Disco de Vinil e Fones de Ouvido
Foto Stock via Shutterstock
   

É normal que durante a pandemia do coronavírus alguns hábitos tenham mudado e outros tenham passado a integrar a vida das pessoas.

Buscando entender melhor o consumo de música e entretenimento e as mudanças que surgiram na quarentena, a startup Flow Creative Core realizou uma pesquisa independente em parceria com o pesquisador radicado em Portland (USA) Derek Derzevic para analisar os hábitos de consumo de música no Brasil durante este período.

Em abril chegamos a comentar aqui que a busca por músicas e artistas mais antigos estava maior. Esse foi um dos aspectos encontrado na pesquisa da Flow, como também o desejo por shows mais intimistas, consumo por mood, ou seja, a partir do seu estado de espírito naquele momento, a transparência na relação artista e público e também um “novo senso de comunidade”, em que os jovens não dão mais espaço para a neutralidade de artistas e marcas.

A pesquisa, que foi realizada com mais de 600 jovens brasileiros e mais de 10 profissionais do setor de entretenimento, entre junho e agosto deste ano, mostra que dos 28,5% das pessoas que preferem ouvir música escolhendo um gênero, têm entre suas principais escolhas a MPB, Bossa Nova, rock, Jazz e Blues.

A empresa deduz em seu material que o resgate desses estilos mostram a valorização do passado e uma busca por memórias positivas para enfrentar o período da pandemia. “Tenho revisitado muito o meu acervo de discos agora. Estou ouvindo o que eu já tinha!”, escreveu um dos entrevistados da pesquisa.

Outro dado de destaque é que 71.5% dos jovens escolhem a música que irão escutar a partir do seu mood. Os dois moods mais procurados são músicas para animar e para relaxar.

Com relação à famosa glamourização dos artistas isso também foi algo que passou por uma mudança na quarentena. Celebridades antes definidas como “intocáveis” decidiram se expor nas redes sociais através das lives numa pegada “vida normal”, sem grandes produções e luxo. Exemplos como Ivete Sangalo, que fez seu primeiro show por transmissão na quarentena vestindo um pijama na cozinha de sua casa e Teresa Cristina, demonstrando tudo que sente ao conversar com outro artista em suas lives.

Continua após o post

Juliana Laguna, uma das idealizadoras da pesquisa e cofundadora da Flow, disse ao TMDQA! que esse foi um dos aspectos que mais chamou sua atenção entre os dados da pesquisa.

Chamamos de ‘Era da Transparência’ o fato do público querer ver live da artista na cozinha da casa dela e não uma super produção, de buscar referências de identificação, querer saber mais do dia-a-dia real, saber quais as referências, o posicionamento, a espiritualidade dos artistas que ele admira. De ir mais a fundo mesmo e não aquele consumo superficial, de assistir a videoclipes megalomaníacos ou shows de superprodução.

Essa relação mais real, próxima e íntima do fã com o artista irá nortear não só o relacionamento, mas todo o consumo, os produtos, os formatos de show, os conteúdos e a linguagem que a indústria do entretenimento irá adotar daqui pra frente.

Falando em relação mais próxima entre público e artista, um hábito que também ganhou destaque foi a cobrança dos consumidores a respeito do posicionamento de artistas e marcas sobre determinados assuntos.

Entre os entrevistados, 55,6% acreditam que artistas que expõem e defendem sua opinião a respeito de seus valores e crenças chamam mais a atenção deles. “A música, mesmo a comercial, não pode se eximir das questões sociais, que tendem a mudar para um novo estágio de reivindicações. A música tem o compromisso de entreter, mas também de contar histórias reais”, citou um dos entrevistados.

Na pesquisa foi destacada uma busca cada vez maior por shows intimistas. Entre as respostas, 67% dos participantes disseram que prefere esse formato de apresentação. Juliana considera que esse seja um dos aspectos que estará acontecendo com mais frequência após a pandemia.

Um caminho que nós da Flow estamos apostando há alguns anos, mas com certeza irá reforçar após a pandemia é essa busca com eventos intimistas, lugares menores, que tragam essa sensação de segurança (tanto segurança de saúde, mas segurança emocional mesmo, experiências que traga algo de confortável e familiar).

Essa proximidade com o artista, essa exclusividade da experiência real e não a glamourização que o mercado da música tanto ostentou até agora será muito mais valorizado.

Para os que se interessaram em explorar mais essa pesquisa, a empresa disponibilizou  o relatório através desse link. A idealizadora apontou a importância de deixar a pesquisa disponível para que esses resultados possam ajudar as pessoas envolvidas no mercado do entretenimento do Brasil a se mobilizarem e criarem novos futuros possíveis.

Todo ano a Flow desenvolve uma pesquisa para entender as mudanças nos hábitos de consumo de música e entretenimento para nortear as estratégias e projetos que criamos para marcas e nossas iniciativas próprias. Em 2020 tivemos uma das maiores mudanças no mercado da música desde a invenção do mp3 que foi o congelamento dos shows ao vivo durante 6 meses (e contando) que era até então o principal modelo de negócios da indústria.

Com festivais cancelados, venues fechando e artistas sem sua principal fonte de renda, achamos fundamental entender como o consumidor estava consumindo música e dividir essas informações e os insights dessa pesquisa com o mercado para não só nortear as nossas iniciativas, mas fomentar todo o ecossistema da música.

 
 
Compartilhar