Gustavo Arruda e Sapulha Campos, do Plutão Já Foi Planeta
Foto por Rafael Ferreira
Ouça nova versão do disco ao vivo do Pink Floyd!  

A pandemia da COVID-19 pegou o mundo todo de surpresa e obrigou músicos e profissionais da cadeia produtiva da cultura a buscar maneiras de se reinventar no novo cenário de distanciamento social.

Para Sapulha Campos e Gustavo Arruda, ambos guitarristas da banda Plutão Já Foi Planeta, a situação acabou sendo uma oportunidade para colocar em primeiro plano um projeto que já vinha se desenvolvendo em paralelo à banda.

Nos últimos meses, os dois estão à frente da Agulha Produções, uma plataforma de produção musical dedicada a produzir, lançar e divulgar o trabalho de novos artistas.

O TMDQA! bateu um papo exclusivo com Sapulha e Gustavo sobre os próximos lançamento da Agulha Produção, a troca criativa com os artistas no estúdio e sobre o EP Risco de Sol, lançamento mais recente do Plutão Já Foi Planeta que homenageia os compositores do Rio Grande do Norte, estado natal da banda que foi atração do Vans Apresenta: Festival Tenho Mais Discos Que Amigos! e Powerline.

TMDQA!: Onde o Plutão estava quando a pandemia começou? Como o isolamento social afetou os projetos e planos da banda?

Gustavo: Estávamos no meio das gravações do nosso terceiro disco. A ideia era lançar ainda  em 2020. Tínhamos a base de 14 músicas já gravadas, com bateria e baixo. Mas aí veio a pandemia e paramos esse trabalho por aí. Infelizmente, com o distanciamento social ficou impossível o deslocamento da gente até o estúdio pra poder terminar tudo. Estamos loucos pra voltar com força total, retomar o trabalho de onde paramos. O disco tava num caminho muito bom e a gente não quer perder essa energia que tava rolando.

TMDQA!: Vocês sempre foram uma banda acostumada a fazer muitos shows, então imagino que essa situação de isolamento social também tenha trazido impactos econômicos para vocês. O que vocês fizeram para poder se reinventar e continuar produzindo?

Sapulha: Eu e Gustavo decidimos que seria o momento perfeito pra poder dar um gás na nossa produtora, a Agulha Produções. A gente já fazia alguns trabalhos antes, mas foi nesse momento da pandemia que a coisa começou a andar mais. Entramos em contato com alguns artistas, outros já tinham trabalhos em andamento. E agora estamos tocando o projeto com força total. Aliás, acho até que esse trabalho com a produtora veio até como uma maneira de matar a saudade do trabalho musical. Foi uma maneira que a gente encontrou de continuar esse contato com o mundo da música. Aproveitamos esse momento pra cultivar coisas novas e agora a Agulha faz parte do nosso dia a dia.

TMDQA!: Quais são alguns dos artistas com quem vocês vêm trabalhando?

Sapulha: Há alguns dias tivemos o primeiro lançamento oficial nas plataformas musicais da Versos Polaris, projeto da cantora e compositora Nathalia Lobato, lá de Belém. Entre os próximos que estão em estúdio com a gente ou têm material em fase de finalização para sair em breve posso citar Vagnão, Livia Mendes, Jê, Pedro Souza.

São artistas de estilos diferentes e de lugares diferentes do Brasil também. Quase todos lançando seus primeiros trabalhos, começando uma história nova. Tem muita coisa legal vindo por aí e pra gente tem sido um processo muito rico conhecer e poder trabalhar com esses artistas.

Gustavo: Legal falar também que na Agulha gente faz outras coisas além da produção em estúdio da faixa. Também ajudamos a publicar as músicas nas plataformas de streaming, e oferecemos serviços de assessoria de comunicação e gerenciamento organizacional de redes sociais. Tudo isso acrescenta também à nossa vivência na música, e só aumenta nosso campo de atuação.

TMDQA!: No que o trabalho do produtor difere do trabalho do músico dentro do estúdio? Vocês procuram colaborar, criar um diálogo com os artistas que estão produzindo, trazem referências?

Gustavo: Nosso papel dentro do estúdio é somar. Trazer a nossa assinatura, visão e referências para ajudar a fortalecer o trabalho do artista. É claro que isso precisa ser feito de uma maneira sutil e respeitosa, sem tomar o lugar da identidade do artista. Esse diálogo acontece, e é fundamental para que as coisas deem certo e fluam bem. O estúdio é um ambiente imprevisível e às vezes acabam acontecendo coisas inesperadas lá dentro, ideias que surgem na hora e que também vão parar na música. É muito bacana quando essa mágica acontece.

TMDQA!: Vocês já têm quase 10 anos de estrada e nesse tempo, vimos o mercado da música passar por muitas mudanças. Olhando pro cenário hoje, vocês acham que está mais fácil ou mais difícil para um artista novo se apresentar ao público e ao mercado? Existem mais portas de entrada ou essa variedade de opções mais atrapalha do que ajuda?

Sapulha: A gente ainda pegou o finalzinho daquela época mais utópica da internet como ferramenta da democratização da música e da informação no geral. Naquela época, bastava postar algo para atingir um público amplo de forma bem direta. Isso foi bem empolgante no começo e ajudou muita gente a mostrar o seu trabalho de maneira independente. Mas, como sempre, o mercado deu um jeito nisso aí. Hoje em dia tá mais difícil. Não em todos os sentidos, claro. Hoje você pode até gravar em casa com uma qualidade OK, e com apenas alguns cliques colocar o trabalho no mundo. O problema é como as pessoas vão ter acesso a isso. A informação tá lá, mas você tem que jogar junto do mercado pra fazer com que sua música chegue nas pessoas.

TMDQA!: O EP novo do Plutão, Risco de Sol, já estava pronto antes da pandemia ou vocês finalizaram à distância, em quarentena?

Sapulha: Estava, digamos, semipronto. Gravamos tudo no Estúdio Dosol em Natal, mas precisamos fazer alguns reajustes aqui em São Paulo no mesmo estúdio onde estávamos gravando nosso terceiro disco. Nós temos uma parceria com o DG Estúdio aqui em São Paulo.

Quando fazemos o trabalho de produção, é tudo lá. E nesse período também estendemos essa parceria pro Plutão. Foi assim que conseguimos terminar, mesmo ele sendo quase que inteiramente feito lá em Natal. Aqui fizemos algumas regravações e a mix e máster com nosso produtor e parceiro Rodrigo Cunha. Era para o EP ter saído bem antes, acompanhado logo em seguida pelo disco, mas aí tudo mudou.

TMDQA!: O repertório do EP tem uma inédita, e mais quatro versões de compositores potiguares de estilos e épocas diferentes. O que motivou a escolha do repertório, além de serem todos conterrâneos da banda?

Sapulha: A gente fez uma grande seleção pra poder tirar essas que ficaram no EP. A gente
sempre falou sobre as músicas de artistas potiguares que a gente gostava, e quando veio a ideia do EP foi mais fácil colocar tudo ali. “Esses Meses” (Androyde Sem Par), por exemplo, é uma música que a gente sempre curtiu. A gente fez shows com o Androyde pelo Nordeste e sempre ficávamos na frente do palco pra ouvir essa música. Ela já veio automaticamente pra lista, já nasceu dentro. As outras também foram nesse rumo, são artistas que admiramos. A gente vê muito show junto, então temos muita coisa em comum.

A música do Fernando Luiz, “Quem Ama Perdoa”, a gente também já curtia e pensamos que podia ser interessante fazer uma versão diferente. Fernando é um cara presente na nossa carreira desde o começo da banda. Nossa primeira aparição na TV foi em um programa dele. Então foi uma maneira também de homenageá-lo.

TMDQA!: E para 2021, quais são os próximos passos da banda e da Agulha?

Gustavo: A gente espera muito tá com o disco pronto pra lançar e poder fazer shows. Esse sempre foi que moveu o Plutão até hoje. A gente é banda de palco. É o que a gente curte fazer. E em relação a Agulha, a gente quer somar cada vez mais. Tanto com os artistas que já temos na produtora quanto com os novos que vão chegar. É muito bom ver o crescimento deles, o surgimento no mercado musical. E é com isso que a gente pretende se mover pra colocar cada vez mais esses trabalhos no mundo! Tomara que 2021 a gente consiga colher muita coisa que ficou parado nesse período de pandemia. Agora é torcer pra que tudo dê certo e vamos de muita música!