Kanye West
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Polêmico e genial, Kanye West tem uma das discografias mais interessantes dos últimos anos.

O rapper mudou de estética muitas vezes durante sua trajetória e com essas mudanças vieram críticas, aclamações, prêmios e tudo mais que você puder imaginar. Ao mesmo tempo em que ocorreu toda essa confusão, a caminha de Kanye se encaixa perfeitamente e é quase como se um disco levasse ao próximo naturalmente.

Por isso, resolvemos revisitar o catálogo do rapper e, deixando um pouco de lado a cronologia que ajuda a explicar tudo que rolou em sua carreira, ranqueamos seus discos do pior ao melhor.

Confira a seguir!

ye (2018)

Não é como se ye fosse um disco totalmente ruim, mas é um atestado à confusão do período que Kanye vivia (e ainda vive, de certa forma).

Parte de um projeto que incluiu lançamentos de Nas, Teyana Taylor, Pusha-T e KIDS SEE GHOSTS, ye definitivamente aparece como o mais fraco do grupo e, apesar de alguns destaques como a atmosférica faixa de abertura “I Thought About Killing You” e “Ghost Town”, que lembra os momentos do auge de Kanye, os 24 minutos de álbum não parecem uma experiência completa, muito menos concisa.

JESUS IS KING (2019)

Por toda a bagunça que envolveu JESUS IS KING, o disco até surpreendeu com uma sonoridade bem interessante em alguns momentos.

A abertura é incrível, explorando o coral do Sunday Service com maestria, e alguns destaques como “On God” caíram no gosto de muita gente. Agora, “Use This Gospel” aparece em outro patamar, entrando como uma das 10 (ou pelo menos 20) melhores canções da carreira de Kanye com sua melodia vocal incrível, produção atmosférica e, claro, o encaixe inesperado e sensacional da participação de Kenny G.

The Life of Pablo (2016)

Aqui acredito que comecem as polêmicas, já que The Life of Pablo tem muitos grandes fãs por aí. Acontece que o disco é, mais uma vez, confuso e desconexo: os bons momentos não conseguem esconder o fato de que constantemente parece que Kanye está tentando forçar a peça errada a entrar no quebra-cabeças.

Ainda assim, não dá para ignorar canções como “Ultralight Beam”, “Famous” e “Fade”, todas destaques não apenas do álbum mas também da carreira de West.

Late Registration (2005)

Aqui é quando começa a ficar difícil escolher, já que saímos da zona que tem muito espaço para críticas. Late Registration é um disco excelente, e uma das últimas instâncias de um Kanye West mais humano — antes de seus complexos de divindade, de seus flertes com a robotização.

Cheio de participações de nomes consagrados como Adam Levine, Jay Z e Nas, o disco é simplesmente um hinário do Rap dos anos 2000, e um dos mais influentes até hoje com faixas como “Diamonds From Sierra Leone” e “Touch the Sky”, já que ambas uniram um aspecto Pop ao Rap.

Ainda assim, Late Registration cai algumas posições justamente por ter alguns momentos um pouco convencionais demais e, ocasionalmente, passar a sensação de que certas músicas não precisavam estar ali.

Yeezus (2013)

Falando em complexo de divindade, o auge disso aconteceu em Yeezus. E como culpar Kanye, uma vez que ele de fato estava em seu auge e se sentia capaz de experimentar com qualquer coisa e transformar qualquer novo som experimental que seria rechaçado se viesse de qualquer outra pessoa em um hit?

Talvez faixas como “I Am a God” realmente sejam nada mais do que um atestado ao narcisismo e até por isso Yeezus perde algumas posições, mas as belíssimas “Hold My Liquor”, “Bound 2” e “Blood on the Leaves” são simplesmente incríveis e atestam não o narcisismo, mas a genialidade e pioneirismo de Kanye.

Graduation (2007)

Muita gente trata Graduation como a obra-prima de Kanye e, bom, talvez seja. A sensação que tenho, no entanto, é que as canções daqui não envelheceram tão bem assim.

Até o mega hit “Stronger” ganhou um apelo Pop tão grande (e isso traz méritos, é claro) que hoje em dia soa como uma música que pouco chama atenção em relação ao resto da carreira de West, e outras como “Good Life”, parceria com T-Pain, também soam demais como algo que ouvimos mais pela nostalgia de lembrar da rádio da época do que por ser algo que se diferencia do restante do que surgiu naquele momento.

Ainda assim, Graduation é incrível e essas críticas só justificam o fato dele não entrar no Top 3; o próprio apelo Pop impulsiona o trabalho, e outras canções como “Good Morning”, a curiosa “Homecoming” (parceria com Chris Martin, do Coldplay) e a groovada “Barry Bonds”, com Lil Wayne, também se destacam.

The College Dropout (2004)

O disco de estreia de Kanye West é um cartão de visitas completíssimo. The College Dropout foi um refresco em meio a uma cena que começava a ficar saturada depois de uma era prolífica nos anos 90, e trazia uma nova abordagem tanto instrumental quanto lírica para o Rap.

Mais do que isso, o disco foi uma prova cabal do potencial do cara que até então atuava em plano de fundo; com os holofotes virados pra si, Kanye mostrou ser perfeitamente capaz de entregar algo novo, belo e pioneiro. Talvez até demais.

O álbum é uma coleção de excelentes canções, desde as parcerias “All Falls Down” (com Syleena Johnson) e “Never Let Me Down” (com Jay Z e J. Ivy) até outras como “Jesus Walks” e “Family Business”, que se tornaram alguns dos maiores clássicos do rapper.

808s & Heartbreak (2008)

Talvez haja um certo clubismo por aqui já que 808s & Heartbreak é um dos discos que mais ouvi na vida, mas o fato é que esse é um dos trabalhos mais impressionantes da música moderna.

Com uma estética quase minimalista e por vezes próxima do Emo, Kanye traz uma vertente extremamente única do Rap e é aqui que começa a transição entre a sua fase “normal” e a fase mais experimental; é quando surgem os usos pouco convencionais de efeitos na voz, as batidas fora do tradicional do Rap e a união de melodias belas e quase trágicas com uma atmosfera mais sombria.

“Amazing”, “Welcome to Heartbreak”, “Love Lockdown” e até outras menos conhecidas como “RoboCop” e “Coldest Winter” são obras incríveis e que se tornaram influência fundamental para a nova geração do Hip Hop — inclusive para Drake, que usou alguns dos pioneirismos de West da sua própria maneira para ditar o tom da nova era do gênero.

My Beautiful Dark Twisted Fantasy (2010)

Dificilmente alguém vai dizer que My Beautiful Dark Twisted Fantasy não é o melhor disco de Kanye. Na verdade, é quase consenso que o trabalho é o melhor da última década — e um dos melhores da história.

Não há uma faixa sequer de MBDTF que passe despercebida e/ou não faça sentido dentro do contexto. Desde os 9 minutos de “Runaway” até a escalação de estrelas que transforma “Monster” no suprassumo do Rap dos anos 2000/2010, tudo aqui serve como um retrato da genialidade de uma das mentes mais complexas e pioneiras da arte.

Também não falta apelo Pop, com canções como “All of the Lights” soando completamente prontas para a rádio; o experimentalismo permeia todo o disco, mas surge forte em outras como “Lost in the World”, que deu início a uma (saudosa) parceria duradoura com Bon Iver.

Até a influência do Rock é marcante nesse álbum, como podemos ver em “Hell of a Life” e “POWER”, ambas as quais trazem samples de clássicos do gênero reimaginados por Kanye.

Uma verdadeira obra-prima da música — e da arte no geral — é até difícil dizer que MBDTF é influente: ninguém, nem mesmo o próprio Kanye, conseguiu atingir algo remotamente parecido com o que ouvimos aqui desde então. Felizmente ou não, muitos seguem tentando.

 
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