Linkin Park -
Reprodução/YouTube
Assista ao novo clipe de Bruno Chelles, Camila Zasoul e Natalhão!  

Na virada do milênio, alguns fãs de rock estavam desacreditados sobre o gênero enquanto um sucesso comercial. Isso porque viram, ao longo de pelo menos 30 anos, uma queda crescente na popularidade do estilo. Conforme a indústria se desenvolvia, menos o rock era visto em paradas de sucesso e rádios.

Mas eis que uma vertente alternativa do heavy metal daria novos ares para o gênero. O nu metal, que vinha se desenvolvendo com mais clareza desde a segunda metade dos anos 90, alcançou seu pico e dominou as mídias graças à banda Linkin Park. O grupo do saudoso Chester Bennington confrontou o que todos pensavam sobre o metal e fez com que, em pleno século XXI, uma banda do gênero coexistisse nas paradas mainstream com nomes como Jennifer Lopez, Britney Spears e NSYNC.

Uma das canções responsáveis por esse sucesso inusitado foi “In The End“. Um dos singles do disco de estreia Hybrid Theory, a faixa captou crítica e público com elementos marcantes como o emblemático riff de piano, a estrutura de divisão das vozes entre Chester e Mike Shinoda e, é claro, o clipe (que recentemente atingiu a marca de um bilhão de visualizações no Youtube).

Separamos algumas curiosidades sobre o processo de produção e sobre o legado da música. Confira abaixo.

Continua após o vídeo

 

Quase não entrou no disco

Bom, Hybrid Theory conta com várias canções incríveis, como “One Step Closer” ou “Crawling”, mas e se “In The End” não entrasse no disco?

Chester já chegou a dizer que não era muito fã da canção, e que sequer queria ela no disco. No entanto, perceber o “erro” que cometeu e, no final das contas, ficou satisfeito com a proposta da gravadora de torná-la uma canção de trabalho. Por conta disso, inclusive, o vocalista disse que não participava na escolha dos singles. Em suas palavras:

Esse episódio me deu uma lição importante enquanto artista. Não necessariamente eu preciso fazer música que eu queira ouvir. (…) E tudo bem, porque isso me dá uma nova perspectiva sobre as músicas. Mas, sabe, agora eu amo ‘In The End’ e acho que é uma baita canção. Agora eu vejo o quão incrível uma música pode ser, mas isso era difícil para mim naquela época.

 

Versões demo

Em 2011, a banda lançou o EP Linkin Park Underground Eleven. Parte de uma série de lançamentos do grupo para seu fã clube, o álbum conta com 10 demos de músicas lançadas desde o Hybrid Theory (2000) até o A Thousand Suns (2010).

In The End (Demo)” é uma das canções da tracklist. Apesar de manter o mesmo incrível riff de piano, a canção apresenta uma série de diferenças com relação à versão finalizada. Isso inclui diferentes linhas de baixo, diferentes levadas de bateria e, mais notoriamente, uma letra completamente diferente, principalmente no que diz respeito à parte cantada por Shinoda. A diferenciada ponte também chama atenção, já que Chester canta uma oitava abaixo da que estamos acostumados, e dobra consigo mesmo na segunda parte, dando um resultado completamente diferente daquele com o qual estamos acostumados.

Em 2004, também ganhou conhecimento público uma demo intitulada “Untitled“, que é, na verdade, uma versão mais amadurecida da “In The End (Demo)”, com baixo e bateria que se aproximam mais da versão oficial. A letra, no entanto, ainda é a letra não-oficial, que conta com trechos como:

They’re dealing you in to determine your end
And sending you back again, to places you’ve been
And bending your will, ’til it breaks you within
And, still, they fill their eyes

A letra

Liricamente, “In The End” trata de emoções como frustração e decepção. O refrão é baseado nas lutas que Chester Bennington enfrentou enquanto crescia. É baseado na falha humana e pode dar brecha a amplas interpretações, inclusive no que diz respeito a relacionamentos amorosos.

Em entrevista concedida recentemente ao Rock Sound, Mike Shinoda falou sobre o processo de composição da música. Quanto à letra, o cantor comentou que é uma canção intrigante, porque traz à tona questões que não necessariamente possuem uma resposta. “Normalmente, as músicas não são sobre não ter respostas, certo?”, comentou.

 

Charles Andrew Williams

Em 2001, o jovem Charles Andrew Williams, ao 15 anos de idade, matou a tiros dois colegas de classe na cidade de Santee, na Califórnia. Como forma de explicar o que estava sentindo, Charles deixou para seu pai uma nota com parte da letra da música. “Eu tentei bastante e cheguei muito longe, mas, no fim, isso não interessa”, dizia o documento.

O trágico acontecimento rendeu para Williams 50 anos de prisão, além de ter sido pauta para discussões sobre bullying e saúde mental na época. O Linkin Park também se posicionou sobre o caso, dando uma declaração que dizia: “Assim como todos, nós estamos extremamente tristes com o que aconteceu. Nossos corações estão voltados para as famílias e para os amigos das vítimas.”

 

O clipe é uma obra de arte

“In The End” não seria a mesma coisa se não fosse o seu incrível videoclipe. Gravado aos poucos durante o ano de 2001, o clipe foi dirigido pelo DJ da banda, Joe Hahn, e por Nathan Cox (que também já trabalhou com nomes como Metallica, Foo Fighters e System of a Down).

O clipe é quase todo feito em CGI, a não ser pela estrutura da cabeça da estátua gigante em que a banda aparece tocando em alguns takes. A parte em que Mike versa em uma espécie de deserto também conta com elementos reais, como a grama e as rochas.

Apesar da letra, o clipe traz uma ideia de positividade e esperança. Essa mensagem se dá através do belo amanhecer ao final do clipe, logo após uma noite com uma assustadora tempestade (e, vale citar, a banda ficou realmente encharcada durante a gravação).

 

Pocha, J-Lo

Aos olhos da indústria, “In The End” é o maior sucesso do Linkin Park. A canção chegou, em 2002, na segunda colocação da Billboard Hot 100, a mais influente parada musical do mundo. Kylie Minogue, Enrique Iglesias, Usher, P!nk e Vanessa Carlton ficaram para trás diante deste grande hit. E por muito pouco a banda não assumiu o topo.

O motivo? Jennifer Lopez. No dia 2 de Março daquele ano, a parada semanal que representou o “auge” do Linkin Park prestigiou “Ain’t It Funny“, parceria entre J-Lo e Ja Rule. Completando o Top 5, ainda estavam Fat Joe (com “What’s Luv?”), Ja Rule (de novo, mas com “Always On Time”) e Nickelback (sim, com “How You Remind Me”). Vale frisar que as duas primeiras contam com a participação da cantora Ashanti.

Bom, de qualquer maneira, sabemos que a canção ficou para o legado da música do novo milênio.

 

Remixes

Em 2002, o Linkin Park lançou Reanimation, disco de remixes das faixas de Hybrid Theory. Obviamente, “In The End” está presente. Com as participações de KutMasta Kurt e Motion Man, a canção e se tornou “Enth E Nd“. Além da nova atmosfera, a faixa conta com versos inéditos de Shinoda.

Por falar em remixes, Linkin Park e Jay-Z lançaram, em 2004, o celebrado EP Collision Course. Obviamente, os maiores sucessos da banda lançados até então marcaram presença na tracklist, incluindo “In The End”. A faixa se juntou com “Izzo (H.O.V.A.)“, de Jay-Z, dando origem ao mashup “Izzo/In The End“.

Mas essas não foram as únicas vezes que a música foi adaptada para algo mais “dançante”. Em 2017, o DJ Markus Shultz lançou, em plena Tomorrowland, um remix trance da canção, como uma homenagem a Chester após sua morte.

 

Legado ao vivo

A música não é apenas o maior sucesso comercial da banda, como também costumava ser parte importante das apresentações, sendo sempre um ponto auto de muita conexão com o público.

O legado marca também a carreira de Mike Shinoda, que também assina a composição da música e da letra. Nas apresentações de seu lançamento solo Post Traumatic, o cantor homenageia Chester através de uma performance emocionante, no formato piano e voz, de “In The End”.

 

“No Final”

Para encerrar, é sempre bom analisar as versões que a música ganhou com o passar do tempo. Várias bandas já tocaram “In The End”, seja ao vivo ou mesmo em gravações de estúdio. E isso inclui o Brasil. Afinal, já ouvir a versão da banda Scarcéus?

Em 2013, eles fizeram quase uma tradução literal da música, que ficou conhecida como, pasmem, “No Final“. Mesmo se aproximando mais de uma estética pop rock, a versão “abrasileirada” se mostra bem fiel à original.

 
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