FJAAK
Ouça nova versão do disco ao vivo do Pink Floyd!  

Felix Wagner e Aaron Röbig são integrantes do grupo alemão de música eletrônica chamado FJAAK e, mais que isso, militam pela liberação da maconha ao redor do globo.

Wagner, inclusive, tem uma licença médica que lhe permite andar, viajar e voar com seus cigarros pela Europa e, não à toa, o site brasileiro Monkeybuzz chamou a dupla de “Cheech And Chong do Techno”, fazendo uma referência à icônica dupla de atores conhecida por filmes sobre a erva.

Pois bem, o TMDQA! conversou com os caras a respeito disso tudo e um pouco mais, e você pode ler o papo, conduzido por Marllon Gauche, logo abaixo.

Divirta-se!

 

Marllon Gauche: Aaron, Felix! Tudo bem? Obrigado por toparem este bate-papo. Vocês são conhecidos como “Techno boyband from Berlin”; o MonkeyBuzz, no ano passado, os descreveu como uma versão “Cheech and Chong do Techno”, duas ótimas definições ao nosso ver. Essa imagem divertida e descontraída é um reflexo da personalidade de vocês, certo? Falem um pouco mais sobre o jeito FJAAK de ser?

FJAAK: Desde o início do FJAAK, costumamos tocar live sets e fazer jams com muitas máquinas. Cada um faz sua parte com o instrumento que usa, assim como uma banda. Nossa segunda paixão louca é a maconha. Somos ativistas e estamos lutando ativamente pela legalização na Alemanha.

Marllon Gauche: Até ano passado, quando não vivíamos a trágica situação atual devido ao Coronavírus, a agenda de vocês era lotada com shows e turnês ao redor do mundo. Como vocês buscavam manter o equilíbrio mental em meio à rotina frenética?

FJAAK: É um momento difícil para nós e para muitas pessoas inseridas nesse mundo / indústria criativa. Estamos com muitas saudades dos clubes, festivais e raves, mas estamos tentando ser positivos e usar nosso tempo da melhor forma possível para apoiar a cena o máximo que pudermos. Produzimos muita música e lançamos nosso primeiro EP de caridade para clubes menores que nos apoiam desde o começo, os quais realmente precisam de ajuda agora.

Marllon Gauche: Discotecar ao redor do mundo permite que os artistas possam conhecer diferentes pessoas, lugares e culturas. Vocês também gostam de ‘turistar’ pelas cidades onde tocam? Algum país em específico marcou vocês? Por qual motivo?

FJAAK: Ver muitas pessoas, diferentes lugares e culturas é grande parte da nossa vida e algo que realmente importa para nós. Principalmente nesse período, pudemos reconhecer o quão grande isso é para nós e que estamos conectados a vários lugares do mundo, o que significa muito para nós.

Um país inesquecível? A energia na América do Sul é sempre muito especial. Gostamos muito da atmosfera rave underground dos anos 90, algo que encontramos na maioria das raves grandes (ilegais/legais) nas selvas urbanas ou ao redor das grandes cidades no Brasil, Colômbia, Argentina e todos os lugares da região. Há também projetos e lugares na Alemanha ou Georgia que você não imaginaria, como Bassiani, Spacehall, Khidi em Tbilisi ou City Club em Augsburg.

Marllon Gauche: Claro que não podemos deixar de perguntar também sobre o Brasil. Vocês estiveram por aqui no ano passado e quebraram tudo na Photon e na ODD. Quais as melhores lembranças dessa passagem por aqui?

FJAAK: Muito obrigado! Nos divertimos muito! Como foi dito, Brasil é um dos nossos lugares favoritos na terra. Gostamos muito das pessoas, cultura, culinária, da paixão pela música que vem do público e as raves underground que são incríveis. Além de que os melhores churrascos das nossas vidas foram no Brasil e na Argentina. Somos loucos pela natureza também e é incrível estarmos cercados por ar fresco, que é muito comum em algumas partes do país. A floresta mundial se torna uma coisa diferente na sua cabeça quando você realmente esteve em uma.

Marllon Gauche: E dos artistas brasileiros, cultivam alguma amizade ou acompanham o trabalho de algum DJ/produtor? O que vocês mais valorizam da nossa cultura musical?

FJAAK: Sim, temos contato com alguns produtores e DJs muito legais como Davis e Zopelar, também conhecemos bandas e coletivos incríveis, como o Teto Preto. Há muitos artistas promissores e a cena cresce muito rápido pelo que vimos até agora…

Marllon Gauche: Falando de Berlim… como a questão cultural influenciou no som que vocês tocam hoje? A cidade de alguma forma afetou a maneira com que vocês criam e entendem música?

FJAAK: Com certeza, Berlim sempre foi uma grande influência para nosso som e para as coisas que criamos. Como éramos grandes ravers, procurando pela melhor energia todo fim de semana, quase sempre havia uma missão bem-sucedida. Nascidos e criados em Berlim. Clubes são uma parte importante para pessoas que crescem ou moram aqui. Achamos que toda a experiência e conhecimento comum que você pode coletar da pista de dança pode refletir no seu som.

Marllon Gauche: E o que vocês curtem fazer no tempo livre? Além de fumar maconha, claro…

FJAAK: A música é nossa maior paixão, então na maioria das vezes passamos o tempo livre no estúdio. Se não estamos no estúdio, tentamos passar um tempo com amigos e família. Na maioria das vezes, falamos com os amigos sobre música ou ouvindo música. Ouvimos vários gêneros diferentes, Hip Hop, Jazz, Dub, Jungle, Reggae, Techno, House, Garage, Funk e por aí vai…

Em (quase) todos os gêneros existem faixas incríveis que amamos para sempre. Precisamos de tempo para ouvir e filtrar tudo. Gostamos de praticar esportes com o time da Spandau20, semana passada enlouquecemos em uma quadra de basquete durante a tarde toda, foi bem divertido!

Marllon Gauche: Aproveitando o gancho da maconha, uma pergunta rápida para descontrair: qual é a larica preferida de cada um depois de fumar uns baseados?

FJAAK: Temos uma lista grande de laricas preferidas. Temos lanches para diferentes situações, dependendo de como estamos. Às vezes, bons licores e cervejas são nossas laricas compartilhadas. Não queremos citar marcas para não parecer publicidade [risos].

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Marllon Gauche: Voltando à música: vocês trabalharam e viveram próximos dos caras do Modeselektor, inclusive os lançamentos pela 50Weapons e Monkeytown Records ajudaram muito a catapultar o nome de vocês pelo globo. Ainda existe um contato próximo com Gernot e Sebastian? O que esses caras representam pra vocês?

FJAAK: Eles são grandes amigos e ainda saímos juntos, quando não é possível fazemos calls. Também estamos trabalhando juntos em músicas novas…

Marllon Gauche: A estética sonora do FJAAK, em síntese, é uma combinação altamente dançante de Techno, House e Breakbeats; li que vocês também possuem grande influência do Hip Hop old school. Quando estão no estúdio, vocês já produzem pensando no resultado das músicas na pista ou isso passa longe da cabeça de vocês?

FJAAK: Na verdade, também temos muitos lançamentos próximos que não foram produzidos para a pista de dança. Na maioria das vezes, produzimos música sem sequer pensar no resultado na pista, porque música ainda é uma grande paixão e diversão para nós. Achamos que hoje em dia muitas pessoas estão tentando emplacar um hit o mais rápido possível e quando estão no estúdio esquecem totalmente o espírito e alma da sua criação.

Marllon Gauche: Até o momento destas perguntas, o EP mais recente é o FJAAK 006. Compartilhem com a gente um pouco do processo de produção? O que faz vocês começarem uma música? Que tipo de influências externas são inseridas no som de vocês?

FJAAK: Não existe uma regra sobre como produzimos uma faixa. Às vezes, é apenas uma sequência em um synth ou sampler, quando algo especial sai de uma jam tentamos guardar e é assim que acontece quando estamos produzindo. Também conseguimos novas inspirações quando tentamos novas formas e métodos para usar batidas e synths. Nos últimos dias trabalhamos bastante sem computadores, apenas com samplers antigos, como EMU-SP-1200 e AKAI-MPC-60 ou MPC-3000 e MPC-2000 XL. Eles têm um som e caráter adorável, além do seu workflow, que é dado pela capacidade limitada.

Marllon Gauche: Também temos curiosidade para saber como funciona em cima dos palcos. Existe uma dinâmica ideal quando atuam no formato live act ou mesmo em um hybrid live?

FJAAK: Desde o início, estamos fazendo o live juntos, então, para nós, nada é mais natural do que isso. Começamos a tocar live nos clubes antes mesmo dos DJ sets. Naquela época, colecionamos muitos discos e ainda mais máquinas. Tiveram momentos que apenas tocamos por 20/30 minutos sem nem preparar algo. Esses foram os momentos que nos levaram a pensar: ‘vamos tentar isso em um clube!’.

Um grande ponto para nós é a comunicação. Funciona principalmente sem dizer uma palavra, é muito intuitivo. Também é uma sensação mágica quando nós dois estamos no mesmo fluxo. Podemos sentir a conexão com o outro como um vínculo invisível, mas muito forte.

Marllon Gauche: Para finalizar: quais os planos para a Spandau20 nos próximos meses? Podem nos adiantar alguma novidade?

FJAAK: Há muito por vir na Spandau20 e na FJAAK Label, como nossa série “SYS” (Support Your Scene), que é um projeto de caridade para retribuir alguns clubes que sempre nos apoiaram e acreditaram em nós. Recentemente lançamos o EP SPND20 X01, que é uma variedade de faixas que não são direcionadas a pista de dança.

Além disso, mostraremos melhor como trabalhamos no estúdio e fazemos uma livestream novamente em breve! Força, Brasil! Principalmente nesse momento louco! Cuide bem de você e de sua família. Nos veremos assim que possível!

 
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