My Chemical Romance teme receber chuva de garrafas novamente
 

O atentado de 11 de Setembro é considerado uma das maiores tragédias da história e o maior ataque terrorista aos EUA, e o trauma deixado por ele a várias pessoas é algo imensurável. Isso inclui Gerard Way, que lidou com essa experiência de uma forma única.

Como conta a Genius, o vocalista falou em uma entrevista à Newsweek que a fundação do My Chemical Romance foi uma das formas de trabalhar esse trauma. À época um estagiário no Cartoon Network, Way supostamente estava na cidade quando o ataque aconteceu e explica como as duas coisas tão relacionadas:

Uma das maiores razões para eu começar o My Chemical Romance foi porque eu fui uma das pessoas a testemunhar o 11 de Setembro em Nova York. Aquilo parecia o fim do mundo. Parecia o apocalipse. Eu estava cercado de centenas de pessoas em uma doca no Rio Hudson, e nós assistimos enquanto os prédios caíam, e havia essa onda de angústia humana que eu nunca tinha sentido antes. Desde então, eu continuo a pensar sobre o que nós faríamos no fim do mundo se nós soubéssemos que só tínhamos um pouco de tempo sobrando.

Em outra conversa, dessa vez com a Vice, Gerard explicou melhor como foi a sua experiência no fatídico dia e comparou o sentimento com filmes de ficção científica:

Eu não vi os aviões atingirem. Eu vi os prédios caírem, eu diria que relativamente de perto. Foi como estar em um filme de ficção científica ou em algum tipo de filme de desastre — foi exatamente esse tipo de sentimento. Você não acreditava naquilo. Você sentia que estava no ‘Dia da Independência’. Não fazia sentido. Seu cérebro não podia processar aquilo. E para mim foi um pouco diferente. Eu tenho muita empatia e eu sou meio que um fio condutor de emoções, então eu pego muitas coisas no caminho. Havia cerca de 300 ou 400 pessoas ao meu redor — e eu estava bem na beirada. Todas essas pessoas atrás de mim, todas elas tinham amigos e família naqueles prédios. Eu não tinha. Então quando o primeiro prédio caiu, foi como se uma bomba atômica tivesse sido detonada. Foi só tipo, essa emoção, e te deixava enjoado.

Certamente, a experiência mudou a vida de Gerard. E o surgimento do MCR foi uma consequência direta disso.

My Chemical Romance e a tragédia de 11 de Setembro

A maior prova dessa influência dos atentados no My Chemical Romance está justamente no primeiro disco da banda, I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Lovemais especificamente na faixa “Skylines and Turnstiles”.

Uma reportagem da Kerrang! relembra que durante uma fala na Comic Con ele explicou que a música “se tornou minha terapia do TEPT [Transtorno do Estresse Pós-Traumático] que todo mundo tinha vivido com o 11 de Setembro” e citou a composição da canção:

Então o 11 de Setembro aconteceu, e eu peguei a guitarra novamente, e eu escrevi ‘Skylines and Turnstiles’, e aí eu liguei para o Otter [Matt Pellissier, baterista] e aí eu liguei para o Ray [Toro, guitarrista], e nós nos juntamos com o Mikey [Way, baixista] e só começamos a construir em cima desse momento.

Bom, não é à toa que a banda sempre transmite uma sensação de melancolia e angústia em suas canções, né? Gerard ainda relembrou no papo com a Newsweek de como o clipe de “Welcome to the Black Parade” se assemelhava aos momentos que sucederam a tragédia de 11/09, algo que ocorreu de forma inconsciente.

Você pode relembrar esse vídeo, bem como “Skylines and Turnstiles”, logo abaixo.

 
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