Hoobastank - The Reason

Por Bernardo Gasino

Infelizmente, nem sempre a carreira dos artistas deslancha após o primeiro sucesso. Na verdade, alguns acabam por emplacar apenas uma música nas paradas e em seguida caem no ostracismo, sendo apelidados carinhosamente de “one-hit wonders”, algo como “prodígios de um só hit” em inglês.

Nos anos 2000, existiu uma porção deles no Brasil e no mundo, que vendiam centenas de milhares de CDs impulsionados pelo sucesso nas rádios e televisões. Convidamos você a relembrar alguns, e conferir por onde andam quase 20 anos depois!

 

Vanessa Carlton

Lançado em 2001, “A Thousand Miles” foi o primeiro single da cantora Vanessa Carlton. A balada tem um riff de piano, ritmo e melodia grudentos, e alcançou o Top 10 em diversos países dentro de pouco tempo, incluindo o 5º lugar na Billboard 100 dos Estados Unidos.

Alguns fatores que fomentaram esse sucesso foram filmes como Legalmente Loira e As Branquelas. Aqui no Brasil, além de ter entrado para a trilha da novela O Beijo do Vampiro, fomos agraciados com a versão axé “Eu Sou Stefhany”, que grudou a canção na cabeça de todos.

Uma curiosidade é que o hit foi gravado por um grande time: Leland Sklar, que já tocou com Phil Collins, James Taylor e The Doors foi responsável pelo baixo, e a baterias ficaram por conta de Abe Laboriel Jr., baterista de Paul McCartney.

Que fim levou: o piano continua sendo marcante nas composições de Vanessa Carlton, porém hoje a cantora aposta numa abordagem mais artpop. Seu álbum mais recente é de 2020, inclusive, e se chama Love Is An Art.

 

Trapt

Em 2005, o rock pesado mainstream era exaurido de ondas como o nu metal e o pós-grunge – o que nem sempre proporciona boas coisas. É o caso do Trapt, banda que já tinha uma década de existência quando conseguiu colocar seu sucesso “Headstrong” nas paradas.

Que fim levou: a banda passou por inúmeras trocas na formação tendo apenas dois integrantes originais. Um deles é o polêmico vocalista Chris Taylor Brown, que em 2020, fez mais de 900 tweets destilando xenofobia, racismo e homofobia, conforme contamos aqui.

 

Daniel Powter

O cantor e compositor canadense Daniel Powter começou sua carreira no ano 2000 com o álbum I’m Your Betty, sem muita atenção do público ou da crítica.

Entretanto, em seu segundo lançamento, dessa vez batizado com seu nome, estava a balada “Bad Day”, que alcançou o primeiro lugar nas paradas de sucessos de muitos países, e fez com que o disco vendesse mais de 500 mil cópias no mundo.

O sucesso meteórico até que impulsionou a venda de seus trabalhos seguintes, porém Powter nunca mais conseguiu emplacar outra canção.

Que fim levou: O canadense continua vivendo de música, e seu último lançamento é do ano de 2018. Boa parte das novas canções seguem a fórmula de baladas com piano, que o fizeram relevante para o grande público.

 

O Surto

Você pode não saber, mas a música “A Cera” (ou “me pirou o cabeção”, como é conhecida por muitos) não era cantada pelo Charlie Brown Jr. Os intérpretes dessa pérola radiofônica foram a banda de rock nordestina O Surto.

O hit faz parte do disco Todo Mundo Doido, lançado em 2000 e produzido pela dupla Rick Bonadio e Rodrigo Castanho (que aliás, são especialistas em fabricar one-hit wonders). O sucesso foi tanto que a banda chegou a tocar no Rock In Rio em 2001, apresentando um setlist cheio de covers e versões em português de hits gringos, como essa versão “curiosa” de “Californication”, do Red Hot Chili Peppers.

Que fim levou: embora já tenha trocado dezenas de vezes de formação e não tenha lançado nada novo desde 2007, o vocalista Reges Bolo continua levando a palavra d’O Surto, fazendo shows pelo Brasil e resgatando a nostalgia de tempos em que a vida era mais fácil.

https://www.youtube.com/watch?v=C-o-KxufAXc

 

Metro Station

A pré-adolescência no fim dos anos 2000 foi marcada pelas calças skinny coloridas, tanto no Brasil quanto no exterior. Se você viveu essa época, certamente se lembra de “Shake It”, o único hit do Metro Station.

A banda era composta por Mason Musso e Trace Cyrus, o irmão mais velho da cantora Miley Cyrus, e seguia a proposta do power-pop-punk chiclete que fazia muito sucesso à época.

Que fim levou: assim como outros membros da família Cyrus, Trace continua na ativa (ao lado de seu parceiro), lançando novos singles de tempos em tempos. Entretanto, o som permanece datado e acaba não conquistando novos fãs.

 

Bowling for Soup

Graças a bandas como blink-182 e Green Day e a trilha sonoras de comédias adolescentes da virada do século, o pop-punk tornou-se uma onda altamente radiofônica, e muitas bandas até então desconhecidas pelo grande público ganharam destaque com canções nas rádios.

O Bowling for Soup é uma delas: o quarteto começou a carreira no início dos anos 1990, mas só conseguir emplacar “1985” em 2005. A letra era bem humorada e criticava a televisão e os ídolos da época (algo muito comum nos anos 2000).

Curiosamente, a música foi composta pela SR-71, outra banda de pop punk one-hit wonder que estourou com o sucesso “Right Now” e depois caiu no esquecimento.

Que fim levou: o Bowling for Soup estava na correria muito antes de fazer sucesso, e continua até hoje. A banda permanece com praticamente a mesma formação, fazendo tours pelos Estados Unidos e lançando discos com alguma frequência.

 

American Hi-Fi

“Flavour of The Week’ é uma daquelas músicas que exala o espírito de 2001: uma baladinha pop-punk pra cima com um refrão pegajoso que conta a história de uma garota muito interessante que namora um babaca do colégio. O refrão chega a encaixar a palavra “Nintendo”, uma referência completamente gratuita que gerava identificação nos jovens.

A canção fez parte do primeiro disco da banda, que vendeu mais de 750 mil cópias – mas o sucesso comercial não foi muito adiante.

Que fim levou: O American Hi-Fi continua na ativa, mesmo sem lançar nada novo desde 2016. Alguns dos membros da banda se tornaram músicos de apoio da cantora Miley Cyrus, profissão que continuam exercendo até hoje.

 

Hoobastank

A banda foi fundada em 1994, e já tocou um pouco de tudo (nu metal, funk metal, ska punk) até chegar à fórmula rock-alternativo-pós-grunge que os fez famosos. O sucesso chegou por meio de “The Reason”, uma balada dramática com um clipe icônico que tocou incessantemente no Disk MTV.

O hit da banda fez parte do disco de mesmo nome lançado em 2003 que vendeu mais de 2 milhões de cópias, alcançando o terceiro da Billboard 200 dos Estados Unidos.

Que fim levou: o Hoobastank continua na ativa com poucas trocas de integrantes, e seu último trabalho de estúdio é do ano 2018, e atualizou um pouco a sonoridade da banda (algo que o público antigo não recebeu tão bem).

 

Luka

Nos anos 2000, a juventude brasileira se divertia diariamente em uma fonte inesgotável de dramas adolescentes: Malhação. A trilha sonora da novelinha emplacou uma série de hits pegajosos nas rádios do país, como “Tô nem aí”, que foi tema de um dos personagens da temporada de 2003.

Justiça seja feita, a cantora Luka até que conseguiu estourar algumas outras músicas de seu primeiro disco, como “Porta Aberta” e “Difícil pra Você”, porém isso não durou até o trabalho seguinte.

Que fim levou: o último disco de Luka é de 2015, e tem participações de Liah Soares e Latino, porém a carismática cantora faz sucesso mesmo é com seus hits antigos. Em maio, fez uma ótima live de três horas, acompanhada de sua filha e cantando sucessos e covers de outros artistas.

 

Dallas Company

Se você reclama do excesso de músicas sertanejas nas rádios hoje em dia, certamente não viveu a época em que o hit “Clima de Rodeio” do Dallas Company tocava milhares de vezes todos os dias, deixando qualquer um louco.

A canção foi tema de Rodrigo, campeão da segunda temporada do Big Brother Brasil, e fez com que a banda vendesse mais de 100 mil cópias no país.

Que fim levou: após brigas e trocas na formação, a banda retomou seu nome original, Dallas Country. A ex-vocalista Jameika saiu em carreira solo e está preparando um EP com músicas pop.

 

3 Doors Down

Muito além do Nickelback e do Creed, a década foi repleta de bandas pós-grunge com a mesmíssima fórmula: vocal grave, melodias pop, violãozinho e guitarras Les Paul distorcidas ligadas em um amplificador JCM 800.

Uma delas foi o 3 Doors Down. Seu primeiro single “Kryptonite” já havia feito algum sucesso nos anos 90, porém foi a canção “Here Without You” que catapultou a banda em 2003. Ela estava na tracklist do disco Away from the Sun, que vendeu mais de 2 milhões de cópias, e foi considerada um hino para famílias de soldados americanos que foram mandados à Guerra do Iraque.

Que fim levou: em 2016, o ex-guitarrista Matt Roberts acabou falecendo devido a uma overdose de remédios. No mesmo ano, a banda fez uma apresentação na posse do então eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que gerou algumas críticas por parte do público. Em 2019, anunciaram que estão preparando um novo álbum.

 

B5

A banda carioca B5 durou de 2002 a 2009, e durante esse pouco tempo de existência, teve como principal êxito a canção “Só mais uma vez”, que entrou para a trilha da temporada de 2005 de Malhação.

Ao todo, lançaram três discos e abriram shows de Simple Plan e Hanson no Brasil.

Que fim levou: de todos os integrantes, apenas dois seguiram carreira da música após o fim do B5: o vocalista Leo Lotti formou outro grupo para tocar em sua cidade, Petrópolis, e o guitarrista Luis Felipe se tornou músico de estúdio e turnês.

 

Kaleidoscópio

Por mais que hoje a música “Tem que valer” pareça datada demais, foi algo muito visionário para época, já que misturava elementos da bossa brasileira ao ritmo do europop, que fazia muito sucesso na virada do século.

Assim como outros one-hit wonders, a canção entrou para a trilha de Malhação, e não demorou muito para alcançar o topo das paradas e tocar em todas as rádios brasileiras.

Que fim levou: todos os integrantes do Kaleidoscópio continuam atuando como músicos: a vocalista Janaína Lima segue carreira como cantora e coreógrafa; os produtores Ramilson Maia e Gui Boratto atuam como DJs, esse último sendo um dos grandes nomes do house da atualidade.

 

Dogão

Após o sucesso do Gorillaz, banda formada por personagens fictícios e cartunescos, o produtor Rick Bonadio resolver pegar carona e criar sua própria versão: o rapper virtual Dogão, que era interpretado secretamente por MC Suave.

O projeto durou somente um disco, e o single “Dogão é Mau” foi utilizado como música de trabalho, tocando até cansar em todas as rádios brasileiras. E apesar do êxito com o público, a crítica repercutiu negativamente o álbum e as canções, acelerando seu prazo de validade.

Que fim levou: Rick Bonadio continua produzindo hits até hoje. Já o homem por trás de Dogão, MC Suave, lança novos singles todos os anos e atua como empresário no ramo de hotelaria.

 

Br’oz

Em 1997, o programa americano Popstars formou a banda Eden’s Crush, que tinha entre as suas integrantes Nicole Scherzinger. Mais tarde, ela faria sucesso ao lado das Pussycat Dolls e também em carreira solo.

A versão brasileira do programa nos presenteou com dois dos grandes êxitos dos anos 2000: a girl band Rouge, que emplacou diversos sucessos e foi um fenômeno, e a boy band Br’oz.

Os meninos não tiveram tanto sucesso quanto suas colegas de programa. Entre 2003 e 2005, lançaram dois trabalhos de estúdio, mas o único single que ganhou o público foi “Prometida”.

Curiosidade: obviamente, Rick Bonadio fazia parte do corpo de jurados do programa Popstars. Já entre os participantes estavam outros artistas que mais tarde conseguiriam decolar breves carreira musical no Brasil, como Kênya Boaventura das K Sis, Marjorie Estiano, Janaína Lima da Kaleidoscópio e D’Black, autor do hit “Sem Ar”.

Que fim levou: o Br’oz fez uma turnê de volta entre 2016 e 2018, e retornou às atividades novamente em 2020 sem o integrante Filipe Duarte, que hoje integra o grupo de pagode Os Travessos (muito bem, por sinal).

https://www.youtube.com/watch?v=oIMmkLC0aWk

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