Barney Greenway (Napalm Death)
Foto via Wikimedia Commons
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Barney Greenway, vocalista do Napalm Death, tem muito a dizer sobre a situação atual do mundo.

Enquanto o novo disco da banda (Throes of Joy in the Jaws of Defeatismainda não chega para deixar suas opiniões à mostra, ele participou de um podcast da MetalSucks e falou bastante sobre as letras que virão no álbum, ligadas ao antifascismo, e também defendeu as minorias como imigrantes e LGBTQ+:

A questão pra mim na verdade, especialmente com esse álbum, era que temos uma certa atmosfera dentro do mundo agora. Nós fomos muito em direção ao populismo, protecionismo, nacionalismo. E eu acho isso bastante inquietante, para usar um eufemismo.

Com essas coisas que eu mencionei, o que se ramifica disso é que há uma separação de povos, há uma discriminação e uma desumanização de certos povos que é apenas acentuada por conta desse sentimento populista, nacionalista, protecionista.

Tem dois exemplos que eu vou usar, que eu uso em toda entrevista, porque eu acho que eles são bons exemplos. O primeiro é imigração. Povos imigrantes ou refugiados, que são bem francamente, muito desumanizados. Eles são considerados seres menores só porque estão tentando escapar das situações realmente de merda nas quais se estivéssemos na pele deles, nós faríamos exatamente a mesma coisa. E prender essas pessoas atrás de muros, recusar a eles os fundamentos básicos da dignidade, da sobrevivência. Eu acho que é apenas desumano. Isso é um ponto.

O segundo exemplo que vou usar são os povos LGBTQ+. Há uma coisa particularmente ridícula que é usada contra eles na qual a biologia, a maquiagem de alguém que é LGBTQ+, por conta de toda a sua maquiagem sexual, a biologia deles é meio que diferente, e eles meio que consideram o seu sexo de maneira diferente. Então há uma sugestão de que a diferença na biologia é de alguma forma uma ameaça à biologia do resto da população. Você pode ouvir isso, até governos estão usando essa linguagem agora, até governos estão fazendo políticas sobre isso. Há alguns na Europa agora. Na Polônia, por exemplo, há ‘zonas livres de gays’ estabelecidas no país como uma política legítima do governo. Digo, isso é insano pra caralho.

Isso é a tática de — e eu sou muito cauteloso em usar essa palavra porque eu acho que ela pode ser superutilizada algumas vezes em ocasiões que não reconhecem os proponentes sofisticados dela — mas é ideologia fascista. Toda a ideia de usar povos como bodes expiatórios baseado no que quer que seja que esteja acontecendo em suas vidas, e eles podem estar escapando da tirania, ou na sua sexualidade, sua maquiagem biológica, é insano pra caralho pensar que essas coisas estão sendo sequer propagadas por governos.

E você deveria estar inquieto pra caralho no mínimo porque se nós nos lembrarmos, isso é coisa de Franco, Hitler, Mussolini, foi assim que começaram, desumanizando grupos menores de pessoas e aí construindo o grande prêmio que é, claro, quando o assassinato e o assassinato em massa começam a acontecer.

Então eu pensei que era muito importante focar nessas coisas [no disco] e é claro, a antítese sob o ângulo do Napalm Death é simplesmente se levantar e dizer ‘não, isso não é aceitável’. São os nossos companheiros humanos de quem estamos falando. Depois de todo esse tempo estando na Terra e todas as lições que deveríamos ter aprendido, chegou nessa porra de ponto novamente. Você tá falando sério, porra? Sabe, é realmente isso em uma espécie de resumo bem complicado. [risos]

Você pode ouvir o bate-papo completo (em inglês) por aqui.

Novo disco do Napalm Death

Throes of Joy in the Jaws of Defeatism foi anunciado recentemente e será o primeiro trabalho da banda a não contar com Mitch Harris desde From Enslavement to Obliteration, de 1988.

12 faixas compõem o trabalho, que deve chegar ao mundo no próximo dia 18 de Setembro com produção de Russ Russell, colaborador de longa data dos caras.

Saiba mais sobre o disco por aqui.

 
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