Lady Gaga - Chromatica
Divulgação
 

Lady Gaga voltou ao pop e é isso que você precisa saber antes de correr para escutar Chromatica, seu sexto disco de estúdio.

O trabalho chega ao mundo nesta madrugada de sexta-feira (29) após meses de expectativa, singles que dividiram opiniões e uma estética que nos devolveu aquela cantora de estilo extravagante dos anos 2000. Ou pelo menos quase, já que o disco representa uma caminhada empolgante de volta ao “topo” que ela se acostumou a ocupar — com muitas aspas aí.

Quando fomos apresentados ao conceito de Chromatica, confesso que senti um cheirinho de Artpop no ar. O disco de 2013 é considerado por muitos um tropeço na carreira da artista, que também parece pensar o mesmo. Apesar de ter músicas boas, o álbum é bagunçado, fora do ritmo e, de quebra, marcou uma fase ruim na vida pessoal de Gaga. A surpresa foi boa quando descobri que o novo trabalho se distanciou bastante daquela era, e ainda mais de Joanne (2016), seu antecessor cheio de baladas e música country.

Chromatica segue uma tendência forte neste 2020, se apoiando bastante na nostalgia — seja da própria carreira de Gaga, quanto da música Pop e até da estética. Assim como a sonoridade, todo o conceito em torno do disco parece saído direto de Mad Max (1979), ainda cheio de referências aos anos 80, 90 e começo dos 2000. A mais jovem Dua Lipa tem seguido um caminho parecido em sua nova fase.

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Quando falamos da tracklist em si, porém, o cerco aperta um pouquinho. Em seu novo disco, Gaga optou por uma certa simplicidade que deixou para trás lá em The Fame (2008), sua estreia. Não que isso seja exatamente ruim, já que a artista não peca na qualidade em momento algum, mas a sensação é de que há algo faltando. As dezesseis (!) faixas do álbum têm em média 2 minutos e meio cada, o que é um ponto a menos quando pensamos nas músicas mais fortes do disco. Faixas como “Alice”, “911” e “Babylon” — uma filha mais nova de “Vogue”, da Madonna – mereciam um pouco mais de atenção. Do outro lado, músicas como “Fun Tonight” e “1000 Doves” não fariam tanta falta.

Já os singles, “Stupid Love”, “Rain on Me” e “Sour Candy” (com Ariana Grande e o grupo de k-pop Blackpink nas duas últimas, respectivamente) também não chamam tanta atenção no conjunto da obra, mas fazem sentido ali mesmo assim. Nas paradas, inclusive, as canções têm feito bastante barulho.

Mesmo com suas falhas, o álbum é fiel à sua proposta e se mostra coeso, muito bem amarrado pela Mamãe Monstra.

Letras

Lady Gaga nunca separou sua vida pessoal de sua arte, e em Chromatica não seria diferente. Quase como uma narrativa de sua própria história, a cantora coloca alma e coração no que canta, entregando momentos de felicidade, desespero, êxtase e até suas lutas pela saúde mental.

Como fez em quase toda a discografia, Gaga usa a música para passar a mensagem que defende com unhas e dentes desde sempre, o que a aproxima ainda mais de um disco feito a tantas mãos. Nomes como Axwell, BloodPop, Burns, Morgan Kibby, Klahr, Liohn, Madeon, Tchami, Vincent Pontare, Salem Al Fakir e até Skrillex são apenas alguns dos listados na produção e composição do novo trabalho.

Brilhando ao lado de Elton John

Apesar de ter feito barulho nas parcerias com cantoras mais novas e em alta, é com Elton John que Lady Gaga protagoniza um dos pontos altos no disco.

“Sine From Above” não é só uma música ótima, como também mostra um lado mais dance do icônico cantor, hoje com 73 anos e uma carreira enorme. Sem se intimidar com possíveis julgamentos, a dupla desviou do óbvio (uma baladinha mais lenta) e deu as caras em uma faixa com pitadas de House e até Techno.

Chromatica daqui pra frente

Só o tempo dirá se o disco vai marcar de fato a carreira de Gaga, mas o impacto inicial é positivo. Ainda que não seja o ápice da cantora, mostra que ela tem voltado a se encontrar no pop de boate que a consagrou e está disposta a seguir neste caminho. Sua fanbase agradece, mas seu ouvinte casual fica com gostinho de quero mais.

Ouça Chromatica na íntegra logo abaixo.

 
 
REVIEW GERAL
Nota
7.5
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