Zoe Wees
Foto por Nils Bodenstedt
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Zoe Wees é praticamente a definição do que chamamos de fenômeno musical.

Com apenas 17 anos, a cantora alemã — natural de uma área pobre no subúrbio de Hamburgo — é dona de uma voz espetacular e intrigante, daquelas que costumamos chamar de “uma em um milhão”, e resolveu nos presentear com ela no mega sucesso que tem sido a faixa “Control”.

Já são dezenas de milhões de reproduções na faixa que tem um teor autobiográfico para a garota, que convive com a epilepsia desde a sua infância e resolveu explorar o tema tão importante — e tão difícil, para ela — em seu primeiro lançamento oficial, que já chegou em diversas das principais playlists do mundo.

A inspiração para a canção veio de uma professora de música que ela conheceu aos 14 anos, a qual percebeu que Zoe tinha uma grande aptidão musical e a encorajou a explorar isso por meio de um trabalho conjunto de treinamento vocal e expressão.

As covers que elas faziam juntas logo deram espaço aos primeiros shows, e o caminho natural era claro: escrever as próprias músicas. Desde 2018, Zoe conta com os compositores Emma Rosen, conhecida pelo nome artístico VVAVES, e René Miller para mentorar sua jovem carreira e com os produtores Patrick Pyke Salmy Ricardo Muñoz para dar forma às suas ideias.

Diretamente da Alemanha, Zoe nos recebeu para um papo em que esbanjou simpatia e mostrou por que é um dos grandes talentos do Pop e provou que você precisa mantê-la em seu radar nos próximos tempos. Confira a seguir!

Entrevista com Zoe Wees

TMDQA!: Oi, Zoe! Prazer em te conhecer! Como você está, como estão as coisas na Alemanha? Quer dizer, você está na Alemanha, né?

Zoe Wees: Eu estou bem! Estou na Alemanha sim, no estúdio, e espero conseguir escrever uma música logo mais.

TMDQA!: Que bom! Bom, queria obviamente começar falando sobre “Control”. Tem sido um começo incrível para a sua carreira e eu imagino que você esteja muito empolgada com tudo isso, mas sei que as letras são relacionadas a questões pessoais suas e à professora que te ajudou a se encontrar na música. Queria que você contasse pra gente como foi o processo de transformar todos esses sentimentos em letra!

Zoe: Eu sabia, quando escrevi “Control”, que eu poderia ajudar as pessoas porque eu não sou a única passando por isso agora. Eu sempre quis escrever uma música sobre tudo isso, porque eu não sabia exatamente como seguir em frente, eu estava sempre pensando no meu passado e tendo esse sentimento de ansiedade e… eu me senti muito sozinha, e pensei que não queria perder o controle de novo. Então eu pensei nisso e escrevi no meu aplicativo de notas!

Aí, no dia seguinte, eu tive a honra de escrever com a VVAVES e o René Miller pela primeira vez e bom, nós começamos a escrever sobre isso e as coisas fluíram!

TMDQA!: Que legal! Bom, e isso de ajudar outras pessoas é algo que eu queria realmente comentar com você. Você está expondo sua intimidade para milhares de pessoas ao redor do mundo, e isso não deve ser fácil. Mas ao mesmo tempo deve ser muito bom quando você vê que alguém se identifica com as suas músicas e se sente representado…

Zoe: É muito boa essa sensação. Eu acho que a primeira vez que eu percebi que podia ajudar as pessoas com a minha música foi quando, com a questão da COVID-19 e tal… tipo, eu escrevi essa música em Março, e as pessoas escreveram mensagens pra mim. Mesmo sem ter epilepsia, as pessoas entendem o sentimento porque elas se sentem frágeis, elas não querem perder o controle, elas querem sair e querem encontrar seus amigos e tudo mais. E esse era o objetivo, sabe? Ajudar as pessoas com a minha música, e finalmente funcionou.

TMDQA!: Funcionou mesmo! Fico feliz por você estar percebendo isso! E bom, todo esse sentimento passa pelo instrumental da canção, que é muito emotivo. Você buscou esse som mesmo ou foi algo que foi encontrado naturalmente no processo?

Zoe: Pra falar a verdade, eu só cheguei no estúdio e tive essa ideia no piano. Tipo, a VVAVES teve essa ideia de usar o “I don’t wanna lose control” e eu fiquei tipo, esse é um ótimo começo e comecei a cantarolar [cantando] “I don’t wanna lose control…”, e, bom, foi tudo natural a partir daí.

Próximos passos e lidar com o sucesso

TMDQA!: É sempre bom quando rola assim, né? E bom, para as suas próximas músicas ou álbuns ou quaisquer outros projetos, o que podemos esperar? Você pensa em explorar sonoridades novas?

Zoe: Bom, eu quero que as minhas músicas sejam sempre 100% eu. Nos próximos meses eu pretendo tentar coisas novas; na semana passada, por exemplo, eu escrevi uma canção que tem violão, que é algo novo pra mim. Eu sempre escrevi com o piano, e bom, eu tento sempre escrever só com as batidas, sabe? Para ver o que iria funcionar. Mas o melhor sentimento pra mim é escrever no piano! E eu acho que o tempo de lockdown [na Alemanha ele já acabou] foi muito inspirador pra mim, porque você está sozinha e… eu estava triste, ainda que eu ame ficar sozinha e isso me faça muito feliz normalmente, naquele momento estava tudo muito extremo. Eu não podia ir ao estúdio, nada do tipo, então isso acabou me inspirando e eu escrevi músicas sobre esse período.

Tenho muita coisa planejada pros próximos meses!

TMDQA!: Estou ansioso para ouvir! “Control” é uma daquelas músicas que dá um gosto de quero mais, mesmo. E, bom, ela está sendo um tremendo sucesso — especialmente considerando que é sua primeira música oficial. Como está sendo pra você lidar com tudo isso? Tem te afetado nas composições?

Zoe: Eu tenho conseguido manter a intenção, que é que seja tudo 100% eu. É tão importante pra mim. Seja você mesmo, sabe; não importa quem você seja ou onde você esteja, seja você mesmo. Eu acho que essa é a chave e o melhor caminho de se mostrar, ser você mesmo.

Sobre o sucesso, eu acho uma loucura. Eu escrevi essa música e obviamente eu tinha uma esperança de que fosse um sucesso, porque é um tópico que está próximo da realidade de várias pessoas nesse momento, seja dentro da epilepsia ou não. Então, eu tinha uma esperança mas ao mesmo tempo era o meu primeiro single e eu realmente não esperava tanto assim. É uma loucura. 30 milhões no Spotify! Mais de 30 milhões streams em geral. É muito doido.

TMDQA!: Que bom que é uma loucura boa, né? E quando a gente pode esperar suas músicas novas, e em que formato? EP, CD?

Zoe: A gente não pára de escrever músicas! Em Setembro teremos um novo single e eu vou continuar escrevendo músicas, espero conseguir lançar um álbum no ano que vem, mas ainda não tenho certeza de como vai ser. Por enquanto, não quero assumir essa pressão, então estou só escrevendo as músicas e esperando pra ver o que o futuro reserva.

TMDQA!: Também estamos ansiosos por aqui! Bom, tudo isso que aconteceu nos últimos tempos prova que seu “risco” deu certo, já que você estava mais acostumada a fazer covers e deu esse passo em direção ao autoral. Eu conheço muitos artistas que tem medo dessa transição de covers para autorais, e eu realmente acredito que os melhores conselhos vem daquelas pessoas que ainda estão aprendendo. Você tem algum conselho para essas pessoas que tem medo de dar esse pulo?

Zoe: Bom, olha, o meu jeito foi: eu fazia covers e todas as músicas que eu tocava eram coisas com as quais eu me identificava, que tinham uma verdade na minha realidade. Nas letras, principalmente. Então eu acho que se você acredita que é melhor fazer covers por agora, faça; quando se sentir pronta para fazer algo além das covers, apenas faça! Você consegue fazer tudo e você precisa tentar, porque só se vive uma vez.

Remix de “Control” e planos de turnê

TMDQA!: Ainda mais com tudo que tem acontecido no mundo, não há tempo a perder! Queria falar também sobre o remix de “Control” que chegou há pouco tempo, assinado pelo NOTD, e ele tem uma perspectiva totalmente diferente da música. Você gostou?

Zoe: Eu estava ouvindo no estúdio e eu fiquei meio, “Hmmm…”, porque é tão diferente. Mas eu amo hoje em dia, porque… bom, eu queria muito trabalhar com o NOTD porque eles trabalham com tantas artistas mulheres e tanta gente legal, e eu achei que encaixaria bem. E hoje eu acho o remix legal demais, a melodia e tudo mais que eles colocaram, a guitarra, é legal demais e eu fiquei muito feliz que eles fizeram isso e tiraram um tempo pra isso.

TMDQA!: Bom, uma coisa que definitivamente não é legal sobre tudo que tem rolado com você é que estamos no meio de uma pandemia e não há a possibilidade de uma grande turnê ou coisa do tipo. Você está empolgada com essa possibilidade no futuro?

Zoe: Eu estou tão, tão, tão triste que eu não posso fazer isso agora! Eu quero muito ouvir a plateia cantando “I don’t wanna lose control”! Eu acho que vai acontecer um dia — eu espero e estou sempre rezando — e eu estou muito empolgada com esse futuro em relação às performances ao vivo e em conhecer todo mundo!

TMDQA!: E por curiosidade, já que você é uma mulher cheia de habilidades, você já pensou no que faria ao vivo? Você pensa em usar só a voz, tocar piano e cantar, tocar violão e cantar…?

Zoe: Eu tento tudo! Eu quero tocar violão e cantar porque eu acho tão legal, e o piano é onde eu fico mais confortável. Mas eu preciso treinar bastante, porque eu não acho que sou boa o suficiente para cantar e tocar ao mesmo tempo. [risos] Por agora, eu acho que eu prefiro ficar só com o microfone e tendo o meu pianista para me acompanhar. Eu amo quando ele toca, ele transborda de emoção; quando você o vê nos meus vídeos, você vê que os sentimentos dele fluem através da melodia.

TMDQA!: Bom, para fechar a entrevista, eu queria te fazer uma pergunta que estou fazendo para praticamente todos os artistas que entrevisto. O nome do site aqui é Tenho Mais Discos Que Amigos e, bom, sei que vocês já saíram da quarentena na Alemanha mas, nesses tempos difíceis, qual álbum tem sido seu melhor amigo?

Zoe: Olha, eu acho que eu tenho ouvido muito uma música em específico, que é a “i’m lonely”, da Luz. Foi uma música que eu ouvi demais nesse período complicado e ainda ouço.

TMDQA!: Legal! Olha, espero que as coisas melhorem logo e a gente possa se encontrar no Brasil assim que possível. Muito obrigado pelo seu tempo e pode deixar um recado para os fãs brasileiros se quiser!

Zoe: Com certeza! Oi, Brasil! Eu amo vocês, eu amo todo mundo que curte minha música no Brasil e estou muito empolgada para conhecê-los pessoalmente. Sejam verdadeiros a quem vocês são, se amem, e nos vemos em breve!

 
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