Goodie Bag
 

Por Davi Hughes

Goodie Bag é uma das bandas que tive o privilégio de conhecer durante o período de isolamento social. Liderada por Linsey Urrea, ela conta também com Connor Teske e Riley Yeatts nas guitarras, Graham Breidenbach no baixo e Charlie Daniels na bateria.

“Começamos nossas atividades em 2018”, diz Linsey por vídeo chamada em um quarto cheio de pôsteres de bandas e filmes e uma bandeira do Brasil colada na parede. “Connor e Charlie eram amigos no colégio, e ao chegarem em Nashville eles sabiam que queriam começar uma banda juntos. Conheci Connor num dormitório da Universidade através de um amigo em comum”.

“Tinha ido em seu quarto ouvir um vinil da Hiatus Kaiyote, e ele estava com seu violão. Começamos a escrever algo que posteriormente virou The Lonely Postman”, ela continua. Embora tenham compartilhado uma conexão artística naquele dia, os dois acabaram por não entrar em contato um com o outro por um ano. “Um dia, recebi um SMS dizendo: ‘Lembra de mim? Você bem que podia ser a vocalist da banda que estou montando’”. Na hora, Linsey não se imaginava como frontwoman, e quase deixou a oportunidade passar. “Então pensei que pelo menos deveria ouvi-los tocar e, quando os escutei, não tive como recusar”.

Com a banda formada, a busca por um nome começou. Por semanas, após os ensaios e sessões de composição, os músicos sentavam no porão da casa de Charlie para tentar pensar em algo. “Apenas soltávamos nomes aleatórios e, nesse meio, alguém falou ‘Goodie Bag’ – acho que o Riley. Casou bem, pois somos bastante diferentes e ainda assim estamos fazendo música juntos”, comenta Linsey. Cada integrante tem um background musical diferente: Riley adora Pharrell Williams, Daniel Caesar e The Internet. Já Connor é completamente fascinado por Kanye West, Frank Zappa e King Krule. Charlie é superfã do Pink Floyd, e Linsey sente-se bastante inspirada por Gwen Stefani, Linda Ronstadt, Stevie Nicks, Amy Winehouse e Selena – “Passo horas assistindo essas mulheres no YouTube, estudando sua presença de palco. Também amo Stevie Wonder e Frank Ocean”.

No que diz respeito à escrita de canções, eles não seguem um processo específico e a forma como eles idealizam o trabalho deles está sempre mudando. “Connor ou Ryan geralmente criam a melodia da guitarra principal, e aí o resto dos caras complementam com seus respectivos instrumentos e nós trabalhamos em cima disso por um tempo”, diz Linsey. “Fico sentada entre eles, dando ideias de como os vocais devem ser. As letras podem vir em dez minutos ou uma semana e, quando sofro algum tipo de bloqueio, os rapazes me ajudam. Sempre ouço a opinião deles e estamos constantemente trocando ideias por chat. As vezes Connor escreve uma música inteira, eu canto e é isso”.

Blue Girls, EP de estreia da Goodie Bag, foi lançado em novembro e todas as faixas que o compõe vieram de experiências pessoais. Linsey lembra que “Asking or Telling” foi sobre um momento de frustração consigo mesma.

“Me apaixonei por um cara que acabou me enganando e queria continuar me iludindo”, conta. “Minha mente dizia para dar um basta, mas meu coração insistia em continuar na relação. Colocava um sorriso em meu rosto e fingia que tudo estava bem para evitar falar sobre com as pessoas. Me sentia envergonhada. Tinha receio de mostrar minha vulnerabilidade às pessoas, e isso é algo que ainda preciso mudar em mim”. Já a letra de “Fading With The Flowers” veio após uma de suas noites favoritas com a banda. “Essa música nasceu do sentimento de encontrar beleza nas mudanças de estações da vida, e sobre como coisas boas conseguem se manifestar em meio à escuridão.”

Durante o isolamento social, a banda tem feito o possível para se manter produtiva: estão assistindo aulas on-line, trabalhando com músicas e aproveitando momentos com a família. “Estamos tentando não entediar-nos”, diz Linsey. Um novo single deve ser lançado em breve, e a própria Linsey anda trabalhando em um material solo que deve sair ainda este ano. “Precisamos ter certeza que as músicas estão na sua melhor forma e, portanto, não queremos apressar muito as coisas”.

Por serem parte da cena musical de Nashville, eles tiveram a sorte de encontrar as pessoas certas para apoiá-los. “Estamos numa comunidade de gente artística e super talentosa, e estamos sempre ajudando uns aos outros porque acreditamos muito no trabalho um do outro”, ela diz. “Fotógrafos incríveis, como Will Lipchik e Harrison Haake já fizeram ensaios conosco por gostarem da nossa vibe. É um esforço coletivo e somos como uma grande família. Sei que Nashville é conhecida por suas raízes country, mas há uma cena indie por baixo dos panos que vem ganhando espaço a partir de artistas como Dreamer Boy e Bren Joy.”

Perguntada sobre os prós e contras de ser artista independente, ter controle criativo é definitivamente o benefício número um de não ser parte de um selo. E embora isso seja algo importante para o futuro, eles querem ter certeza de que poderão fazer músicas atemporais. “Há uma mudança na indústria onde as pessoas se importam mais em fazer algo que exploda por algumas semanas no TikTok, e isso me incomoda um pouco porque gosto de focar nas letras”, diz Linsey. “No entanto, ainda existem artistas com catálogos incríveis, como H.E.R., Tame Impala, Leon Bridges, Frank Ocean, Billie Eilish e Tyler The Creator. Acho que o mais importante nessa indústria e manter-se fiel a si mesmo e, se algum dia me tornar parte do mainstream, gostaria de manter minhas raízes e influências comigo”.

Linsey acredita que há um desbalanço no mercado entre bandas lideradas por homens e mulheres – e ela espera que outras mulheres possam inspirar-se na Goodie Bag e seguir carreira artística. “As pessoas ficam muito animadas em ver uma frontwoman. É algo diferente, e há algo poderoso em ser a mulher à frente de quarto homens. Tenho tido um feedback muito positivo”, diz. E um dos lugares que tem lhe mostrado bastante apoio é o Brasil – tanto Linsey quanto a Goodie Bag ganharam street teams por aqui, e eles são bastante engajados no Twitter em promover listening parties e enviar e-mails para sites e blogs sobre as músicas. “É incrível ver nossa música prosperando em uma cultura diferente, e não tenho como dizer o quão grato eu sou por todo apoio e amor. É meu sonho fazer um show no Brasil e conhecer todos vocês, e espero que isso aconteça um dia”.

Enquanto esse dia não chega, você pode saber mais sobre a Goodie Bag e Linsey seguindo-os no Twitter e Instagram – e você pode ouvir outros trabalhos da banda na sua plataforma digital de preferência. Caso esta seja o Spotify, clique aqui!

 
Compartilhar