Set de filmagens de mandalorian
Foto: Divulgação/Disney
Ouça nova versão do disco ao vivo do Pink Floyd!  

O Disney+ finalmente está chegando ao Brasil e uma das suas principais produções chama muita atenção por causa dos aspectos técnicos. Trata-se de The Mandalorian, série que explora um lado alternativo do universo de Star Wars e utilizou uma tecnologia bastante interessante, que promete mudar a forma como o cinema lida com os efeitos digitais.

A Industrial Light & Magic (ILM), empresa de efeitos visuais criada por George Lucas em 1975, apresentou uma ferramenta chamada The Volume, uma espécie de arena formada por monitores de LED e que renderiza as paisagens e cenários fictícios em tempo real.

Para entender o que isso tem de inovador, é importante saber como são as coisas hoje.

Em filmes e séries que dependem muito de inserções digitais para criar ambientes, como Os Vingadores, O Senhor dos Anéis e Harry Potter, os atores interagem entre si em frente a um fundo verde (ou azul), chamado chroma key. Depois disso, os cenários são inseridos digitalmente nesse fundo, substituindo a cor chapada por literalmente qualquer coisa.

A novidade em The Mandalorian é que o Volume permite que os atores façam o seu trabalho já visualizando os cenários onde eles estão. A renderização em tempo real permite a interação deles com o ambiente, possibilitando mais naturalidade nas ações.

Além disso, os acertos de pós-produção que duram dias foram reduzidos para apenas algumas horas.

Set de filmagens de mandalorian
Foto: Divulgação/Disney

The Mandalorian e o Volume

O Volume é um palco circular de 6 metros de altura e 23 metros de diâmetro que, para funcionar, precisou de um software criado inicialmente para outra mídia: os videogames. Em parceria com a Epic Games, a ILM utilizou o Unreal Engine, programa de computador que facilita o design de jogos e virou uma peça importante para a criação de conteúdo 3D em várias plataformas.

Antes de ser aproveitado em The Mandalorian, o Unreal Engine foi usado para criar os cenários de jogos como Street Fighter V e Tekken 7, por exemplo.

Veja no canal da ILM um pouco mais sobre a utilização da tecnologia em The Mandalorian (vídeo e legendas em inglês):

Em entrevistas e eventos de tecnologia, pessoas ligadas à ILM apontam que uma das evoluções do The Volume e do Unreal Engine é a utilização para a criação de personagens, e não apenas de cenários.

O Volume também já vem sendo utilizado na música, e recentemente o trio Pop SHAED divulgou um clipe para sua faixa “No Other Way” — que você vê clicando aqui — que explora o potencial dessa tecnologia.

Impactos no cinema e TV

Esta mudança teria impacto direto em outra técnica bastante popular no cinema de ficção atual, que é a captura de movimentos. Em vez de inserir personagens como Gollum e Smaug apenas em um segundo momento, essa nova tecnologia permitiria que eles fossem incluídos diretamente na cena, contracenando com os atores.

O chroma key logicamente vai continuar sendo utilizado em produções de cinema e TV, mas estas novas tecnologias combinadas prometem deixar o mundo dos efeitos visuais ainda mais interessante.

Confira o antes e depois de algumas cenas de The Mandalorian no vídeo a seguir. A série chega ao Brasil junto com o serviço de streaming Disney+, em 17 de novembro, já com a suas duas temporadas disponíveis: