Rufus Wainwright
Foto por V. Tony Hauser
 

Rufus Wainwright está de volta ao jogo.

O cantor canadense-americano acaba de lançar Unfollow The Rules, seu nono trabalho de estúdio e o primeiro disco pop de inéditas desde 2012. Wainwright, conhecido pela maioria por covers de clássicos como “Hallelujah”, de Leonard Cohen, e “Across the Universe”, dos Beatles, retomou as rédeas de sua prolífica carreira na música e chega ainda mais maduro e disposto a colocar seu coração nas letras.

O álbum vem após alguns outros trabalhos bem mais diferentes do músico, como um disco de sonetos de Shakespeare, e traz inclusive influências claras dessas outras venturas. Em Unfollow The Rules, Rufus assume um lado mais teatral, já longe daquele cantor mais sóbrio e indie do começo da década.

Mantendo-se fiel à proposta de unir todas as suas jornadas, Wainwright gravou o trabalho em uma série de estúdios lendários de Los Angeles, como o Sound City Studios, United Recording e EastWest Studios. A produção do disco ficou nas mãos de Mitchell Froom, que já trabalhou com nomes como Paul McCartney.

Batemos um papo à distância e bem interessante com o cantor, que nos contou um pouco sobre o disco, política e muito mais. Confira após o player!

TMDQA! entrevista: Rufus Wainwright

TMDQA!: Oi, Rufus! Espero que você esteja bem, seguro e feliz. Seus fãs esperaram muito por ‘Unfollow the Rules’ e acabaram recebendo o que parece ser seu álbum mais ousado e honesto até agora. Você pode nos levar de volta ao início desta jornada? Quando você começou a trabalhar nessas músicas e qual foi sua experiência com elas?

Rufus: Estou trabalhando nessas músicas há muito tempo. O último disco pop que lancei foi há cerca de 10 anos, com Mark Ronson — se chama ‘Out of the Game’. Mas desde então e até quase agora, produzi algumas óperas e trabalhei em um álbum de sonetos de Shakespeare. E ao longo dessa jornada, eu escrevi muitas, muitas canções como uma forma de proteção do mundo muito intenso pelo qual estava viajando. Então, essas músicas significam muito para mim.

TMDQA!: Como há tantas pessoas que conheceram seu trabalho através da trilha sonora de vários filmes, tenho certeza de que deve haver algum tipo de expectativa ao ouvir sua discografia — e um feedback, eventualmente. Existe alguma pressão ao lidar com esse público? Ou seus fãs de longa data são até mais ‘exigentes’?

Rufus: Eu sou muito sortudo. Meus fãs parecem estar dispostos a ir aonde eu quiser levá-los, seja a uma ópera, ou à Broadway, ou o mundo Pop. A música que todo mundo sempre pede é ‘Hallelujah’, do Leonard Cohen. Teve um período em que fiquei um pouco frustrado com isso, já que não a escrevi. Mas desde que Leonard Cohen faleceu, estou em paz com esse fato e continuo a cantar essa música para as pessoas. Quero deixar todos felizes. Por que não?

TMDQA!: Uma das músicas que realmente me marcou no disco é ‘Early Morning Madness’ – acho que porque a letra de alguma forma descreve um pouco essa sensação da quarentena. O cansaço, a gente se arrastando, o caos e a melancolia também. Como obviamente ela foi escrita antes de tudo isso, o que você tinha em mente ao compor?

Rufus: Essa música é muito engraçada. Originalmente, a escrevi sobre estar de ressaca. Tinha a ver com ficar bêbado uma noite e depois acordar às 4 da manhã me sentindo péssimo e com medo. Curiosamente, eu não bebo mais e ainda acordo às 4 da manhã me sentindo péssimo às vezes, especialmente hoje em dia com a pandemia e o Trump na presidência. Então, quer você beba ou não, acho que há muita ansiedade em torno do amanhecer e de que os seres humanos têm que realmente tentar chegar a um acordo. Boa sorte com isso!

TMDQA!: ‘Hatred’ tem uma abordagem política, muito diferente das outras canções da tracklist. Ao mesmo tempo, porém, todo o álbum parece uma espécie de protesto, de uma guerra que seja muito particular sua, suponho. Ao compor, você se preocupa em ‘pesar demais’ nesses assuntos? Você prefere uma abordagem mais poética?

Rufus: Eu apenas sigo minhas músicas. Eu realmente não posso expressar nenhum tipo de conhecimento de para onde estou indo ou por que estou indo para lá. A música realmente decide. Eu apenas tento ser um canal dela.

TMDQA!: Agora falando sobre shows… acho que é o que mais sentimos falta! A última vez que você tocou no Brasil foi em 2013 e tenho certeza que seus fãs brasileiros estão esperando por mais. Como foi essa experiência para você? E, por mais incertas que as coisas estejam agora, o Brasil está nos seus planos para quando os shows voltarem?

Rufus: Sempre voltarei ao Brasil! Cada vez que estive aí foi magnífica. É realmente um dos lugares mais incríveis da Terra. E espero que, quando eu voltar, a COVID-19 já tenha ido embora, assim como nossos respectivos presidentes horríveis.

TMDQA!: O nome do nosso site é Tenho Mais Discos Que Amigos, como você pode ver. Seguindo essa linha de raciocínio, qual álbum você diria que é seu melhor amigo?

Rufus: Por alguma razão, tenho ouvido muito Prince atualmente, e o álbum ‘Around the World in a Day’ sempre me fascinou.