Cinema vazio
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Conforme os meses de pandemia vão passando, a população vai querendo cada vez mais retomar a “vida normal”. Acontece que algumas coisas (pra não dizer a maioria) ainda são completamente inviáveis, e uma delas é o cinema.

Quem garante são especialistas consultados pelo AV Club (via NME), a Dra. Anne W. Rimoin e o Dr. Abdul El-Sayed, ambos epidemiologistas de doenças infecciosas com pesquisas focadas em doenças emergentes. Eles afirmam que ir ao cinema neste momento não é seguro em “nenhum cenário”.

A Dra. Rimoin elabora a explicação:

O que as pessoas precisam entender é que realmente não há nenhum cenário de risco zero durante a pandemia da COVID. Estamos aconselhando as pessoas para que não interajam com outros além de sua família mais próxima ou bolha caseira a não ser que seja absolutamente necessário, para limitar aglomerações de mais de 10 pessoas em qualquer espaço, e para evitar áreas internas fechadas.

E você definitivamente não deveria estar em uma área interna fechada onde você iria tirar a sua máscara, até mesmo para comer. Cinemas têm tudo isso.

O Dr. El-Sayed corroborou com a explicação, acrescentando ainda que seria uma “exposição perigosa” e ainda explicando que, mesmo sendo um “enorme fã de filmes” e reconhecendo que “são uma ótima forma de nos divertir e escapar do mundo — algo que realmente precisamos, especialmente agora”, ir ao cinema seria a “última coisa” que ele faria.

Reabertura de cinemas no Brasil

Apesar de tudo isso, aqui no Brasil, Érico Borgo — fundador e ex-integrante do site Omelete — anunciou ontem (19) um projeto de reabertura das salas no país que ele classificou como “o maior festival de cinema que o Brasil já viu”.

A programação terá apenas filmes antigos, como Harry Potter e a Pedra FilosofalO ExorcistaPantera Negra e clássicos do naipe de De Volta Para o Futuro, ET, Matrix, Tubarão e O Iluminado. Serão apenas cinco obras nacionais: Turma da Monica Laços, O Palhaço, Minha Mãe é uma Peça, Até que a Sorte nos Separe e Fala Sério, Mãe.

A decisão foi extremamente criticada pela grande maioria dos seguidores de Borgo e usuários do Twitter, que apontam para o fato de já termos acumulado mais de 110 mil mortos pela pandemia no país e para as mortes diárias no país que têm variado entre 900 e 1000 pessoas.

Respondendo aos comentários, Érico afirmou que “da mesma forma como há tantos estabelecimentos fechados reabrindo com cuidado, carinho, limpeza e novos protocolos, está chegando a hora do cinema” e defendeu o projeto mesmo em meio aos avisos da população e aos comprovados riscos, expostos mais uma vez através dos especialistas citados acima.