 21 anos após seu lançamento.

O melhor a fazer, sem dúvidas, é apertar o play!

Depois disso, ouça o episódio especial do Podcast Tenho Mais Discos Que Amigos! onde falamos sobre essas e outras canções emblemáticas da MPB. O player está ao final do post!

LEIA TAMBÉM: Zé Ramalho, Fagner e um encontro que curou almas na pandemia