Michael Jackson Thriller Halloween
Foto: Reprodução/YouTube
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Uma série de textos escritos por Michael Jackson em 1987 foi descoberta recentemente e publicada no jornal britânico The Sun, e as cartas contêm algumas das declarações mais poderosas de MJ até hoje sobre as questões raciais.

Enquanto vivia seu auge musical, surfando na onda de sucessos como Thriller (1982), o Rei do Pop apontava as desigualdades e o trabalho das pessoas brancas para controlar a mídia para que “o público acredite no que eles desejam”.

Nos manuscritos, Jackson cita nominalmente os Beatles, Bruce Springsteen Elvis Presley como exemplos de como “através da história, homens brancos sempre marcaram as páginas da história com Grandes Esperanças Brancas colocando brancos acima dos negros como nobres como Elvis sendo o Rei do Rock and Roll, Springsteen sendo The Boss [‘O Chefe’] e The Beatles sendo os melhores”.

O argumento de Michael era de que os Beatles “eram bons, mas não eram melhores cantores ou dançarinos do que os negros”. Ele ainda garantia que iria “mudar isso AGORA com o poder de minhas músicas e danças e visuais e reclusão total e mundo misterioso”, antes de cravar que viria a ser o Rei — como de fato ficou conhecido eventualmente.

Michael Jackson, racismo e frustrações

MJ ainda mostrava suas frustrações ao afirmar que “iria mostrar ao Springsteen quem era o chefe”, que Elvis “não é o Rei” e que teve de se provar e mudar as coisas até mesmo para que “crianças brancas possam ter heróis negros para que cresçam sem preconceitos”.

O lendário músico cravava que seu objetivo era justamente esse de “acabar com o preconceito”, através das vendas de “200 milhões de álbuns”, e superar as barreiras impostas por veículos como a MTV, que ele alegava dificultar a exposição de artistas negros, além das revistas que ele teriam dito a ele que “não colocavam negros nas capas, porque negros não sorriem”.

Ao mesmo tempo, o cantor revela nas cartas que tudo isso lhe deixou “muito, muito bravo” e todo esse sentimento foi concentrado e transformado em combustível para que “brancos e negros de todas as raças me amem e eu possa estar na capa” das revistas mais famosas do mundo. Ele termina, no entanto, com um desabafo:

Mas eu fiz isso pela raiva. Para acertar as contas. Para me provar. Eu amo as pessoas brancas, as pessoas negras, todas as raças. Eu quero o que é justo. Agora é a hora do meu reinado para sempre. Eu quero que todas as raças amem como uma só.

Na mesma página, ele escreve em letras enormes que “agora, MJ é o rei”, e completa se descrevendo como “recluso escondido, bilionário genial, estranho, belo rosto, maior ator, cantor, dançarino e artista para sempre”.

Você pode ver os emocionantes textos na íntegra pelas fotos abaixo (via Daily Mail).

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Textos de Michael Jackson em 1987