Ghost - Opus Eponymous
 

Por Cláudio Gabriel e Tony Aiex

A primeira palavra dita no álbum de estreia da banda Ghost, Opus Eponymus, é “Lucifer”.

Na canção “Com Clavi Con Dio”, a voz de Papa Emeritus, com sua suavidade, contrasta com as guitarras e baixos pesados. Definitivamente, a adoração ao demônio representada na letra não parece ter tanto a ver com o que se ouve. Ao ouvir, é possível perceber um DNA próprio ali. Antes disso se tornar vivo, porém, uma história foi trilhada para que a missa satânica do Papa gerasse muitos comentários na cena musical.

É impossível falar de Ghost sem pensar em seu líder e cantor, Tobias Forge. O sueco, com 25 anos na época, foi o grande idealizador desse conjunto musical. Suas participações anteriores iam desde grupos de punk, glam metal, rock alternativo e death metal, o que fizeram literalmente uma formação musical variada. Além disso, ter nascido em uma terra que formou desde o pop do ABBA até os vikings do Amon Amarth contribuía ainda mais uma coexistência de gêneros.

Em 2006, assim, Tobias escreveu “Stand By Him”, que está presente em Opus Eponymus. A canção possuía riffs marcantes e pesados, além de uma letra de uma adoração ao Deus do mal. Aquilo foi o pontapé inicial da ideia. Em 2008, ele se juntou ao seu ex-parceiro da banda Repugnant, Gustaf Lindström, e juntos gravaram, além de “Stand”, “Prime Mover” e “Death Knell”. Todas essas estariam presentes posteriormente no primeiro disco do grupo que se formaria.

Aproveitando toda essas letras e riffs direcionados ao metal, o artista quis dar uma volta dentro da própria ideia. Pensou em usar isso para criar toda uma teatralidade de palco, algo que havia feito sucesso dentro do rock nos anos 70 e 80 com Alice Cooper e suas apresentações teatrais, além de Mercyful Fate e todo o visual de seu frontman King Diamond. Fã de filmes e livros de terror, Tobias também foi levado para usar essa questão como algo relevante para a imagem da banda. Logo, para além de um peso nas músicas, a ideia era trazer uma suavidade na voz, gerando uma novidade ao atual momento da música pesada. Seu pensamento inicial não era ser o vocalista, porém isso acabou acontecendo naturalmente.

Forge reuniu então os outros integrantes. Todos dentro da banda seriam anônimos e os membros se tornariam conhecidos como “Nameless Ghouls”, ou algo como “almas sem nome”. Já o vocalista seria o “Papa Emeritus”.

O conceito do Ghost é como se eles fossem criados pela Igreja Satânica para poder disseminar a imagem do demônio pela Terra. Eles postaram as três faixas gravadas no MySpace em 12 de março de 2010.

Em apenas dois dias, várias gravadoras já correram atrás de assinar com o grupo.

A gravação e o lançamento de Opus Eponymus

Quem conseguiu o contrato foi a gravadora independente britânica Rise Above Records. A banda passou algumas poucas semanas gravando as faixas do primeiro disco na sua cidade natal, Linköping, na Suécia, já que todas as letras estavam escritas por Tobias.

Em 20 de junho de 2010, há exatos 10 anos, foi lançado o primeiro e único single de Opus Eponymus, “Elizabeth”. A canção fazia referência à Condessa Elizabeth Báthory, conhecida como a primeira serial killer e a que mais matou pessoas na história.

Os riffs próximos de uma banda de hard rock, ao mesmo tempo que o baixo bem mais pesado como de uma música de metal., se misturavam aos vocais líricos do cantor e resultavam em um caldeirão repleto de novidades que agradaram nomes como James Hetfield (Metallica), Phil Anselmo (Pantera) e Dave Grohl (Foo Fighters).

Foram necessários mais quatro meses até que o álbum fosse finalmente lançado em 18 de Outubro com 9 faixas e pouco mais de meia hora.

A Hora do Vampiro

Com uma capa que faz referência ao livro e filme “A Hora do Vampiro” – mais conhecido como “Salem’s Lot” -, de Stephen King, o disco foi muito bem recebido pela crítica e ganhou notas altas em resenhas de veículos especializados.

Após o lançamento, permaneceu durante 5 semanas entre o top 60 das paradas suecas, chegando até a ficar na 50ª posição. Em 2011, seria nomeado para a categoria de “Melhor Álbum de Hard Rock” nos Grammis, o “Grammy Sueco”.

Influência

O Ghost chamou atenção do mundo da música pela sua mistura do peso, visual e letras satânicas, mas com um som chamativo e acessível para boa parte do público que não gostava de metal.

Posteriormente, os elementos da música pop foram ficando cada vez mais claros, com  inspirações vindas desde a surf music, até a synthwave. Toda essa mistura, com forte apelo comercial se revelando a cada novo disco da banda, fez com que ela fosse indicada e ganhasse o Grammy de 2016 na categoria “Melhor Performance Metal” com “Cirice”, tendo  ainda duas indicações como “Melhor Álbum” e “Música de rock” pelo disco Prequelle, de 2018, e a faixa “Rats”. Além disso, a banda já tocou em festivais voltados ao metal e rock, como o Download Festival, até outros com o público bem mais voltado ao alternativo e música pop, como Lollapalooza e Coachella.

Definitivamente a frase “o Papa é pop” poderia caber ao Ghost. E esse reinado começava há 10 anos com o primeiro single de Opus Eponymus.

 
 
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