Bad Canadians
Foto: Gabriela Delgado
 

Nome bastante interessante na cena independente nacional, a paulistana Bad Canadians segue extraindo o melhor de suas principais influências musicais do punk rock, hardcore melódico, folk punk e “rock raiz” para elaborar faixas cada vez mais vibrantes.

Isso é comprovado em seu mais novo single, intitulado “St. Lonesome Bay“, que traz batidas e baixos pulsantes de Roberto Salgado e Guga Kerr alinhados com guitarras bem marcadas de Paulo Alves para formar o ambiente perfeito para o vocal rasgado e rouco de Eddie Fontenele.

Contando ainda com um refrão fácil, recheado por vocais de apoio cantados em uníssono, o resultado final de “St. Lonesome Bay” não é menos que empolgante e confirma que o grupo encontrou sua identidade ao se espelhar no universo de nomes como Against Me!Bruce SpringsteenThe Gaslight AnthemHot Water Music e Frank Turner.

Direto, enérgico e melódico, o single chega após os EPs Whatever Came First (2018) e This Side of the Road (2019), que explanam a transição sonora do grupo formado em 2017, anteriormente focado em trilhar os caminhos de referências do stoner rock.

Com produção e direção vocal de Bruno Peras (Dinamite Club, Running Like Lions e Gabriel Thomaz Trio), “St. Lonesome Bay” foi gravado, mixado e masterizado por Rafael Prego no Reampin Studios.

Em resposta exclusiva ao Tenho Mais Discos Que Amigos!, o guitarrista Paulo Alves falou sobre o lançamento:

A música fala sobre reconhecer que a gente pode reacender uma chama de esperança e mantê-la acesa (na medida do possível, dentro da sua própria realidade particular), passar adiante o que recebemos como encorajamento para sair dessa situação e nos tornar mais fortes.

Acreditamos que a mensagem que o Eddie, como autor da canção, quer passar com o que canta nela é a de se identificar como a parte de um todo, que não se está sofrendo sozinho, e que, ao entender que você faz parte desse todo e que pode se relacionar com outras pessoas e se espelhar nelas, você já da um passo para conseguir sair desse casulo e desse momento ruim em que talvez você esteja enterrado.

Embora lançada em plena quarentena, a música já estava pronta antes de sermos surpreendidos pela pandemia que forçou a todos ao distanciamento social. Porém, inclusive pelo que a música fala ter uma certa relação com o nosso momento atual e conversar forte com as aflições que todos estão (estamos) passando, decidimos seguir com o cronograma. Estávamos, inclusive, para iniciar as gravações de um clipe para ela, mas esses planos tiveram que ser cancelados.

Entre gatos, cafés, vistas da janela, discos de vinil de bandas como Dinosaur Jr., Band of Horses e NOFX, o Bad Canadians compilou como tem sido o período de isolamento social de seus quatro integrantes para, então, dar origem ao vídeo de “St. Lonesome Bay”, comentado também pelo guitarrista:

A solução a que chegamos, batendo papo no grupo da banda e nas calls que fizemos para não sentirmos tanto a distância, foi que cada um filmasse cenas do seu ambiente de reclusão e reuníssemos todas essas imagens pra representar o impacto do isolamento para cada um de nós. O Eddie, então, editou essas imagens para o clipe e, sendo o videomaker amador brilhante que é, ainda botou as imagens para tocar na TV de tubo de um um fliperama antigo e mesclou as cenas distorcidas com as mais límpidas, retratando esse nosso novo cotidiano recluso.

Ele ainda contou que cada integrante buscou em suas casas elementos que melhor refletissem o íntimo de cada um neste período de quarentena:

O Eddie mostrou o esforço para seguir tocando e compondo; eu apresentei objetos, discos, livros, instrumentos e memorabilia que fui colecionando ao longo dos anos, minhas únicas companhias hoje, já que moro sozinho; o Guga está com a esposa no apartamento na Rua Augusta e mostrou como um lugar sempre tão movimentado está com uma clima desolado; e o Roberto, na casa dos pais, mostrou um ambiente mais caseiro, a ideia de lar, e relembrou seus discos, CDs, quadrinhos e até o anime da infância que está revendo para tentar trazer um pouquinho de esperança através da nostalgia.

Com “St. Lonesome Bay” coincidentemente contextualizando força, prosseguimento e resiliência, o guitarrista também nos contou sobre os planos do Bad Canadians quando chegar ao fim o período de quarentena, imposto de forma abrupta e necessária devido à propagação do Covid-19:

Em Janeiro e Fevereiro estávamos já começando a trabalhar em músicas novas pra um álbum cheio, que pretendíamos gravar no segundo semestre. Obviamente, esse plano caiu por terra. Então, assim que for possível fazer isso em segurança, a prioridade vai ser voltarmos a nos reunir pra retomar o trampo nessas músicas, a pré-produção delas e o plano de gravar o disco. Isso é o principal, até porque já estávamos indo super bem nesse processo, num ritmo legal. Não vemos a hora também de voltar a tocar ao vivo. Porém, como isso é mais incerto ainda, o quanto e como isso vai tornar a acontecer, a primeira coisa vai ser mesmo voltar a produzir sons novos!

Enquanto os novos sons não são produzidos, confira o mais recente lançamento da banda logo abaixo.

Bad Canadians – “St. Lonesome Bay”

Capa do single “St. Lonesome Bay”, Bad Canadians
Capa do single “St. Lonesome Bay”, Bad Canadians

Letra:

Heavy days ahead but I’ll carry that burden
A few other good people are fighting until it’s over

It’s not over

And if the lights go out, the flame will keep on burning
Our feet are soaking wet but our hearts are blind till it’s over

It’s not over

And if you
Step up
Facing the odds against you
Don’t break down
Hold on until it’s all over

Can’t you tell that you won’t be astray?
As long as you fight the tides
Pulling high against strong winds
So you might feel complete

Cold windy nights and long gray days
It feels like forever ago I left home
Back in St. Lonesome Bay

And I’ve been hanging myself for all this time
Should’ve realized that there’s no turning back
To St. Lonesome Bay

For if you
Step up
Facing the odds against you
Don’t break down
Hold on until it’s all over

Can’t you tell that you won’t be astray?
As long as you fight the tides
Pulling high against strong winds
So you might feel complete

Can’t you tell that you won’t be adrift?
As long as you fight the tides
Pulling high against strong winds
Then you will
Then you will
Then you will
Feel complete